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ATUALIDADES
DISTRIBUIÇÃO
Ipiranga Química vira quantiQ
Fazer de um limão uma limonada. Essa expressão
popular resume o esforço de converter a imagem da tradicional Ipiranga
Química, a maior distribuidora de produtos químicos do país, na moderna
quantiQ (sic). A marca antiga, consolidada depois de dezoito anos de
atividades, tinha de ser abandonada por força do contrato de divisão dos
ativos do extinto grupo Ipiranga entre os seus adquirentes: Petrobras, Ultra
e Braskem, sendo esta a proprietária atual da companhia.
| “A mudança era obrigatória, mas resolvemos
fazer disso uma razão para aumentar a motivação e o comprometimento de
todo o público interno, além de ganhar visibilidade nos mercados”,
explicou o diretor-presidente Fernando Rafael Abrantes. O processo de
reformulação de toda a identidade visual da distribuidora consumiu três
árduos meses de trabalho, restrito a um comitê de alto nível, além de
mobilizar recursos adicionais da ordem de R$ 1,5 milhão. |
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| Abrantes: nova composição acionária forçou mudança |
O valor total do projeto seria maior, não fossem aproveitadas
algumas despesas do orçamento habitual da companhia, como os investimentos
em publicidade e os gastos da reunião anual de todos os seus colaboradores.
Essa reunião, marcada para os dias 7 e 8 de fevereiro, marcou a mudança
radical do nome e da marca da companhia. “Vimos que o processo não podia ser
feito parcial e gradualmente, mas de forma radical”, comentou. Todos os
impressos (cartões de visita, folhetos, catálogos e notas fiscais), placas
de sinalização, a pintura dos caminhões e dos tanques de armazenamento, até
os uniformes e as camisetas promocionais foram substituídos em apenas um fim
de semana.
A nova marca, desenvolvida pela GAD Branding, foi criada para manter uma
lembrança sutil da denominação anterior (no caso, o IQ), sendo fácil de
pronunciar em qualquer idioma e capaz de salientar aspectos como paixão pela
atividade e modernidade. Daí a cor magenta do fundo, sobre o qual aparece a
palavra quantiQ, que remete ao quantum latino, com o Q maiúsculo no final,
evocando a Química.
Abrantes entende que a transferência da sede, realizada há um ano – o prédio
onde ficava passou ao grupo Ultra, dono da marca Ipiranga –, contribuiu para
a aceitação do processo de mudança. Na época, a razão social foi alterada
para IQ Soluções Químicas. O novo controlador da distribuidora, a Braskem,
confere alguma autonomia operacional, porém exige o cumprimento de metas
definidas em conjunto. “Nossa meta para 2009 é ampliar em 19% o
faturamento”, informou.
Resultados – Em 2008, a distribuidora registrou o melhor resultado de
sua história. Dados preliminares – o balanço ainda não foi fechado – indicam
o crescimento de 20% na receita líquida, estimada em R$ 619,7 milhões, para
uma receita bruta de R$ 803 milhões. A geração de caixa medida em Ebitda
alcançou R$ 44,3 milhões.
Os números eclipsam os efeitos da crise mundial que eclodiu em setembro,
contaminando os negócios realizados de outubro em diante. A variação cambial
de quase 30% em apenas trinta dias causou alvoroço nos mercados. “O problema
para nós ficou restrito aos produtos que tinham sido entregues, que
aguardavam cobrança, isso consumiu parte do caixa acumulado durante o ano”,
explicou. “Menos mal que ainda tivemos alguma sobra no final do ano.” Os
produtos em fase de importação e os estoques receberam novos preços.
Em 2009, a situação ainda pode ser considerada crítica. Abrantes considera
que fevereiro será o “fundo do poço”, porque janeiro registrou algum
movimento de compra após o esgotamento dos estoques dos clientes.
“Começaremos a ter uma ideia de como será o ano depois do carnaval”,
considerou. Apesar de os preços internacionais dos produtos químicos e
resinas termoplásticas, itens responsáveis por 80% do faturamento da quantiQ,
permanecerem em patamares baixos, a retração global da demanda é marcante.
O presidente considera que a diversificação em 52 setores atendidos pela
distribuidora ajuda a superar as dificuldades com a crise. “Nossa divisão de
life sciences praticamente não foi abalada pela crise, e os preços globais
foram mantidos”, disse. Ele salientou que essa divisão possui uma dinâmica
de negócios totalmente diferente das demais, compreendendo produtos mais
sofisticados, usados por segmentos como cosméticos e farmacêuticos, cuja
demanda se mantém. “Alguém pode deixar de trocar de carro, mas não vai parar
de comprar um xampu ou um medicamento”, explicou. O portfólio da quantiQ
lista produtos de 123 fabricantes diferentes, situados em vários países.
Em uma visão geral, Abrantes considera que “em 2009, a competência deverá
superar a conjuntura”. Isso implica manter um controle apurado do caixa,
evitando negócios temerários e vendas a preço vil. O objetivo é somar o
aumento da efetividade de vendas com a captura de economias nos processos. A
distribuidora pretende aplicar ferramentas dos softwares de gestão (ERP e
CRM) para reforçar as ações de inteligência de mercado. Isso permite avaliar
melhor as oportunidades de negócios, alocando mais recursos para operações
mais rentáveis. Nesse ambiente, os projetos de duplicação da capacidade de
tancagem e armazenagem dos centros de distribuição de Guarulhos-SP e Duque
de Caxias-RJ ficam suspensos.
Da mesma forma, ele entende que os movimentos de aquisição e fusão de
distribuidoras químicas deve sossegar. Os valores das negociações mais
recentes, calculados em múltiplos generosos de Ebitda, não devem mais ser
vistos. “Apesar disso, investidores arrojados podem encontrar boas
oportunidades de negócio no setor, com preços muito baixos”, disse. A
quantiQ não tem planos, por hora, de comprar ninguém. Nem de ser vendida,
afirmou. Mas sempre se pode fazer uma limonada.
Marcelo Fairbanks
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