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CLORO/SODA
Aumento de importações
preocupa
A
produção brasileira de cloro-soda se antecipa na busca por melhores
índices de sustentabilidade, alcançando indicadores de desempenho melhores
que a média europeia e americana. Embora esses índices também tenham
impacto positivo na produtividade e competitividade global, a indústria
demonstra preocupação com o aumento das importações de soda cáustica, que
podem prejudicar investimentos futuros em expansões de capacidades.
A Associação Brasileira de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor) informa
que as vendas totais de soda caíram 6,7% no primeiro trimestre de 2009, em
relação a período idêntico de 2008, provocando uma retração de 1,8% da
produção, derrubando a ocupação de capacidades de 86,6% para 81,8%. Em
contrapartida, a importação de soda, geralmente efetuada por grandes
consumidores dos setores de alumínio e de celulose em regime de draw-back
(sem impostos), somou 259,5 mil toneladas no trimestre, uma alta de 16,7%.
No caso do cloro, a produção caiu 3% no período, para vendas 16,5%
menores. A capacidade instalada cresceu 9,4%, mas sua ocupação baixou
11,3%, com média de 80,9% no período. “Embora as vendas de cloro tenham
sido reduzidas, os seus derivados dicloroetano (DCE), ácido clorídrico e
hipoclorito de sódio apresentaram desempenho muito positivo”, afirmou
Roberto Bischoff, diretor de negócios de vinílicos da Braskem e atual
presidente da Abiclor.
Segundo informou, as vendas de abril já indicam uma recuperação de
demanda, fruto das medidas oficiais de redução do IPI sobre materiais de
construção, automóveis e da linha branca, além dos incentivos aos
programas habitacionais. “Em abril, o setor voltou a ocupar 86% de suas
fábricas”, afirmou. A diferença entre as quedas de produção de cloro e
soda é explicada pelos estoques internos durante as etapas de produção.
O diretor-executivo da Abiclor, Martim Afonso Penna, esteve presente à
reunião de 2008 do Conselho Mundial do Cloro, na China. “Enquanto
estávamos operando com 80% de ocupação, que considerávamos muito baixa, as
fábricas chinesas rodavam com 70% a 75% de ocupação”, comentou. “E a China
quer ampliar seu parque produtor de soda em um milhão de t/ano a cada ano
até 2012.”
Com dados da entidade internacional, Penna avalia que a China tenha
estoques de 300 mil t de soda em base seca, quantidade semelhante ao
estoque de outro grande produtor, os Estados Unidos. “Isso torna o mercado
de soda muito volátil”, disse Bischoff. Ele comentou que, há quatro meses,
uma tonelada de soda (seca) valia US$ 700 (FOB Golfo do México). A cotação
atual da mesma tonelada está em US$ 350, equivalente ao preço chinês
acrescido do frete até o golfo.
Essa volatilidade ameaça investimentos futuros do setor no Brasil, que já
anunciou uma expansão de 150 mil t (base cloro) na capacidade total até
2011, mediante investimentos de US$ 200 milhões. A soda é o produto mais
valorizado do setor, com múltiplos usos. O cloro, muito consumido na
produção de PVC e de algumas linhas de celulose, tendo aplicações em
processos químicos, acaba sendo um coproduto menos valorizado, de
transporte difícil e caro.

Indicadores saudáveis – O setor de cloro-soda pretende implantar metas
mundiais de sustentabilidade a partir de 2010, incluindo aspectos como o
consumo de sal, o dispêndio energético e a ocorrência de acidentes. “Todos
os nossos números são muito satisfatórios”, afirmou Bischoff. Ele citou o
consumo específico de eletricidade médio no Brasil de 3,1 MWh/t de cloro,
“melhor que a média europeia”. A conversão de unidades produtivas para o
sistema de membrana permite melhorar o indicador, salientando-se que a
eletricidade representa 45% dos custos variáveis de produção.
O Brasil poderia melhorar seu índice de sustentabilidade ao gerar sua
própria eletricidade aproveitando o hidrogênio produzido no processo
eletrolítico. “Não o fazemos porque cerca de 90% desse hidrogênio é
vendido para vários clientes a um preço mais alto do que pagamos pela
energia, embora no Brasil ela seja a mais cara do mundo para fins
industriais”, explicou Bischoff. Em comparação, a China conta com
eletricidade barata, embora com tendência de elevação. E essa energia é
obtida mediante a queima de carvão mineral em termoelétricas, um processo
liberador de gás carbônico para a atmosfera.
A redução do consumo de sal também é avaliada, embora se trate de insumo
inesgotável. Outro indicador importante diz respeito aos acidentes com
afastamento, no qual o setor de cloro-soda chega a uma ocorrência a cada
milhão de horas trabalhadas, enquanto a média da indústria química, muito
boa, é de dois casos.
M.
Fairbanks
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