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TINTAS |
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Espectrofotômetro Check, da Datacolor |
Fabricantes ignoram instrumentos para medição de cor
Texto de Domingos Zaparolli e
fotos de Cuca Jorge
Ferramenta
importante para o controle de qualidade e para a maior eficiência na
formulação de novas tintas, o espectrofotômetro, instrumento usado
para a medição da cor, ainda não conquistou seu devido espaço no
mercado brasileiro de tintas. Como relatam especialistas e
fornecedores desses equipamentos, muitos pequenos e médios fabricantes
de tintas e varejistas não se encontram adequadamente aparelhados.
Mesmo entre as empresas equipadas, os espectrofotômetros são
subutilizados ou até mesmo solenemente deixados de lado. E esse é um
fenômeno que afeta tanto empresas de pequeno porte como algumas das
maiores do setor. “Há uma ignorância muito grande nas empresas sobre
os benefícios dos espectrofotômetros, aliada a uma falta de
capacitação para o uso |
adequado do equipamento”, constata Pedro Gargalaca Filho, diretor da
Coralis, representante dos equipamentos norte-americanos X-Rite no Brasil.
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Segundo avalia Luiz Fatarelli, diretor da Colorz, representante da
também norte-americana Datacolor, a situação é reflexo do baixo
investimento das empresas brasileiras em tecnologia. O grau de uso dos
equipamentos, portanto, varia de acordo com a sofisticação do mercado
onde o fabricante de tintas está inserido. Para Sérgio Marigonda,
diretor da Mast, representante dos equipamentos BYK, dos EUA, entre os
fabricantes de tintas automotivas, a adequação tecnológica em medição
de cor “é quase uma regra, pois as montadoras são clientes exigentes,
que discutem pequenas variações na cor ou no efeito que ela possa vir
a ter”, afirma.
Entre os fabricantes de tintas imobiliárias, informa o executivo, a
instrumentação não é tão avançada. Mas Marigonda é otimista. “A
adequação vem crescendo gradativamente. Sentimos que o Programa
Setorial da Qualidade para Tintas Imobiliárias da Abrafati serve para
nortear tal adequação, criando uma conscientização dos fabricantes de
tintas que se estende até as revendas e em breve chegará ao consumidor
por meio de padrões de qualidade comuns a todos os fabricantes
participantes do programa. O selo do PSQ na embalagem atestará ao
consumidor que aquele produto passou por rigorosos testes, inclusive o
colorimétrico”, diz o executivo. |

Marigonda: montadoras adotaram espectrofotometria como regra |
Uma tendência é o uso de espectrofotômetros no varejo. Pedro Gargalaca,
da Coralis, relata que já supera a casa de 500 as lojas de tintas
equipadas com espectrofotômetros no Brasil. “As lojas de tintas
imobiliárias .
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que
oferecem cores personalizadas são as empresas que mais investem hoje
nesses equipamentos”, diz o executivo. “Elas ganham agilidade no
preparo da tinta, que pode ser realizada em minutos e com baixa
probabilidade de erro. E ganham na satisfação do cliente, que pode
levar na hora a tinta solicitada”, completa
Já para Antonio Francisco, diretor da T&M Instruments, representante
brasileiro da japonesa Konica Minolta, o uso dos espectrofotômetros no
Brasil está avançando na indústria de tintas, principalmente nas
aplicações voltadas para a verificação da qualidade da tinta, mas os
equipamentos ainda são pouco empregados para a atividade de
formulação. “Com isso, muitas empresas perdem a oportunidade de ganhar
produtividade no desenvolvimento de novos produtos”, diz o executivo.
Fatarelli, da Colorz, arrisca-se a dimensionar essa perda. “Um bom
colorista, usando apenas da comparação visual, consegue desenvolver 80
a 100 cores por mês. Com o apoio de um equipamento, o número mais que
dobra”, avalia o diretor. Os custos também são reduzidos. “Enquanto um
colorista normalmente |

Fatarelli: empresas brasileiras não investem em tecnologia |
necessita fazer vários ajustes até chegar à cor desejada, gerando
desperdícios, o espectrofotômetro trabalha com parâmetros que reduzem a
necessidade de ajustes na formulação”, diz Antonio Francisco.
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Na
opinião de Gargalaca, são vários os fatores que influenciam a
restrição do uso de equipamentos de medição de cor no Brasil. O
primeiro deles é o conservadorismo de coloristas experientes, que
muitas vezes não se esforçam para conhecer os benefícios dos
equipamentos de medição de cor. E, por outras vezes, se sentem
ameaçados por eles. De acordo com o executivo, as empresas também não
se preocupam em capacitar as pessoas adequadamente. A situação fica
ainda pior diante da alta rotatividade de funcionários nas empresas.
Um erro comum, gerado por essa falta de capacitação profissional, é o
colorista avaliar uma cor sob uma determinada fonte de luz e comparar
com o resultado do espectrofotômetro, que usou fonte de luz diferente,
ignorando o fato de a fonte de luz impactar na percepção da cor.
“Nessa situação, o colorista tende a valorizar sua análise visual e
desqualificar o equipamento, quando na verdade os parâmetros de
avaliação é que não foram equivalentes, gerando diferenças de
leitura”, diz o executivo.
Conforme aponta Gargalaca, um terceiro problema ainda gera uma
descrença equivocada do uso da tecnologia na medição de cor. “A compra
de equipamentos inadequados é muito comum entre os |

Gargalaca critica a falta de conhecimento do setor |
usuários brasileiros”, diz o executivo. Ele relata haver uma gama muito
grande de equipamentos de medição de cor disponíveis, cada um com seu uso
mais apropriado. A compra errada do espectrofotômetro pode gerar tanto
dúvidas sobre a sua eficácia quanto o questionamento da relação custo do
equipamento versus benefício da aplicação.
Para contornar esta série de problemas e difundir o uso correto dos
espectrofotômetros no país, a Coralis investiu na montagem de um centro de
treinamento em São Paulo, que está em operação desde setembro de 2007. Ali
já foram capacitadas 800 pessoas em cursos laboratoriais de dois dias.
Para 2009, o objetivo da Coralis é ampliar o treinamento para quatro dias,
sendo dois em laboratório e outros dois na empresa do aluno. “Detectamos
que, muitas vezes, os alunos aprendem a teoria no centro de treinamento,
mas possuem dificuldade de implementar o aprendizado na empresa. Vamos
colaborar com isso”, diz o executivo. A iniciativa é pioneira entre os
representantes X-Rite no mundo e, informa Gargalaca, agora a multinacional
está incentivando a Coralis a levar a solução para outros estados
brasileiros e para os demais países da América Latina. “No próximo ano
deveremos inaugurar centros de treinamento em Curitiba e Porto Alegre”,
afirma o executivo.
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