A indústria química brasileira, em sentido amplo, apresentou faturamento líquido de US$ 123 bilhões em 2008, segundo estimativas da Abiquim. Em sentido estrito, os chamados produtos químicos de uso industrial representaram US$ 61,6 bilhões, um acréscimo de 11,8% em relação ao desempenho de 2007. Em reais, o aumento foi de 3,3%, chegando a R$ 110,9 bilhões de faturamento líquido. A diferença de desempenho é explicada pela variação cambial do período.
A balança comercial do setor químico nacional manteve a tendência deficitária, com importações US$ 19,8 bilhões superiores às exportações. “Os importados respondem por 28% do consumo aparente nacional de produtos acompanhados pela entidade”, informou De Marchi. “A indústria química brasileira exporta muito, foram US$ 10,4 bilhões em 2008, 6% de toda a exportação nacional”, afirmou Carlos Mariani Bittencourt, presidente do conselho diretivo da Abiquim. “Porém representamos 20% de todas as importações nacionais.” Ele lamentou que, apesar de todos os esforços do setor, os investimentos recentes e em curso não serão suficientes para acompanhar o crescimento da demanda nacional, exigindo manter esse déficit. Apesar disso, ele considerou 2008 como um bom ano para o setor, cujo faturamento líquido permitirá subir alguns postos no ranking mundial. Em 2007, o Brasil ficou em nono lugar, muito perto da Itália. Em análise sucinta, Mariani citou o setor farmacêutico, que representa 14% do faturamento da indústria química nacional (em sentido amplo). “As importações farmacêuticas apresentaram preço médio de US$ 137 mil por tonelada, enquanto as suas exportações foram feitas na média de US$ 31 mil por tonelada”, calculou, para concluir pela necessidade de investimentos para melhorar o conteúdo tecnológico da produção nacional.
Petrobras responde – Na qualidade de fornecedor de petróleo e insumos petroquímicos, mas também como acionista dos dois conglomerados petroquímicos nacionais – Braskem e Quattor –, a Petrobras reafirmou sua intenção de proteger o mercado interno, mantendo-o abastecido a preços competitivos. “Decorrem da crise o aumento do custo de capital, a queda de liquidez e da demanda por produtos exportados pelo Brasil”, afirmou José Sérgio Gabrielli, presidente da estatal. A falta de apetite mundial pelos produtos brasileiros precisa ser compensada pelo fortalecimento do mercado interno. O cenário de crise altera os projetos e planos de investimento de todas as companhias mundiais de petróleo e petroquímica, segundo o executivo. “É natural que a produção se concentre onde a matéria-prima seja mais barata, no caso do petróleo, no Oriente Médio, com predomínio do gás natural como fonte petroquímica”, considerou. A China deve absorver parte dos acréscimos da produção de etileno e de resinas plásticas, apostando na capacidade de absorção de produtos pela sua demanda interna. No caso brasileiro, os indicadores apontam que a atividade econômica ia muito bem até outubro, quando declinou, embora a variação cambial abrupta tenha oferecido proteção contra importados. “Para nós, é importante que Braskem e Quattor mantenham seus planos de crescimento para aproveitar as variações cíclicas, estando com fábricas prontas quando houver a recuperação da demanda”, afirmou. Como acionista, a Petrobras pretende incentivar projetos petroquímicos no país. Na sua avaliação, o mercado mundial de etileno deve ficar ofertado a partir de 2009, provocando a queda do índice de ocupação das centrais, incluindo as brasileiras. A recuperação desses índices ao patamar de 2007 só acontecerá por volta de 2012. Com isso, a tendência de preço da nafta é declinante, e deve ser sentida brevemente no mercado local.
No seu core business, a Petrobras apresenta uma situação tranquila. É a única grande petroleira cujo principal mercado é o interno. Também se destaca por poder ampliar a produção sem precisar de novas descobertas. “Podemos aumentar a produção em 7,7% ao ano até 2015 sem mexer no pré-sal, com total segurança”, explicou. A produção nacional é de 2,3 bilhões de boe/dia, com potencial para chegar a 4,1 boe até 2015. O pré-sal é a região mais promissora do Brasil, porém exigirá grandes investimentos no desenvolvimento de tecnologia para permitir sua extração e transporte. Gabrielli comentou que a Petrobras é líder mundial em exploração em águas profundas, usando plataformas flutuantes tipo FPSO, escoando o óleo por navio e o gás, por dutos. Cada FPSO custa perto de US$ 7 bilhões. “Para explorar o pré-sal, precisaríamos de umas cinquenta dessas plataformas, fica caro demais, por isso, precisamos criar uma nova forma de exploração”, explicou. Além disso, os poços do pré-sal na Bacia de Santos ficam a 350 km da costa, mais que o dobro da distância dos poços da Bacia de Campos. A perfuração da grossa camada de sal também exige usar materiais mais resistentes, tanto pelo cisalhamento quanto pela presença de gás carbônico.
Em tempos de petróleo barato, a companhia deve aumentar seus investimentos em áreas menos custosas, evitando transferir os pesados custos para os bolsos de seus consumidores. A estatal impõe alto percentual de conteúdo nacional (65%) em seus investimentos, gerando a esperança de que a fabricação local de equipamentos específicos venha a crescer significativamente, impulsionando o crescimento de todas as atividades econômicas. |
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