| |
AMBIENTE - Feira enfatiza redução de
impactos
(fotos de Fernando C. de Castro)
Os
organizadores da terceira edição da Feira Internacional de Tecnologia para o
Meio Ambiente, a Fiema 2008, realizada na cidade gaúcha de Bento Gonçalves,
de 29 de outubro a 1º de novembro, contabilizaram seis mil visitantes, de 17
estados e sete países. O evento contou ainda com 210 expositores do Brasil,
Itália e França, além dos trabalhos e pesquisas de duas missões alemãs
ligadas ao Ministério da Ciência e Tecnologia daquele país.
Foi uma oportunidade interessante para conhecer algumas tecnologias
disponíveis para diminuir o impacto da produção industrial no meio ambiente,
por meio de sistemas inovadores, reciclagem, reúso de materiais e produção
mais limpa. Esse é o caso do Terraferm. Trata-se de um processo biológico
para a remediação de solos contaminados por compostos orgânicos, em
especial, hidrocarbonetos.
O serviço é oferecido pela empresa Sapotec, de Nova Santa Rita, no Rio
Grande do Sul, subsidiária no país do grupo Zech Umwelt, da Alemanha. O
Terraferm funciona por meio de microrganismos existentes no solo capazes de
degradar compostos gerados na cadeia produtiva do petróleo, sob condições
específicas.
O Terraferm foi lançado na Alemanha nos anos 80 e o seu desenvolvimento
contínuo permitiu também sua utilização para o tratamento de outros resíduos
orgânicos e minerais. O processo pode ser empregado associado ao sistema de
lavagem de solos, o Terralavar, ou com remediação térmica do solo,
Terratherm.
A técnica de remediação de solos pode ser empregada no local onde existe a
contaminação (on site) e em instalações apropriadas para o tratamento (off
site). Por meio dessa tecnologia, podem ser degradados, por processos
microbiológicos, hidrocarbonetos, tais como tolueno, xileno e benzeno e os
policrílicos. Da mesma forma, os fenóis, encontrados atualmente em dezenas
de solos degradados, principalmente em coquerias, usinas de gás ou locais
onde há processamento de carvão.
Para o tratamento biológico adequado de solos e de outros resíduos orgânicos
é essencial um monitoramento dos parâmetros que comprovem os processos de
transformação. Baseada na larga experiência do grupo alemão no tratamento de
solos contaminados e de resíduos, os parâmetros necessários para um
tratamento eficiente são devidamente identificados.
Com efeito, em conjunto com o Terraferm, a Sapotec realiza uma série de
análises químicas e biológicas preliminares como também uma avaliação do
material a ser tratado. São levados em conta os parâmetros específicos e
relevantes para o processo.
Outra tendência de remediação de impacto industrial foi apresentada pela
empresa Sílex, com unidades no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O diretor
da empresa, Uelbi Chedid, comentou que o equipamento desenvolvido pela
engenharia da firma é voltado à descontaminação de lâmpadas de mercúrio. O
processo é empregado há dois anos e meio. Os equipamentos consistem em dois
caminhões, os quais funcionam como unidade móvel de processamento de
lâmpadas.
A operação começa com a pré-avaliação dos tipos de lâmpadas acima de um
volume mínimo armazenado no local. A máquina separa vidro, mercúrio e o pó
fosforescente. A média tratada é de 80 mil lâmpadas por mês em um reator
instalado na unidade móvel. Primeiramente o mercúrio é absorvido em uma
matriz de carbono e depois passa por destilação. Posteriormente é vendido
para a indústria de termômetro.
Cada 30 mil lâmpadas contêm três quilos de mercúrio. O pó fosforescente e o
vidro são volumes expressivos. O vidro é moído e purificado. Serve como
aditivo na indústria de cerâmica de refratários e a Sílex vem conquistando
clientes desde Porto Alegre até Manaus, para onde seus caminhões-reatores
viajam com a finalidade de promover a separação dos compostos das lâmpadas.
A reciclagem dos subprodutos é realizada em Santa Catarina, onde os
materiais são vendidos.
A Sílex começa a testar agora em conjunto com a indústria petrolífera
nacional o equipamento denominado extrator molecular de hidrocarbonetos.
Trata-se de um reator capaz de recuperar o petróleo do lodo gerado nas
refinarias para retorná-lo ao processo de refino. Segundo Chedid, 60% do
óleo contido na borra pode ser transformado em derivados de petróleo.
Atualmente, estima-se que 1% do óleo processado na indústria é perdido no
lodo.
Da mesma forma, a preocupação com o tratamento adequado instiga os
fabricantes de equipamentos de limpeza de efluentes a apostar na inovação. A
Bombas Beto, de Novo Hamburgo, apresentou um conjunto completo de sistemas
formado por decantador estático, peneira estática hidrodinâmica, peneira
autolimpante, desaguadora de lodos. O lançamento da empresa ficou por conta
do sistema de aeração por ar difuso, o qual promove a oxigenação do efluente
mesmo em condições altamente adversas.
|

|
|
Tito Tauchert lançou um aerador para condições
adversas |
Conforme o engenheiro de projetos da Bombas Beto, Tito Tauchert, a Fiema é
uma feira especificamente direcionada ao setor do meio ambiente, onde sua
empresa atua no atendimento de laticínios, frigoríficos, indústria química,
farmacêutica e companhias de saneamento, com uma grande linha de produtos
compreendida por mais de 200 modelos de bombas e 60 de outros equipamentos
complementares.
Para Eduardo Castro, da Andritz, empresa que desenvolve tecnologia de
desaguamento de lodos, a grande preocupação da indústria é garantir a
separação de sólidos e líquidos de maneira adequada de tal forma que atendam
às legislações ambientais e de saneamento existentes. Nesse aspecto, ele
destacou a linha completa da empresa, que inclui filtros, prensas
centrífugas e secadores contínuos.
 |
A novidade da Andritz na Fiema 2008, contudo, era o decantador Contipress. O
aparelho funciona em baixa rotação e por conta dessa novidade reduz o
consumo de energia. “Realizamos bons contatos. A empresa é sólida e se
interessa em participar de feiras como recurso de prospecção de negócios”,
afirmou Castro.
Já a Albrecht, especializada em equipamentos de secagem de lodos
fluidizados, garante ter encontrado a fórmula ideal para eliminar de vez os
coliformes provenientes do esgoto doméstico e industrial. Trata-se da
tecnologia batizada de Bruthus, um secador térmico de lodos sanitários e
industriais. O Bruthus é oferecido ao mercado no modelo LF secador de leito
fluidizado. O Bruthus C engloba secador térmico de cavacos de usinagem e
evaporador de efluentes com filtro rotativo autolimpante. |
| Castro: baixa rotação diminui gasto de energia em
decanter |
A proposta é reduzir volumes e aumentar ao máximo a higienização da água que
retorna para o consumo. De acordo com os engenheiros da Albrecht, o nível de
esterilização proporcionado pelo Bruthus permite empregar o resíduo sólido
das estações de tratamento em adubo orgânico.
Conforme o fabricante, o Bruthus elimina 100% dos coliformes fecais do lodo
de estação de tratamento de esgoto cloacal por queima dos ovos a 200ºC em um
tambor rotativo. Um dos equipamentos está em testes na Sabesp. Ocorrerão
testes em Mogi das Cruzes e São José dos Campos. A idéia é atender ainda a
indústria têxtil, frigoríficos e metal-mecânica.
Rastreamento químico – Para o engenheiro José Carlos Bignetti, da
Laborquímica, um dos principais laboratórios de análises químicas, com foco
na indústria do sul do país, só é possível gerenciar aquilo que conhecemos.
Não existe gerenciamento de resíduos sem análise química.
Na opinião de Bignetti, desde o começo da implantação das estações de
tratamento dos anos 70 muita coisa mudou. Há maior preocupação com os
contaminantes das áreas degradadas no passado, antes da regulamentação das
legislações ambientais. Mas a mentalidade da análise por obrigação ainda
persiste. Com a ISO 17025, certificação obtida pela Laborquímica, surgiram
especificações mais rígidas para os laboratórios. Um dos requisitos
considerados imprescindíveis é a rastreabilidade. |
 |
| Bignetti: não há como remediar sem análises químicas
precisas |
Como explicou o engenheiro, toda amostra precisa ser comparada a uma
referência técnica de confiabilidade incontestável. Se o químico precisa
apontar o pH de uma água, a recomendação é empregar a tabela no NIST,
Institute National of Standardization, dos Estados Unidos. No caso da
Laborquímica, se a empresa for chamada para levantar dados de um
empreendimento a partir de cinco anos passados, os técnicos visitam o local
e montam um relatório sobre quando a análise foi realizada, por quem, e com
quais equipamentos.
A partir daí é possível formar uma amostragem de todas as soluções e
concentrações e encontrar eventuais defeitos e incongruências analíticas. “É
uma obrigatoriedade anotar todas essas informações. Tudo é possível buscar.
Até a calibração de um termômetro. Cada empresa recebe uma licença de
operação específica e de acordo com a sua atividade”, alertou Bignetti. Como
dejetos mais impactantes ele cita os DQOs e DBOs. Nitrogênio, óleos, graxas,
coliformes, metais pesados entre os quais se destacam o cromo, o chumbo, o
níquel, arsênio e o selênio. “Esses são os vilões do controle ambiental”,
concluiu Bignetti.
Fernando C. de Castro
|
Negócios chegam a R$ 5 milhões |
A Fiema 2008 proporcionou aproximadamente R$ 5 milhões em negócios por meio
dos contatos nos estandes e das 202 reuniões realizadas ao longo dos dois
dias de rodadas de negócios organizadas pela direção da feira e pelo Sebrae.
Na opinião do presidente da Fiema, Marcio Chiaramonte, os objetivos traçados
pela campanha institucional “Sempre existem dois caminhos. Escolha o seu”
foram plenamente alcançados.
O presidente da feira salientou o fato de que o público da Fiema era formado
por grupos com interesses em venda ou compra de tecnologia em controle
ambiental. “Quem tinha tecnologia a oferecer e os que a procuravam tiveram a
oportunidade de se encontrar. Essa foi uma das grandes alavancas do sucesso
da feira”, assinalou Chiaramonte.
Ele destacou o “1º Congresso Internacional de Tecnologias para o Meio
Ambiente”, voltado para estudantes, técnicos, especialistas e formadores de
opinião, que reuniu também um grande (750 pessoas) e focado público. Nos
três dias de palestras, seminários e apresentações de cases foram discutidas
importantes idéias centradas nos temas: mudanças climáticas, resíduos versus
matrizes energéticas e água.
Já a “Jornada Técnica Ambiental” voltada à gestão municipal dos assuntos
ambientais contou com a presença de 180 representantes de prefeituras
gaúchas, catarinenses e paranaenses. Foram tratadas e encaminhadas
importantes decisões em áreas como licenciamento e legislação ambiental.
“Suprimos de informações os grandes e os pequenos”, disse Chiaramonte.
Para os organizadores da Fiema 2008, a atenção voltada para o despertar da
importância da ecologia também merece destaque. O evento paralelo Viva a
Natureza, voltado à educação ambiental de crianças de quatro a 12 anos,
envolveu aproximadamente 15 mil estudantes de escolas da região.
|
|
|