MBR e O2 – A ligação da White Martins com gases não teria como não ser transportada para seus negócios na área ambiental. Aliás, o seu início na área, quando ainda não contava com empresa específica, foi no meio da década de 80 com a venda de oxigênio para melhoria de tratamento biológico, de gás carbônico para neutralização, ozônio (O3) para desinfecção e nitrogênio para flotação. Com a compra da empresa Neotex em 2000, a estratégia passou a ser completa, de projeto, construção e operação de estações, mesmo que ainda agregada muitas vezes à venda de gases. Esse know-how levou a empresa a conjugar tecnologias para ofertar sistemas de reúso de água. Um exemplo foi iniciar a dosagem de oxigênio em sistemas de biorreatores a membranas (MBR), que
BOT verticalizado – Além dos aspectos mais imediatos ligados à crise econômica, a longo prazo a confiança no mercado de BOT também é comprovada pela ação de alguns grupos empresariais, que se estruturam para ofertar o máximo possível de serviços de terceirização, deixando o cliente atendido em todas as suas necessidades ambientais. O melhor caso para ilustrar essa tendência ocorre com a Haztec, empresa sediada no Rio de Janeiro que, a partir de 2007, quando recebeu investimentos dos fundos FIP Multisetorial, do Bradesco BBI, e Infra-Brasil, do Banco Real, adquiriu seis empresas de serviços e produtos ambientais. Criada há dez anos para atuar em remediação ambiental, com o aporte de capital – que elevou seu faturamento de R$ 40 milhões em 2006 para cerca de R$ 420 milhões previstos para 2009 – a Haztec passou a contar com forte massa crítica e carteira de clientes para atuar na terceirização do tratamento de água e efluentes. E isso com a vantagem competitiva de incluir no escopo áreas complementares importantes para a operação, como a destinação de resíduos (aterros, incineração e coprocessamento) e a fabricação de sistemas e equipamentos. De forma direta, para melhorar sua participação no
segmento de BOTs, a Haztec adquiriu no final de 2007 a empresa mais
importante da atividade, a Geoplan, com uma carteira de mais de 50
clientes, em contratos de longo prazo que incluem o abastecimento de água
industrial e pública, tratamento de efluentes e alguns casos interessantes
de reúso de água, como na unidade da Braskem em São Paulo e no complexo
industrial da Bayer de Belford Roxo-RJ (ver QD-444, dezembro de 2005). “A
entrada da Geoplan já trouxe a Haztec para o coração do mercado de BOT de
água”, afirmou Marcelio Fonseca, superintendente operacional da
Haztec-Geoplan (em breve o nome Geoplan deve sair).
E as facilidades para o corpo comercial da Haztec não param por aí. Segundo Fonseca, caso as vazões a ser tratadas não compensem a construção de uma unidade, há a opção de ofertar o tratamento externo dos efluentes na Gaiapan, estação de despejos industriais para terceiros no distrito industrial de Santa Cruz, no Rio, situada no site da produtora de cloro-soda Panamericana. A ETE realiza tratamento convencional para preparar o efluente para descarte e a empresa também faz outros serviços ambientais, como descontaminação de transformadores com ascarel. Além disso, para Fonseca, o fortalecimento da Haztec permite o planejamento de novos voos para o futuro. Um deles é expandir mais a presença no mercado público de saneamento e de disposição de resíduos urbanos. No primeiro caso, tanto no abastecimento de água, nos moldes de contratos já existentes em Araçatuba-SP e Guarulhos-SP, nos quais opera para as autarquias municipais poços de alta profundidade, como em concessões para tratamento de esgoto. Já no caso de disposição de lixo o propósito inicial é utilizar os aterros da Nova Gerar. Não é só a Haztec, aliás, que pretende aumentar a participação no mercado público. Uma outra empresa com foco em prestação de serviços para tratamento de água e efluentes, a General Water, de São Paulo, também pensa em fazer o mesmo, aproveitando um novo cenário que se tornou mais animador depois da promulgação do marco regulatório do saneamento.
Reator vertical – O plano de operar no mercado público também permite à empresa utilizar tecnologias desenvolvidas nos últimos anos para atender os casos de tratamento de efluentes no mercado privado, sobretudo o institucional (prédios, shopping centers), no qual tem maior participação do que na indústria. No caso, o destaque fica por conta da nacionalização da tecnologia deep-shaft, originariamente criada para despoluir o Rio Tâmisa, na Inglaterra, baseada na perfuração de poços de 80 metros de profundidade que funcionam como reatores verticais biológicos capazes de remover 98% de DBO.
Por enquanto, o deep shaft é usado principalmente no mercado institucional, em shopping centers, que precisam de soluções compactas para tratar esgoto. “A técnica pode ser instalada em um estacionamento”, revelou. Segundo Ferraz, hoje a empresa conta com cerca de 80 contratos, todos de prestação de serviço para cumprimento em períodos de oito a dez anos. Os investimentos são obtidos de recursos próprios da General Water e atendem clientes com necessidades de 2 mil a 25 mil m3/mês. De início, a maior parte dos contratos era de BOT, mas Ferraz acredita que há hoje uma migração para os modelos de BOO. “O cliente não quer o equipamento, quer a água”, resumiu. Está aí um bom slogan para aqueles que acreditam na terceirização como uma maneira de gerar negócios no mercado da água. |
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