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Unidade de dessalinização na Austrália usa
membrana de 18”: custo mais baixo
Foto: Divulgação
Tecnologias reduzem custo operacional e ajudam clientes em
época de crise
Marcelo Furtado
O principal receio dos fornecedores de tecnologias para desmineralização
de água com a recessão da economia é a diminuição do ritmo de modernização
em curso nesse segmento nos últimos anos. Felizmente, na opinião da grande
maioria das empresas, o risco seria apenas na velocidade da mudança, visto
que a introdução de novas técnicas para aperfeiçoar o acondicionamento de
água para geração de vapor industrial tornou-se fato considerado
irreversível em vários setores importantes. Nem mesmo a crise teria
condições de fazer os clientes retrocederem, ou seja, voltarem aos velhos
sistemas da chamada “desmi”. Isso muito em virtude de conquistas que
englobam também ganhos no custo operacional, importantes em épocas
recessivas.
A mudança tecnológica, aliás, já se encontra no início de um segundo estágio
de evolução, superando uma primeira etapa em que a indústria procurou
substituir as colunas com resinas de troca iônica por unidades de osmose
reversa. A atual onda é melhorar a eficiência dos skids, já amplamente
empregados no Brasil, por meio de sofisticações nas membranas e
principalmente pela conjugação na linha de sistemas de pré-tratamento mais
eficientes, com ultrafiltração, resinas de troca iônica especiais ou com o
uso complementar de equipamentos para controle microbiológico, como a
radiação ultravioleta. Também faz parte dessa evolução, em uma fase ainda
incipiente, mas já com casos de aplicação, o polimento final com sistemas de
eletrodeionização, em substituição a colunas mistas de resinas de troca
iônica.
Há de se lamentar, porém, o fato de a crise econômica ter atingido as
empresas bem no meio da curva ascendente desse processo de modernização.
Isso porque 2008 vinha sendo considerado um dos melhores anos para o
segmento, justamente aquele em que setores mais renitentes a novas
tecnologias, como o sucroalcooleiro, começavam a ceder aos apelos
técnico-comerciais dos fornecedores. Depois de alguns anos de tentativas,
cerca de 90% das usinas de açúcar e álcool já haviam migrado da troca iônica
para a osmose reversa e começavam também a ser convencidas a experimentar a
ultrafiltração e a eletrodeionização. Com a crise, e a consequente suspensão
de pelo menos vinte novas usinas que seriam construídas no Brasil a partir
de 2009, o movimento foi atrapalhado.
| Baque geral – Empresas empenhadas
nesses novos clientes sentiram a mudança brusca de humor dos clientes. A
GE Water Technologies, por exemplo, chegou a erguer em 2008 uma fábrica
em Sorocaba-SP para montar as unidades de osmose reversa com capacidade
de produção de água desmineralizada de 20 a 150 m3/h. Segundo o
responsável por desenvolvimento de mercado da GE, Rolando Piaia Junior,
o investimento nasceu principalmente para atender o chamado middle
market, com destaque o sucroalcooleiro. Com a produção local, o custo
caiu o suficiente para fazer a GE vender mais de 50 skids e assim
suportar a demanda crescente. Mas a animação do primeiro ano
pós-investimento foi abalada com a crise. “Foi um baque geral,
principalmente porque a GE Water era a que mais crescia no grupo no
mundo e também no Brasil”, disse Piaia. |
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| Piaia: crise abalou o desempenho dos novos
investimentos da GE |
Nessa avalanche de negócios, a empresa conseguia até mesmo vender suas
outras variadas tecnologias, que englobavam também as membranas de
ultrafiltração ZeeWeed utilizadas no pré-tratamento de osmose reversa. Além
de unidades na Petrobras há mais tempo instaladas, a GE forneceu para duas
usinas de açúcar e álcool, também para remover sólidos suspensos e coloidais
prejudiciais às membranas de osmose reversa: na Usina Alto Alegre, em Santo
Inácio-PR, e para a Usina Vista Alegre, de Itapetininga-SP. Outras
instalações, caso a crise não tivesse colocado em suspensão todos os novos
investimentos da área, deveriam surgir em breve.
O caso da indústria sucroalcooleira é bastante emblemático e não só por se
tratar de um dos mercados mais afetados com a recessão econômica, tendo em
vista que os preços das commodities despencaram mundialmente. Mas também
porque era ele o que melhor representava essa revolução tecnológica em curso
na produção de água desmineralizada. Considerado até então um setor com
mentalidade empresarial um pouco arcaica, o etanol na pauta do dia
modernizou muitas usinas, trouxe grupos internacionais para o país e tornou
mais fácil a venda de novos equipamentos para preparar a água de alimentação
de sistemas de co-geração de energia elétrica com o bagaço da cana.
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