AMBIENTE
Tecnologia italiana reduz o cromo hexavalente

Embora a indústria química seja apontada criticamente pelos ambientalistas, cresce o número de instituições renomadas que premiam iniciativas de gerenciamento eficiente de resíduos e desenvolvimento sustentável no meio empresarial. É o caso, por exemplo, do prêmio Sapio para a pesquisa italiana, que em sua última edição agraciou a Cromatura Rhodense pelo seu projeto inovador de redução do cromo hexavalente e saneamento de sua planta industrial.

Em virtude da sua alta toxicidade e comprovada ação carcinogênica, efluentes contendo cromo hexavalente não podem ser descartados diretamente em áreas de mananciais ou mesmo na rede de esgotos. Para a Organização Mundial de Saúde, a concentração máxima deste metal na água potável deve ser de 0,05% miligramas por litro.

O valor foi estabelecido pela instituição em 1955, mas de acordo com os últimos estudos realizados pelo National Toxicological Program, nos Estados Unidos, algumas evidências demonstram que, mesmo em menor quantidade, o consumo de cromo hexavalente por via oral pode provocar a incidência de câncer. Neste caso, o limite estabelecido pela OMS deveria ser revisto pelas autoridades, tornando-o mais restritivo.

Nos últimos meses, o cromo hexavalente voltou a ser debatido em toda a Itália depois que alguns consumidores constataram que uma das marcas de água mineral vendida nos supermercados do país continha o metal pesado, descrito no rótulo como Cr VI+. A questão está no centro de um longo debate na EFSA, a agência europeia para a segurança alimentar.

As fontes geradoras de efluentes contendo cromo são inúmeras e entre elas estão as indústrias eletrônica, de madeira, de tintas e galvanoplastia, entre outras. Somente na cidade de Firenze, foram confiscados quase dois milhões de sapatos de couro contrabandeados que continham cromo hexavalente.
A maior parte dos resíduos de cromo VI lançados no solo se agrega fortemente a outras partículas ali existentes e chega até os lençóis freáticos. Contudo, na água, o cromo é absorvido pelos sedimentos, tornando-se estático em sua maior parte.

Até agora, os métodos mais utilizados para a redução química ou biológica in situ do cromo em áreas contaminadas eram a adsorção, a fotocatálise e a utilização de filmes de polímeros condutores como materiais eletrolíticos. A seleção do tipo de método a ser aplicado deve levar em consideração os fatores que, eventualmente, limitam a cinética de remoção ou a destruição dos contaminantes e exigem o emprego conjunto de mais de uma técnica.

Buscando uma solução menos agressiva ao meio ambiente e, ao mesmo tempo, que permitisse à Cromatura Rhodense continuar a produzir, a empresa italiana desenvolveu uma nova técnica para eliminar o cromo hexavalente presente no terreno no qual opera, situado na periferia milanesa.

Desde 1948, a Cromatura Rhodense se dedica à galvanização de componentes mecânicos de grande e média dimensão, mas na década de 50 a sensibilidade das indústrias para questões ambientais ainda permanecia em uma fase embrionária. Hoje, no entanto, a empresa milanesa integra o circuito das indústrias italianas ecocompatíveis.

Atualmente, na Itália, um dos métodos mais utilizados para eliminar o cromo hexavalente consiste na remoção da terra contaminada com o metal pesado, transportando-a até aterros autorizados. “Trata-se, no entanto, de uma técnica dispendiosa e de difícil aplicação no caso de indústrias que não encerraram suas atividades”, avalia Massimiliano Garavaglia, diretor de produção da Cromatura Rhodense.

Outra alternativa, provavelmente pouco eficiente, seria a adoção de um sistema de barreiras hidráulicas e poços para conter a contaminação, limitando-a ao perímetro da fábrica. De qualquer forma, trata-se sempre de uma medida paliativa, incapaz de solucionar o problema definitivamente.

Depois de pesquisar as melhores técnicas empregadas internacionalmente para a redução do cromo hexavalente e constatar que a literatura científica e experimental sobre a matéria ainda é escassa, a Cromatura Rhodense decidiu investir em um novo método, utilizando um dos redutores mais simples, o hidrogênio. O mecanismo aplicado pela empresa consiste na utilização de um composto gasoso à base de hidrogênio e um gás, quase inerte, para reduzir o cromo hexavalente em cromo trivalente, este não-tóxico.

Inicialmente foram realizados testes em laboratório, utilizando diversos compostos com concentrações diferentes. Em seguida, o composto foi testado em um pequeno espaço de terreno que simulava as mesmas características do local contaminado e, finalmente, foram efetuados os últimos testes in situ.
A fase final da pesquisa, que durou vários meses, evidenciou uma redução superior a 90% do cromo hexavalente e que, além do cromo trivalente, a reação gera exclusivamente água, inócua para o terreno. O sucesso foi comprovado por instituições públicas e privadas, e estudado por expoentes do mundo universitário italiano, como explica Massimiliano Garavaglia.

Com base nos resultados obtidos, a empresa concluiu que outra vantagem do método com o hidrogênio foi a significativa redução de custos para o tratamento do cromo hexavalente. Obviamente, o capital necessário depende das características geológicas do terreno, de sua dimensão e dos níveis de concentração de cromo, entre outros fatores. A empresa sustenta que a nova técnica requer muito menos infraestrutura e, portanto, será muito mais econômica do que os métodos tradicionais.

Em pouco tempo, a notícia dos resultados conquistados pela Cromatura Rhodense entusiasmou outras empresas e entidades que enfrentam um problema análogo. A província de Milão, por exemplo, apresentou a nova tecnologia, chamada de Soilution, durante a última edição do Consoil, um dos eventos internacionais mais importantes contra a poluição. Provavelmente, a técnica desenvolvida inicialmente para um uso local, em breve poderá ser explorada em escala comercial.

Anelise Sanchez, de Milão.

 

 

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