COMERCIALIZAÇÃO 

Revista Química e Derivados - Comercialização de Produtos Químicos

Distribuidores revisam suas estratégias para vencer a crise global

Fotos: Cuca Jorge (exceto * divulgação)

Marcelo Fairbanks

A “marolinha” da crise financeira mundial deixa marcas na distribuição de produtos químicos no Brasil. Espremido pelas dificuldades dos fornecedores e dos clientes, o setor se esforça para manter os balanços longe do vermelho, lançando mão de técnicas de gestão que aumentam a eficiência operacional e reduzem custos.

O impacto da crise foi assimétrico nos vários segmentos da atividade econômica. Cosméticos, produtos farmacêuticos e ingredientes para a indústria de alimentos constituem exemplos de vitalidade. As tintas automotivas iniciaram o ano amargando uma forte retração de demanda, iniciada no último trimestre de 2008. A redução do IPI cobrado dos veículos novos permitiu esvaziar os pátios das montadoras e reativou a produção de alguns modelos. As tintas imobiliárias também apresentaram um “soluço” de vendas, mas devem retomar o ritmo de negócios com o pacote de incentivos oficiais para a construção civil.

Em âmbito global, os preços dos produtos químicos despencaram como resultado da desaceleração econômica e do alto volume de excedentes. No Brasil, a desvalorização do real em relação ao dólar compensou apenas parcialmente a oscilação para baixo dos preços.

Durante o primeiro trimestre, os administradores das empresas do comércio químico foram obrigados a atuar com extrema cautela, evitando comprometer o capital de giro para formar estoques que não pudessem ser rapidamente negociados.

Em 2008, a distribuição química registrou incremento de 22% no faturamento dolarizado, resultado excepcional, a despeito da queda abrupta de negócios e preços ocorrida em novembro e dezembro. “Ainda não se detectam tendências firmes para 2009”, comentou Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim), dadas as fortes oscilações de demanda verificadas no primeiro trimestre. Ele salienta que o setor cresceu de forma racional nos últimos anos, oferecendo vantagens para fornecedores e clientes, e deverá, portanto, sobreviver a mais essa crise internacional.

Medrano: consolidação pode chegar ao setor depois de 2010

“Pode-se perceber que tanto a indústria química quanto nossos clientes passaram por um processo de consolidação, mas a distribuição ainda não passou por isso”, afirmou. Ele aponta pressões fortes dos produtores para selecionar menor número de parceiros no Brasil, com responsabilidades ampliadas. No entanto, Medrano não vê um ambiente propício para consolidações no setor em 2009.

Em âmbito internacional, o dirigente setorial, agora também presidente da ICCTA (Conselho Internacional das Associações do Comércio Químico), identifica fortes preocupações das entidades europeias quanto ao comportamento da demanda setorial neste ano. “Os investimentos no Leste Europeu foram muito fortes, mas essa região está sendo muito afetada pela crise”, comentou. Os Estados Unidos adotaram postura cautelosa, porém mais confiante. Em relação à Ásia, pouco se fala dela atualmente, segundo Medrano.

Nos últimos anos, os fabricantes nacionais transferiram aos distribuidores mais responsabilidades, em especial nos serviços prestados. Isso aumentou a disponibilidade de misturas e dispersões, mas exigiu investimentos na qualificação técnica de pessoal e no aprimoramento das estruturas físicas. “Não há bônus sem ônus, a indústria nos repassa clientes, mas aumentou suas exigências”, analisou Medrano. Ao mesmo tempo, para complementar portfólios, foi preciso aumentar a importação de especialidades químicas sem fabricação nacional, necessárias para que os produtos finais brasileiros tivessem qualidade para serem exportados. Com a crise, houve um arrefecimento dessas operações.

 

 
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