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POLLUTEC

Feira de Lyon, na França, aposta na
tecnologia para preservar o ambiente
Texto e fotos de Marcelo Furtado
Mais uma vez boa parte da indústria da tecnologia ambiental se reuniu
na bela e histórica Lyon, principal cidade da região do Vale do Reno,
na França, para celebrar com muito vinho “nacional” a 23ª edição da Pollutec, feira internacional de equipamentos, tecnologia e serviços
para o meio ambiente, que dessa vez se realizou de 2 a 5 de dezembro
nos gigantescos pavilhões do Eurexpo. Nem o frio, que em alguns dias
ficou abaixo de zero, e nem a crise financeira internacional, que da
mesma maneira anda congelando negócios mundo afora, pareceram
atrapalhar o desempenho do evento. Pelo menos na opinião dos
organizadores e de vários expositores, que se mostravam satisfeitos
com os 73 mil visitantes (11% estrangeiros) e com divulgados
“recordes” da exposição.
Mas uma observação atenta aos números da Pollutec 2008 contesta um
pouco esse otimismo, levando a crer que de alguma maneira o evento
pode ter sido afetado pela situação econômica ou, em uma segunda
hipótese, pelo fato de a organização não ter conseguido continuar seu
plano de internacionalizar mais a feira, ainda um pouco francesa
demais. Embora os organizadores tenham divulgado que a feira contou
com aumento de 6,4% no número de expositores em relação a 2006,
passando de 2.197 empresas para 2.340 da atual, informações também
oficiais desmentiam o aparente “sucesso”. Na verdade, em 2006,
conforme não só relatado no site da própria Pollutec (www.pollutec.com/dls/communiques/Dec06FinalPressRelease.doc),
como na reportagem de cobertura de Química e Derivados publicada em
dezembro daquele ano, o número final divulgado era de 2.547
expositores. Talvez motivada pelo presidente francês Nicolas Sarkozy,
que insiste em dizer que a crise econômica não atingiu a França, a
organização preferiu manter o nacionalismo e deixar a matemática de
lado.
A diminuição não divulgada da feira, porém, não reduziu a importância
das novidades tradicionalmente apresentadas, no caso da versão de
2008, por parte dos 1.665 expositores franceses e 675 estrangeiros.
Aliás, com uma área de exibição maior (108 mil m2 contra 91 mil m2 de
2006) e menos empresas, foi até mais fácil “flanar” pelos corredores
bem aquecidos do Eurexpo atrás de tecnologias interessantes para
combater a poluição do ar, da terra e da água ou então para conhecer
novas saídas para reaproveitamento de resíduos, geração de energia ou
de uso inteligente da água. De maneira bem representativa, todos os
setores contavam com exemplos de inovações promissoras. Levantamento
da organização estimou a apresentação de 150 lançamentos durante a
Pollutec 2008.
L´eau – Como sempre, o setor de tratamento de água e efluentes era o
mais representativo, ocupando 42 mil m2 da área de exibição e dividido
em três tópicos principais: tubulação e conexões; bombas; e tratamento
e operação. Cooperava com a importância do tema na Pollutec 2008 o
reconhecido know-how francês na área, nação com empresas seculares e
atuantes internacionalmente. Não por menos, novidades interessantes
faziam parte do estande de uma dessas empresas, a Degrémont, que aliás
tem atuação importante no mercado brasileiro, onde está desde o final
da década de 50, quando veio para participar da construção de
Brasília.
O grande destaque da Degrémont, braço de engenharia de sistemas e
equipamentos do grupo Suez, foi a nova linha de geradores de ozônio da
divisão especializada Ozonia, que segundo a empresa promete ser o
estado-da-arte dessa tecnologia de desinfecção-oxidação de água cada
vez mais empregada mundialmente. De acordo com Julien Puech, do
departamento técnico da Degrémont, a união de duas tecnologias
proporcionou aos novos ozonizadores uma redução significativa do
consumo de energia, o que pode difundir mais o seu uso, ao mesmo tempo
em que gera O3 de alta concentração. Trata-se de sistema voltado para
aplicações de alta vazão, de no mínimo 250 kg/h, ideais para uso na
indústria, no branqueamento de celulose ou no tratamento de efluentes.
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| Puech: UV (acima) para vazões
maiores e novos geradores de ozônio |
Entre as tecnologias que possibilitaram o upgrade da linha está, em
primeiro lugar, um novo sistema de elementos dielétricos denominado
IGS (intelligent gap system). Esses elementos, que ficam nos eletrodos
responsáveis pela transformação da energia elétrica em química,
passaram a ter uma nova segmentação e descarga variável modificada
para distribuir melhor a energia e economizar o seu consumo. “Além
disso, em vez de serem feitos do tradicional borossilicato, os
elementos agora são de uma cerâmica especial que dá mais robustez e se
adapta melhor à geração do ozônio”, explicou Puech. Também conta como
melhoria do sistema a substituição de uso da alimentação por ar pela
de oxigênio.
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