TINTAS

Inspeção visual não é precisa - Mas por que o uso de espectrofotômetros é tão importante? Quem responde é o consultor Marcos Quindici, da Rainbow Brasil, co-autor do capítulo “Colorimetria”, do livro Tintas & Vernizes – Ciência e Tecnologia, editado pela Abrafati. Para ele, a cor é subjetiva e as pessoas possuem dificuldade em descrever verbalmente uma cor. Além disso, a aparência da cor é afetada por vários fatores, como a condição de luminosidade, por exemplo. Para completar, o olho humano possui sensibilidades diferentes para as cores, ou seja, um grupo de dez pessoas pode perceber uma única cor de dez maneiras diferentes. “Diante de tanta subjetividade, a colorimetria é uma ferramenta para medir e expressar a cor por meio de referências numéricas, gerando parâmetros mais precisos de classificação da mesma”, diz o especialista.

A busca de maior precisão na manipulação da cor, relata Quindici, é fundamental para quem lida profissionalmente com a cor, como fabricantes de tintas, por exemplo. É dessa forma que eles podem ter uma maior garantia de reprodução exata do produto. “Imagine um consumidor que adquire uma lata de tinta para pintar sua casa. A quantidade não é suficiente. Ele volta a comprar um produto idêntico do mesmo fabricante e, após aplicada a tinta, percebe diferenças de tonalidade na parede de sua sala, entre a parte da parede pintada com a tinta antiga e a pintada com a nova. Qual é a opinião que este consumidor vai ter sobre o fabricante?”, exemplifica o consultor.

A exemplo do olho humano, informa Quindici, o espectrofotômetro também não permite uma leitura exata da cor. Portanto, é preciso definir critérios de aceitação e reprovação da cor analisada pelo instrumento. O espectrofotômetro, porém, é mais preciso e é capaz de detectar pequenas diferenças de cor, quase que imperceptíveis ao olho humano. Além disso, ele permite uma maior constância nas referências de avaliação ao usar sempre a mesma fonte de luz e o mesmo método de iluminação. O uso do instrumento, portanto, exige um manuseio adequado. Mas a grande vantagem é a expressão numérica da medição da cor. Na opinião do especialista, o espectrofotômetro não substitui o colorista. É, na verdade, uma ferramenta de apoio ao profissional. “A boa análise de resultados deve unir a comparação visual da cor com os dados gerados pelo instrumento”, diz o especialista.

Observação da cor - Como explica Quindici em Tintas & Vernizes – Ciência e Tecnologia, “a cor de um corpo não é uma propriedade específica dele, ela é uma sensação produzida no cérebro com base em um conjunto de fenômenos que se inter-relacionam. A cor de um corpo depende da radiação eletromagnética (luz) que o atinge e das propriedades do corpo de refletir, transmitir, absorver ou emitir essa radiação. A luz que emerge de um corpo, portanto, depende da luz que nele incide. A cor de um corpo pode ser modificada em função do tipo de luz que nele incide”.

A radiação eletromagnética visível ao olho humano vai de 380nm a 780nm. Cada comprimento de onda deste espectro é percebido pelo olho humano como uma cor determinada. A região de luz com os comprimentos de ondas mais curtos é vista como violeta. Na seqüência do espectro há o azul, o verde, o amarelo e o laranja, chegando às ondas mais longas, vistas como vermelho. As cores possuem três atributos: tonalidade, que é o comprimento de onda do espectro visível ao qual ela está associada; luminosidade (clara ou escura); e saturação, o grau de pureza ou mistura com outra cor.

O espectrofotômetro, como informa o material de divulgação da Konica Minolta, utiliza-se de um sensor espectral de alta precisão, composto de uma seqüência de múltiplos sensores, que recebe a luz vinda do objeto a ser analisado e transmite a informação a um microcomputador, que determina os valores de reflectância espectral, baseado nas informações recebidas do sensor. Os resultados são expressos em números ou em um gráfico espectral. Konica Minolta, X-Rite e Datacolor utilizam como padrão de iluminação em seus equipamentos as lâmpadas de xenônio. A BYK utiliza a tecnologia LED.

Entre os principais usuários dos espectrofotômetros estão as indústrias e lojas de tintas, gráficas, indústria de plásticos, têxteis, couro, papel e o setor automobilístico, das indústrias de autopeças às oficinas de reparo. Os fornecedores de espectrofotômetros oferecem uma gama variada de instrumentos, que incluem desde aparelhos portáteis a equipamentos de mesa com diversas especificações e diferentes resoluções de leitura. Aos equipamentos são acoplados softwares, os quais podem ser limitados ao controle de  qualidade ou completos, com banco de dados, formulação e correção da cor. Os preços FOB dos espectrofotômetros variam


Francisco: uso no controle de qualidade

de US$ 3 mil a US$ 30 mil. Já os softwares variam de US$ 1,5 mil a US$ 18 mil, dependendo da especificação. Mas para contar com essas tecnologias em suas empresas, os usuários brasileiros precisam incorporar ainda impostos, taxas aduaneiras e fretes. O resultado, relatam Antonio Francisco e Luiz Fatarelli, é um encarecimento superior a 50% do preço original. “Impostos de importação menores resultariam em uma indústria nacional mais bem equipada e competitiva”, lamenta Francisco. Uma inovação em curso está sendo introduzida pela X-Rite, que está oferecendo aos seus clientes um sistema de formulação de cor via web. Uma vantagem é que os formuladores de uma empresa, lotados em localidades diferentes, podem operar em conjunto. O ingresso ao sistema, que dá direito a oito acessos simultâneos, custa US$ 30 mil.

Colorímetros para precisões menores

Além dos espectrofotômetros, outro tipo de instrumento disponível para medir a cor é o colorímetro. Esses equipamentos são dotados de três tipos de detectores, um para cada um dos componentes primários da cor, azul, verde e vermelho, que captam proporcionalmente a quantidade de cada um deles na composição da cor e convertem essas sensações luminosas, por meio de um microcomputador, em valores de triestímulos ou em valores da escala colorimétrica L*a*b*, no qual três eixos – branco-preto (L*), vermelho-verde (a*) e amarelo-azul (b*) – indicam que a cor é percebida por meio de reações do olho a sensações de cores opostas.
 

Segundo o consultor Marcos Quindici, da Rainbow Brasil, os colorímetros apresentam uma precisão muito inferior aos espectrofotômetros, chegando a apresentar uma margem de erro em torno de 20% a 40%, apenas ligeiramente superior ao olho humano. “Não é um equipamento para quem necessita de precisão na medição de cor para interagir com fornecedores de insumos ou com clientes exigentes”, diz.

Apenas dois fornecedores disponibilizam esses equipamentos, a BYK e a Konica Minolta. “Os colorímetros são instrumentos indicados para empresas que não precisam fazer o controle de qualidade da cor, mas precisam monitorar a aparência de seus produtos. São muito utilizados


Quindici: margem de erro de 20% a 40%

na indústria de alimentos, por exemplo”, diz Antonio Francisco, diretor da T&M Instruments, representante no Brasil da Konica Minolta.

Opinião semelhante apresenta Sérgio Marigonda, diretor da Mast, a representante da BYK no Brasil, para quem os colorímetros possuem bom desempenho em aplicações específicas, nas medições em materiais transparentes ou translúcidos como resinas, gorduras, óleos vegetais e minerais, derivados de petróleo, água, efluentes, clorofila, ou na medição de materiais naturais como areia, pó e alimentos. Os preços FOB dos colorímetros estão entre US$ 1.000 e US$ 14 mil, informa o executivo.

 

 

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