|
|

Embora a proteção das chapas metálicas tenha avançado muito, ainda há
produtos que não podem ser atendidos por esse tipo de embalagem. “É o caso
de alguns produtos agroquímicos que são muito agressivos quimicamente,
devendo ser acondicionados em vidro ou plástico fluoretado”, explicou.

Sem bisfenol – O
aumento das exigências internacionais nas embalagens de alimentos e
bebidas tende a aumentar a participação das grandes companhias
internacionais no segmento. “Só os grandes players têm condições
econômicas para suportar os custos desses desenvolvimentos”, afirmou Mauro
Eiras, da PPG. A companhia investe 3,5% de seu faturamento mundial em
pesquisas e, recentemente, recontratou cientistas que haviam se aposentado
para acelerar os trabalhos com tintas adequadas às normas da Europa e
também do Canadá, as mais restritivas.
Segundo Eiras, essas
normas pedem a eliminação de bisfenol-A livre nos epóxis e também impedem
a presença de melamina. “É muito difícil e muito caro obter o epóxi sem
nenhum traço desse ingrediente”, explicou. “E não há nenhuma comprovação
científica dos supostos malefícios do bisfenol-A nas quantidades
usualmente encontradas, apenas suspeitas.” Apesar disso, a PPG desenvolveu
uma linha completa de tintas e vernizes isentos de bisfenol-A e melamina,
capaz de atender a todas as aplicações nas embalagens metálicas, com ou
sem repuxo. Até o final deste ano, Eiras espera que esses produtos tenham
sido aprovados pelos clientes em testes de embalagem.
O primeiro mercado a ser beneficiado com o lançamento será a produção de
comida para bebês. Nessa aplicação, as tintas deverão ser isentas de BPA a
partir de 2010 na Europa, Canadá e nos Estados Unidos. “Algumas companhias
exportadoras de alimentos no Brasil já estão testando a novidade”,
comentou Eiras, escusando-se de revelar por enquanto a composição dos
produtos. A diferença de preço a maior em relação
|
aos
produtos com BPA fica entre 20% e 30%, mas isso não deve prejudicar
suas vendas. “O uso de revestimento interno nas latas representa 3% do
custo e isso não chega a 1% do custo total da embalagem, ou seja, é
insignificante perto dos benefícios”, avaliou.
Outra linha de inovação da PPG é composta de vernizes capazes de
proporcionar efeitos sensoriais muito interessantes em tampas e corpos
de embalagens metálicas para diversas aplicações. A linha iSense está
sendo lançada mundialmente pela companhia e consiste na aplicação de
aditivos, cargas e pigmentos especiais, por vezes na escala
nanométrica, para aprimorar as propriedades das embalagens. |
Cuca Jorge

Eiras e as amostras dos vernizes criadores
de efeitos |
Há alternativas para
melhorar o toque e o agarramento (grip), por exemplo, de tubos de alumínio
para cremes de barbear, que sempre escorregam durante o uso (chamados de
tactiles). Outros conferem efeitos metálicos ou perolescentes, usando
pigmentos nanotecnológicos. Há também alternativas para gerar efeitos
visuais variados, como multishade e crackle. Completa o lançamento uma
tinta base (base coat) colorida para confeccionar tampas de potes
sofisticados, com possível uso em cosméticos. “São produtos voltados para
artigos de alto valor agregado”, explicou, sem poder dar mais detalhes.
Eiras avalia que as aplicações da chamada linha geral aumentaram os
esforços para a redução de custos. “A PPG tem um verniz que cura a uma
temperatura 10ºC abaixo da dos convencionais, o que resulta em uma grande
economia de energia”, disse. O produto já é usado na Europa e nos EUA e é
indicado para latas de duas peças, sendo formulado com polímeros mais
reativos que os usuais.
Muito forte nas tintas para a área externa das latas, a PPG acompanha com
atenção a tendência de crescimento das linhas de cura por UV, embora
recomende a técnica para a linha geral. “É possível usar o UV na parte
externa de latas de alimentos, mas isso requer cuidados e investimentos
adicionais”, disse Eiras. Para ele, nenhum produtor de embalagens vai
alterar todas as suas linhas para UV. A própria PPG não tem tintas para UV
processáveis, embora conte com dois centros de pesquisa e desenvolvimento
mundiais para essa tecnologia.
Eiras lamenta que os poliésteres tenham ficado restritos às aplicações
críticas no Brasil. “Não são tintas caras, cara é a chapa”, afirmou. Há
quinze anos, a PPG tentou colocar no mercado brasileiro um poliéster
fenólico de alto desempenho e isento de BPA, sem encontrar guarida nos
clientes. O alto repuxo, o grande mercado dos poliésteres, está
praticamente restrito às latas de sardinha. “As latas de três peças
funcionam bem; depois que os problemas com a solda lateral foram
resolvidos”, admitiu.
As latas de alumínio representam um mercado mais dinâmico, com novos
formatos sendo lançados a cada ano, principalmente para as cervejas.
O relacionamento entre fornecedores de tintas e convertedores no Brasil é
aberto, sem laços permanentes. Na Europa e nos EUA são comuns os contratos
de suprimento firmes por família de tintas, ou pela parte interna ou
externa de uma embalagem. “Seria interessante ter clientes por prazos mais
longos, sem ter de disputá-los novamente a cada mês ou por lote de
pedidos”, avaliou.
A estratégia da PPG prevê a concessão de exclusividade temporária para
desenvolvimentos feitos especificamente para um cliente. “Quem paga para
desenvolver, ganha o privilégio”, informou.
A orientação do mercado exclusivamente pelo preço das tintas pode criar
problemas para quem compra, pela dificuldade em cobrar responsabilidades
no caso de alguma falha. Além disso, Eiras salienta a existência de custos
escondidos, que não são equacionados pelos clientes. “No mercado, há
vernizes que são incompatíveis com as tintas de impressão, exigindo a
parada e a limpeza da linha entre um e outro”, comentou. “A linha de
tintas e vernizes da PPG é totalmente compatível, dispensando esses
procedimentos, mas nem sempre o cliente considera essa diferença.” A
empresa também coloca seus técnicos especializados para resolver eventuais
problemas da linha de aplicação, mesmo que não estejam ligados à tinta ou
verniz.
UV na lata – Detentora de posições sólidas nos segmentos de
bebidas, químicos (inclui aerossóis e tintas), higiene pessoal e
alimentos, a AkzoNobel vai intensificar sua atuação nas tintas curáveis
por UV em embalagens metálicas, das quais pretende dominar 50% até 2012.
“O uso do UV é muito forte na Europa, e alguns convertedores brasileiros
já adaptaram suas linhas para usar essa tecnologia”, afirmou. A companhia
oferece tintas e vernizes para UV nas formas de radicais livres e
catiônica, esta última mais indicada para alto repuxo ou quando for
necessário processamento ou esterilização posterior.
Segundo Gasperini, as vantagens do sistema UV são observadas nos trabalhos
de alta produção, nos quais a economia de energia pela substituição das
estufas pelos conjuntos de lâmpadas pode chegar a 90%. “Além disso, as
tintas UV não usam solventes e permitem encurtar o tempo de processamento
de mais de 10 minutos para segundos”, disse.
A aplicação de tintas e vernizes UV exige cuidados maiores do que os
requeridos com os sistemas convencionais. “As condições de trabalho, ou
seja, temperatura, espessura de camada, qualidade das lâmpadas, por
exemplo, são mais estreitas”, comentou. As estufas convencionais ajudam a
compensar eventuais variações.
As linhas Marlux (radicais livres) e Icimar C+ (catiônica) são compatíveis
com as tintas UV da AkzoNobel, formando um sistema de elevada
produtividade, com lâmpadas colocadas entre os castelos de impressão.
|
O uso
de verniz sobre sizes convencionais também apresenta bons resultados,
sendo recomendados para base de produtos de acrílico ou poliéster. Na
aplicação, a AkzoNobel recomenda usar cilindros com manta de
fotopolímero, para minimizar a distorção superficial e reduzir o tempo
de pré-nivelamento.
Além do corpo, as tampas de potes do tipo RTO (roll-on twist-off, como
as usadas nos frascos de palmito), sujeitas a alto repuxo, podem
receber verniz UV catiônico sobre base de poliéster. “No caso das
embalagens de alimentos, o verniz UV pode substituir o verniz de
acabamento epóxi solvente na parte externa, mas é preciso verificar se
a legislação do local de venda admite”, recomendou Gasperini.
Geralmente, tintas UV são usadas, mas recobertas com verniz
tradicional nessas aplicações. |
Divulgação

Gasperini: UV catiônica
suporta repuxo e esterilização |
A AkzoNobel produz no
Brasil grande parte das resinas que consome. No total dos ingredientes,
cerca de 40% do volume processado ainda se refere às importações. “São
itens nobres, muitas especialidades químicas que não têm substitutos
nacionais”, afirmou.
Nas linhas convencionais, a companhia atende às demandas para as partes
interna e externa das embalagens metálicas. A linha de bebidas conta com
produtos para latas de aço ou de alumínio. Gasperini comentou haver um
produtor de latas de aço de duas peças para bebidas no Nordeste, cujas
exigências de resistência são elevadas. “As bebidas enlatadas são vendidas
na praia, dentro de caixas de isopor com gelo misturado a sal e álcool,
uma fórmula para retardar o degelo”, explicou. Essa mistura é muito
agressiva para a lata de aço, que recebe camada mais espessa de
revestimento externo, feito de acrílico ou epóxi, aplicado no corpo por
rolos depois da conformação. A parte interna recebe verniz epóxi por
spray. “As máquinas de processamento operam a mais de duas mil peças por
minuto”, comentou.
As latas de alumínio, mais conhecidas dos consumidores, seguem o mesmo
esquema de pintura, com algumas alterações para promover a melhor adesão
ao substrato. “A aplicação das tintas é feita pelos clientes, mas nós a
supervisionamos continuamente”, afirmou.
Gasperini explicou que a AkzoNobel direciona seus esforços de pesquisa e
desenvolvimento em quatro plataformas: processos (devem ser mais enxutos e
dar mais produtividade aos clientes, por exemplo, pela redução do número
de camadas); estética (alcançar o efeito desejado pelo consumidor final);
conveniência (oferecer praticidade para o consumidor ou para etapas
intermediárias, facilitando a pega, o empilhamento e a variedade de
tamanhos); ambiental (atender às regulamentações mais restritivas ou por
iniciativa própria). “Os produtos UV, por exemplo, atendem às exigências
de melhorar o processamento, aspecto visual e protegem o meio ambiente por
eliminar solventes”, explicou. Em todos os parâmetros, a proteção das
chapas é considerada um pré-requisito.
|
|