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Geraldo Falcão/Agência Petrobras
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Feira cresce e atrai
estrangeiros
Volume de reservas em
alto mar atiça o apetite
global e quebra
o recorde de participação
Bia Teixeira |
Com
mais de 600 expositores – dos quais 140 empresas internacionais –, a 5ª
Brasil Offshore se consagra como a terceira maior feira mundial da
indústria offshore, a maior da América Latina e a segunda do país no
segmento de óleo e gás. O evento, que vai se realizar entre os dias 16 e
19 de junho, no Macaecentro, em Macaé – base logística estratégica de
todas as operações no mar da Bacia de Campos, no Norte Fluminense –,
cresceu 18% em relação à quarta edição, tanto em participação como em área
ocupada (aproximadamente 31 mil m²).
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Os
números da feira, com mais de 1.300 marcas de empresas de 33 países,
além do Brasil, indicam a imunidade à crise financeira internacional e
à gripe suína, que provocaram desfalques na Offshore Technology
Conference – OTC 2009, que é aclamado o principal evento de petróleo
do planeta. Um deles foi justamente da Petrobras: a participação da
estatal brasileira se restringiu ao pessoal da Petrobras America, com
raríssimas apresentações de executivos e técnicos da companhia que
estão envolvidos diretamente no desenvolvimento do pré-sal, o tema de
maior interesse da indústria petrolífera mundial.
“Apesar da crise, a demanda das empresas interessadas em participar
foi intensa e são esperados 45 mil profissionais do setor, o que
confirma o evento como o principal produtor e gerador de negócios
dessa indústria”, afirma Eric Henderson, diretor da Brasil Offshore.
Ele observa que, a despeito das dificuldades econômicas,
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Divulgação

Henderson: feira tem mais área e expositores, apesar da crise |
houve um crescimento
significativo em área, número de expositores e de participantes
estrangeiros. “O grupo de empresas é extremamente diversificado, com
companhias do porte da ExxonMobil, DHL, Seadrill, Trumpf, Copabo, National
Oilwell Varco, entre outras, indicando a importância do evento para o
mercado e atestando que a Brasil Offshore continua crescendo”, afiança. A
norte-americana ExxonMobil, uma das maiores em óleo e gás do mundo,
aparece pela primeira vez nesta edição da feira e é um dos seus destaques.
De acordo com a coordenadora de Marketing/Operacional da feira, Luciana
Essencio, uma nova tenda teve de ser considerada no plano da Brasil
Offshore 2009 para abrigar o número de expositores. “A estrutura e a
logística envolvidas na organização de um evento dessa magnitude se
intensificaram, exigindo um empenho ainda maior dos parceiros e
fornecedores para garantir o sucesso do evento.” Entre os maiores estandes
estão Petrobras, Schlumberger, Goodyear, Gaia, Fluxo, Odebrecht, Estaleiro
Mauá e National Oilwell Varco.
A Brasil Offshore 2009 reúne empresas dos seguintes países: Argentina,
Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, China, Colômbia, Dinamarca,
Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Israel, Itália, Japão,
Coreia, México, Noruega, Cingapura, Eslovênia, África do Sul, Coreia do
Sul, Espanha, Suécia, Suíça, Holanda, Trinidad & Tobago, Emirados Árabes
Unidos, Reino Unido, Estados Unidos, além da Venezuela e Índia, que
participam pela primeira vez.
Diferenciais deste ano – Henderson lembra que esta é a primeira
edição da Brasil Offshore sob o comando da Reed Exhibition Alcantara
Machado, em parceria com o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e
Biocombustíveis (IBP). Ele lembra que a empresa adquiriu a MG do Brasil no
final do ano passado, tornando-se detentora do evento. “Essa mudança traz
ganhos importantes porque assegura à feira uma internacionalização ainda
maior, uma vez que a Reed Exhibition organiza mais de 500 eventos pelo
mundo, entre os quais, a Offshore Europe, um dos principais do setor e que
é realizada em Aberdeen, na Escócia”, afirma.
A parceria inédita com o IBP também é um dos grandes diferenciais da
edição deste ano, segundo o diretor. “Isso significa que serão discutidos
os temas mais importantes da indústria offshore no país”, afirma Henderson.
Maior prova disso é que o IBP acertou com a Offshore Technology Conference
(OTC) a realização de uma conferência internacional, intitulada “Brazil
Offshore: The Next Frontier”, que faz uma alusão direta às recentes
descobertas de petróleo e gás nas camadas do pré-sal, posicionando o
Brasil no centro das atenções do mercado de petróleo.
Por meio desta conferência, o público conhecerá alguns dos trabalhos
exclusivos apresentados na OTC, realizada em maio deste ano em Houston,
nos Estados Unidos, nas oito palestras do Painel, nas quais serão
abordados temas relevantes para a indústria: tecnologia de águas
profundas, sistema de produção submarina, gerenciamento de reservas,
otimização do desenvolvimento de campos e exploração do pré-sal, entre
outros. As palestras serão apresentadas por profissionais da Petrobras,
Halliburton, Aker Solutions, Wellstream International, Shell, entre outras
empresas.
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Uma questão de conteúdo
Embora
a indústria aplauda o aumento da presença internacional nas atividades
de exploração e produção de petróleo no Brasil para ampliar seu
portfólio de clientes – ainda que a Petrobras seja a maior demandante
–, há uma grande preocupação com a “invasão” dos fornecedores
estrangeiros. Principalmente considerando que o impacto da crise
financeira internacional é bem maior nos Estados Unidos, Europa e na
Ásia, provocando uma retração na demanda desses locais.
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Nesse cenário, as empresas internacionais buscam mercados menos
recessivos e setores com demanda aquecida, exatamente o caso da
indústria petrolífera brasileira. Daí a preocupação do presidente
da Câmara Setorial de Equipamentos Navais e Offshore (CSEN) da
Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq),
César Prata, com a participação crescente de empresas estrangeiras
na Brasil Offshore.
“Esta será, sem dúvida, a maior Brasil Offshore de todos os
tempos, com um recorde de agendamento de reuniões na rodada de
negócios e grande número de visitantes. E o setor de petróleo é o
que há de melhor no país neste momento, pois é o único que
continua aquecido, com forte demanda”, analisa Prata. |
Divulgação

Prata: indústria nacional teme a avalanche dos importados |
No
entanto, ele teme que a indústria nacional, incluindo o segmento de
máquinas e equipamentos – cujo desempenho tem impacto direto nos
demais setores produtivos –, acabe sendo atropelada pelos concorrentes
estrangeiros. “Muitos de nossos associados vão estar presentes na
Brasil Offshore, mas muitos também deixarão de ir por causa da crise”,
observa Prata. O espaço vago na feira está sendo ocupado, na sua maior
parte, por estrangeiros, como mostram os números apresentados pela
própria organização do evento.
Prata destaca que isso é ainda mais preocupante pelo fato de a
Petrobras estar “atrasando” os investimentos previstos, deixando os
fornecedores na espera. E reivindica que a meta do nível de
nacionalização aumente dos atuais 65% que, segundo ele, já não está
sendo cumprida, para 80%. O pleito revela o desejo de grande parte das
cerca de 4.500 empresas fabricantes de bens de capital mecânicos
representadas pela Abimaq. |
Rodada de negócios –
A Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) e o Serviço de
Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) trazem algumas novidades na
15ª Rodada de Negócios no setor de petróleo e gás, que vai se realizar
dentro da Brasil Offshore, nos dias 17 e 18 de junho. As rodadas visam a
promover a interação direta entre fornecedores de pequeno e médio porte
com os grandes players, nacionais e estrangeiros, do segmento de óleo e
gás, chamados de empresas âncoras. Elas compreendem não somente as
companhias petrolíferas como também os chamados “epecistas”, conjunto de
empresas contratadas para executar todo ou parte de empreendimentos de
grande porte, como as plataformas, petroleiros e refinarias.
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Pela
primeira vez, a rodada promoverá, além das reuniões entre as empresas
âncoras e potenciais fornecedores, diversos Encontros de Negócios com
empresas de distintos portes da cadeia produtiva. A iniciativa será
feita nos moldes do Encontro Nacional de Negócios (Eneg) dos setores
de óleo, gás e naval, já realizado pela Onip em parceria com as
unidades do Sebrae-RJ e BA.
A expectativa dos parceiros é de que seja gerado um volume de negócios
superior ao da última edição da rodada, que foi de R$ 102,5 milhões,
na Rio Oil & Gas 2008. “Temos quase 170 empresas, potenciais
fornecedoras, inscritas nesta rodada, que promoverá reuniões com 19
âncoras, um número superior à nossa expectativa”, comemora Renato
Regazzi, gerente da Área de Desenvolvimento Industrial do Sebrae-RJ.
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Divulgação

Regazzi: rodada de negócios pode passar de R$ 102 milhões |
De acordo com os
organizadores, as âncoras confirmadas até agora são: Aibel, Chevron, El
Paso, Estaleiro Atlântico Sul, Estaleiro Maclaren, Estaleiro Mauá, FMC,
Global, Petrobras, Repsol, Schlumberger, Setal Engenharia, Shell,
Superpesa, Technip, Transocean, Ultratec, Weatherford e Wellstream do
Brasil.
O que poderá frustrar as expectativas das pequenas e médias empresas
fornecedoras de bens e serviços à cadeia do petróleo é a ausência da
Petrobras nesta rodada de negócios. Principal compradora do setor, a
estatal participará de um evento paralelo, integrante da Ação de
Desenvolvimento de Potenciais Fornecedores, iniciativa do Fórum Regional
do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural
(Prominp) da Bacia de Campos.
A Petrobras vai participar do segundo encontro do ano com fornecedores
regionais para atendimento de 18 itens de bens e serviços críticos – para
os quais ainda há poucas empresas cadastradas – considerados de baixa
competitividade na região da Bacia de Campos, de acordo com Reinaldo Costa
Silva, gerente de Contratação de Bens e Serviços da Unidade de Negócio da
Bacia de Campos da Petrobras.
Já as empresas que participarão dos Encontros de Negócios (Enegs) ainda
estão sendo convidadas. O superintendente da Onip, Bruno Musso, salienta
que o objetivo desses encontros é dar oportunidade às empresas de menor
porte, cujos produtos não são demandados diretamente pelas grandes
empresas, mas que integram a cadeia de suprimento do setor.
Segundo Regazzi, já foram agendados 720 encontros, com uma expectativa
inicial de RS$ 60 milhões em negócios, podendo chegar a R$ 110 milhões.
“Na maior parte das vezes, são os executivos das pequenas e médias
empresas que participam destas reuniões de 20 minutos cada.” Tempo
suficiente para pequenos e médios empresários apresentarem seus produtos e
serviços às companhias de petróleo interessadas em fechar novas parcerias.
O que torna os resultados mais factíveis é o fato de, em geral, as grandes
empresas serem representadas pelo departamento comercial e de compras, que
é quem inicia todo o processo de aquisição de bens e serviços.
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Houston não concorre com Macaé
Quais as
expectativas de negócios? São boas, a despeito da crise e da CPI da
Petrobras, que deverá ter impacto no setor de óleo e gás?
Eric Henderson – As expectativas são as melhores
possíveis. A indústria offshore experimenta uma das fases mais
produtivas de sua história, especialmente quando consideramos as
descobertas do pré-sal. O processo de exploração e produção que será
desencadeado ativará toda a cadeia produtiva, gerando um círculo
virtuoso de crescimento generalizado.
O fato de ela ocorrer logo depois da OTC não pode provocar um
esvaziamento?
Eric Henderson – A Brasil Offshore está inserida no
calendário internacional de feiras do setor offshore de petróleo e
gás. Participar de um evento com essas características faz parte da
estratégia das empresas que planejam ingressar no mercado
sul-americano, porque o evento congrega todos os elos da cadeia de
produção dessa indústria. Eventos como a OTC, realizada em Houston,
não são encarados como concorrentes. Muito pelo contrário, uma vez que
essas feiras e congressos estimulam a dinâmica do mercado, fomentando
a definição de diretrizes e ampliando as áreas de interesse e de
atuação das empresas, como, por exemplo, no Brasil.
O evento já está, efetivamente, na agenda internacional da
indústria offshore? O que indica isso?
Eric Henderson – Ao longo da sua existência, a Brasil
Offshore ganhou magnitude pelo número de expositores e pela relevância
dessas empresas no mercado global. O desenvolvimento ascendente da
feira é reflexo da carência do setor por eventos capazes de otimizar
as relações comerciais – o que tem sido feito com sucesso neste
evento. A turbulência econômica dos últimos oito meses permitiu uma
recomposição do grupo de empresas que participam desta edição. É
verdade que muitas empresas optaram por reduzir os investimentos e
suspenderam a participação no evento. Entretanto, esse movimento abriu
a possibilidade para que outras companhias do setor entrassem na
Brasil Offshore. Para se ter uma ideia dessa dinâmica, registramos um
montante de cancelamentos equivalente a 1.000 metros, mas ganhamos
mais 4.050 metros quadrados com empresas que aumentaram a área e com
novos expositores. Com isso, a feira ganhou em diversidade, reunindo a
totalidade da cadeia de produção, exploração e serviços da indústria
offshore.
Há alguma discussão sobre levar este evento para outros locais,
como São Paulo ou Santos, onde o tema petróleo vem ganhando força?
Eric Henderson – A localização da Brasil Offshore em
Macaé não é casual. A cidade sedia a Unidade de Negócios da Bacia de
Campos da Petrobras, que produz mais de 80% de toda a produção
brasileira. E podemos dizer que a Bacia de Campos é o maior
laboratório de testes de novas tecnologias aplicáveis em águas
ultraprofundas (ultra-deep) no mundo. Hoje a região sedia mais de três
mil empresas que fornecem produtos e serviços para a cadeia produtiva
da indústria offshore, sendo muitas delas expositoras da feira. Além
disso, a realização da feira em Macaé facilita enormemente a visitação
por parte do pessoal embarcado nas plataformas, já que o aeroporto/heliporto
da cidade está localizado a menos de cinco minutos do Centro de
Exposições. Portanto, podemos afirmar que a presença em Macaé é tão
emblemática como a da OTC, em Houston, ou a Offshore Europe, em
Aberdeen. É possível que a promotora venha a organizar outras feiras
regionais, como já acontece, mas nenhuma atingirá a relevância, o
volume e a qualidade da visitação – e nem mesmo a internacionalização
da Brasil Offshore. |
Ferramenta de fomento –
O gerente de Desenvolvimento Industrial afirma que as rodadas já se
consagraram como uma importantíssima ferramenta de fomento ao mercado, por
colocar fornecedores de pequeno e médio porte perante os principais
demandantes de produtos e serviços da cadeia produtiva de óleo e gás.
“Essas rodadas mostram também o alto grau de organização para realizar
negócios.” Ele destaca que as empresas participantes estão qualificadas
como fornecedoras, pois fazem parte de projetos do Sebrae ou do cadastro
nacional da Onip. “O fato de serem fornecedores qualificados é um
importante diferencial para gerar bons negócios”, afirma.
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“Teremos uma forte participação da Petrobras e da E&P-SERV, braço da
estatal responsável pela área de exploração e produção de óleo e gás.
Vamos também agregar aos fornecedores locais o segmento de estaleiros,
como uma nova alternativa de negócios para o mercado”, afirma Alfredo
Renault, superintendente Regional-Bacia de Campos da Organização
Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP) e do Instituto Brasileiro de
Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).
Renault destaca que o crescimento da Brasil Offshore é importante para
ajudar a consolidar a cadeia produtiva do país. Ele lembra que, para
as pequenas empresas, a rodada representa a oportunidade de apresentar
seus produtos e serviços, ampliando seu mercado potencial, a fim de
fortalecer a cadeia de suprimento local. Já as grandes empresas, cujas
demandas são conhecidas pelo mercado, podem analisar alternativas de
suprimento de bens e serviços mais vantajosos, para alcançar melhores
condições de competitividade. |
Guarim de
Lorena/Divulgação Onip

Renault: cadeia de suprimentos nacional sairá fortalecida |
Segundo Renault, outro
fator relevante na feira como um todo é a presença do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O objetivo é dar subsídios às
empresas participantes da rodada sobre o cadastramento para acesso a
financiamentos para a produção e a comercialização de máquinas e
equipamentos. Ou seja: orientar sobre a forma de se cadastrar no Finame,
uma linha de crédito destinada especialmente a empresas de micro e pequeno
porte, localizadas em qualquer região do país.
“Este tipo de encontro tem sido um dos principais caminhos para fortalecer
a cadeia produtiva nacional que atende o segmento”, conclui o
diretor-geral da ONIP, Eloi Fernández y Fernández.
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B r a s i l O f f s h o r e 2 0
0 9
Local:
Macaecentro
Centro de Exposições Jornalista Roberto Marinho
Endereço: Rodovia Amaral Peixoto, km 170
São José do Barreto – Macaé – RJ
Data: de 16 a 19 de junho
Horário: das 14 às 21 horas |
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