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Cuca Jorge
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Microgrânulos pôem liberação de ativos sob controle
Marcello Nitz, Mário Moffa
e Lupércio Calefe
É premente a
necessidade de a indústria farmacêutica nacional inovar para
sobreviver em um mercado cada vez mais competitivo, protegido por um
número cada vez mais restritivo de patentes e inundado por
matérias-primas e produtos asiáticos. Nesse contexto, combinar bom
preço e elevada qualidade, valorizando os produtos, é um desafio
constante, que exige investimento em inovação tecnológica.Uma das
inovações possíveis é o desenvolvimento de fórmulas com base em
pellets. No mercado farmacêutico nacional não se pode afirmar que a
administração de medicamentos na forma de pellets ou microgrânulos
seja uma novidade, pois há vários desses produtos comercializados.
Porém, grande parte do que existe é importado. Há, portanto, um enorme
espaço ainda não explorado para o desenvolvimento nacional de medicamentos administrados por
microgrânulos, especialmente quando se deseja uma liberação modificada. |
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Equipamento industrial usa o processo
Wurster para revestir grânulos |
As vantagens
dos microgrânulos em comparação aos comprimidos estão associadas ao
fato de eles serem um sistema múltiplo e de geometria quase esférica.
Com uma área específica maior para a difusão da droga, consegue-se
melhor liberação e absorção do medicamento. Com um sistema múltiplo,
obtém-se uma distribuição maior no trato gastrointestinal, aumentando
a biodisponibilidade e
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diminuindo as irritações locais. Outro ponto
que merece destaque é o fato de se garantir um determinado perfil de
liberação com base em um comportamento médio de várias unidades
administradas em uma mesma dose. Essa mesma confiabilidade nem sempre
é alcançada com os comprimidos.
O ajuste do perfil de liberação do fármaco presente nos grânulos é
geralmente conseguido com a utilização de polímeros especiais, que
podem ser incorporados à massa dos pellets ou numa camada externa de
recobrimento. Essa segunda opção, de recobrimento polimérico, é a mais
utilizada.
De forma simplificada, pode-se separar a tecnologia de “peletização”
em duas etapas: a primeira, de obtenção dos grânulos com o princípio
ativo, e a segunda, de recobrimento,
responsável por conferir o
perfil de liberação modificada à fórmula. Neste artigo será
apresentada uma discussão sobre essas duas fases, abordando tanto aspectos
do produto como do processo. |
Cuca Jorge

Amostras de fármacos na forma de microgrânulos |
Como são feitos os microgrânulos – São basicamente duas as
formas de se produzir microgrânulos com princípio ativo: por ganho de
camada ou por extrusão-esferonização.
O processo por ganho de camada parte de um microgrânulo inerte,
geralmente com base em sacarose e/ou amido e celulose. Por um processo de
recobrimento por atomização em leito fluidizado, o microgrânulo recebe uma
camada de princípio ativo. Por cima dessa camada, pode-se aplicar um
recobrimento protetor para separar o ativo da camada seguinte, responsável
por modificar a liberação. Esse processo está esquematizado na Figura 1.
Descrição mais detalhada sobre essas operações de recobrimento é
apresentada mais adiante neste artigo.

Veja na Figura 2 um microgrânulo cortado ao meio, no qual se percebe
com clareza a camada externa que contém o princípio ativo.
A presença do ativo na camada externa do núcleo pode representar uma
velocidade maior de dissolução, pois não depende do processo de difusão do
ativo através do grânulo. Por meio dessa técnica, porém, obter
uniformidade no teor de ativo incorporado é um desafio. Por isso, o
processo de extrusão-esferonização, descrito em seguida, vem sendo cada
vez mais utilizado.
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Extrusão-esferonização – O processo por extrusão-esferonização
parte de uma mistura mais complexa que já contém o fármaco incorporado
à fórmula. A massa granulada por via úmida em granulador convencional
ou high-shear passa por um extrusor (ver Figura 3), de onde são
obtidos finos cordões, depois esferonizados num disco rotativo
corrugado. Após essa etapa, o material é seco e classificado.
Pelo fato de o ativo estar incorporado e distribuído na massa do
grânulo, deve-se estar atento a eventuais problemas de
incompatibilidade entre os excipientes escolhidos e o ativo da
fórmula. Além disso, como a liberação do ativo depende de um processo
de difusão, as propriedades físicas do núcleo — como geometria,
densidade, porosidade e esfericidade — interferem significativamente
no processo e devem ser conhecidas e controladas (SANTOS, 2006; MEHTA,
1989).
A celulose microcristalina (MCC) é o excipiente mais comumente
empregado na produção de pellets por extrusão e esferonização. No
entanto, é um material que não se desintegra com facilidade, o que
dificulta a dissolução do princípio ativo, controlada por um processo
de difusão. Quando se deseja uma dissolução |
Figura 3 |
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Divulgação/Saymon Moffa

Massa sendo produzida por extrusão em equipamento de
laboratório |
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mais rápida, procura-se combinar a MCC com outros diluentes, como
amido e lactose. Ligantes, tensoativos e antiaderentes são também
empregados na formulação dos pellets. A fórmula deve ser adequadamente
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balanceada de modo que a massa seja apropriada para a extrusão e
subseqüente esferonização e forneça pellets com boas características
de friabilidade e dureza (HARRIS & GHEBRE-SELLASSIE, 1994; EERIKÄINEN
& LINDQVIST, 1991). Além da formulação propriamente dita, as
características do processo também são importantes para determinar as
propriedades dos pellets. Importante citar o estudo de SANTOS et al.
(2004), que apresenta uma revisão das principais variáveis
tecnológicas relacionadas com a fabricação de pellets. Outra
contribuição nesse sentido, mais voltada à operação de esferonização,
é dada por BAERT et al. (1993).
O processo por extrusão-esferonização é mais reprodutível e com maior
produtividade que o por ganho de camada. Consegue-se controlar melhor
o tamanho dos pellets e o teor de ativo. O ganho de camada, por sua
vez, não necessita dos equipamentos de extrusão e esferonização, já
que o processo é todo realizado em leito fluido, o que pode
representar uma significativa redução de investimento, uma vez que o
mesmo leito usado para revestimento polimérico dos pellets pode ser
empregado para a incorporação da camada de ativo.
Recobrimentos – Os sistemas múltiplos ficam ainda mais
interessantes quando recebem uma camada de revestimento polimérico.
Nas formas farmacêuticas, a funcionalidade do recobrimento está
geralmente
relacionada com a introdução |
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de uma barreira ao transporte de massa,
visando, portanto, a uma liberação modificada do composto ativo do
medicamento. A operação pode, ainda, ter o objetivo de mascarar sabor,
melhorar a aparência do medicamento ou protegê-lo de agentes físicos,
químicos ou microbiológicos.
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SAKS & GARDNER (1997), em seu trabalho sobre o valor fármaco-econômico
de drogas de liberação modificada, destacaram o grande potencial
desses medicamentos, tendo em vista que eles podem ampliar a eficácia
e diminuir os custos de tratamento. A redução de efeitos colaterais e
a simplificação do regime de administração da droga são outras
vantagens dignas de nota, também citadas no trabalho de KRÄMER & BLUME
(1994).
Os componentes principais de uma suspensão de recobrimento são: um
polímero, um plastificante e um solvente aquoso ou orgânico. O
polímero é o responsável pela barreira ou proteção do grânulo. O
plastificante tem a finalidade de dar flexibilidade e maciez à
película, promovendo também maior adesão. |
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Divulgação/Saymon Moffa

Microgrânulos revestidos |
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Além disso, o plastificante pode reduzir o tempo de processamento por
diminuir a temperatura de formação do revestimento. A presença do
plastificante também pode afetar a taxa de liberação do fármaco.
O solvente, por sua vez, deve ser selecionado tendo em vista o polímero
empregado. Além disso, aspectos do processo devem ser considerados, haja
vista que a substância escolhida deve facilitar a deposição dos materiais
em suspensão sobre a superfície da partícula.
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