| |
Texto: Bia Teixeira
Fotos: Divulgação
O Norte Fluminense confirma sua vocação e status de principal província
petrolífera, a despeito de o pré-sal da Bacia de Santos ser o grande hit do
momento. Macaé foi o centro das atenções da cadeia produtiva de óleo e gás
do Brasil e do exterior durante a 5ª Brasil Offshore, realizada entre 14 e
17 de junho. Dos quase 650 expositores presentes (o maior número desde que a
feira foi criada), mais de 20% (138) eram empresas estrangeiras, sem contar
os grupos internacionais sediados e atuantes no país e, portanto,
integrantes da chamada indústria local. É bem verdade que as principais
petroleiras internacionais, que têm ativos no Brasil, não estavam presentes,
até mesmo por conta da dinâmica de compras e serviços, muitas vezes já
contratados com as suas parceiras em escala global.
No total, houve um aumento de 18% no número de expositores, a despeito dos
altos custos das frações dos 31 mil metros quadrados ocupados pela
exposição. Preços que seguem os mesmos padrões de eventos internacionais,
como a Offshore Technology Conference (OTC), realizada em Houston (EUA) e
considerada a maior do mundo no setor.
Um investimento razoável para quem deseja ingressar ou ampliar sua
participação nesse setor que vem tendo uma participação crescente no Produto
Interno Brasileiro – já está em torno de 10% – e parece ser o único a não
apresentar sinais recessivos, na opinião de analistas. O fato é que feiras
como a Brasil Offshore podem gerar bons resultados: negócios da ordem de R$
119,7 milhões nos próximos doze meses, em decorrência de rodada e encontros
realizados durante o período da feira. Expectativa condizente com o porte
desta feira, que é a terceira maior das Américas, perdendo apenas para a
afamada OTC e para outro evento brasileiro, a Rio Oil & Gas. Isso confirma a
posição do Brasil no cenário internacional como uma das mais atrativas
províncias petrolíferas do mundo, com valiosas (e crescentes) reservas de
petróleo e gás. Atração reforçada pela posição de liderança da Petrobras em
águas profundas e ultraprofundas e, mais ainda, no pré-sal do planeta.
O número de autoridades e representantes de empresas presentes na abertura
também reforça o status que a Brasil Offshore atingiu. Além do prefeito de
Macaé, Riverton Mussi, e do secretário de Desenvolvimento Econômico,
Energia, Indústria e Serviços do Estado do Rio de Janeiro, Julio Bueno,
também marcaram presença o gerente-executivo de Exploração e Produção do
Pré-Sal, José Miranda Formigli; o gerente-geral da Unidade de Negócios da
Petrobras na Bacia de Campos (UN-BC), José Airton de Lacerda; e o diretor da
Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), Nelson Narciso.
Engrossava a lista de participantes VIP o presidente do Instituto Brasileiro
de Petróleo, Gás e Biocombustível (IBP), João Carlos de Luca; o
diretor-geral da Organização da Indústria do Petróleo (ONIP), Eloi Fernandez
Y Fernandez; o representante da OTC no Brasil, Fernando Machado; o
vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro,
Raul Eduardo David de Sanson; e, claro, o anfitrião Eric Henderson, diretor
da Brasil Offshore.
Economia movida a petróleo – “A Brasil Offshore consolidou Macaé como a
capital nacional do petróleo e polo internacional de atração de empresas do
setor”, comemora o prefeito Riverton Mussi. Mais feliz ainda pelo fato de a
feira ter movimentado toda a rede de serviços da cidade. Dos quase 50 mil
visitantes registrados, boa parte era proveniente de outras cidades e
estados, além dos estrangeiros. Na semana da feira, a economia cresce em
torno de 40%, gerando cerca de três mil empregos temporários.
“Os negócios gerados durante a feira contribuem para aquecer a economia do
município ao longo do ano”, avaliou o prefeito da cidade, que tem em torno
de 180 mil habitantes e cresceu de forma desordenada com as riquezas geradas
pelo petróleo. Isso porque Macaé se tornou a base operacional de todas as
atividades de exploração e produção da Bacia de Campos, que responde por
mais de 80% do petróleo nacional.
Com um PIB per capita 30% maior do que a média nacional, o município
concentra mais de 3.500 empresas da cadeia produtiva de petróleo e gás e
abriga a Unidade de Negócios de E&P da Bacia de Campos da Petrobras. Macaé
sedia o evento desde a sua criação, em 2001. No entanto, o centro de
exposições local, mais conhecido como Macaecentro, dá indícios de ter se
tornado pequeno para abrigar uma feira internacionalizada.
A empresa organizadora, Reed Exhibitions Alcantara Machado, já começou a
trabalhar para assegurar que a próxima edição, em junho de 2011, não sofra
restrições por questão de espaço. “Já estamos em contato com a Prefeitura
para ver como poderemos ampliar a área que a feira ocupa no Macaecentro”,
declarou Eric Henderson, diretor da Brasil Offshore, que está com boas
perspectivas para a feira de 2011. “Cerca de 35% das empresas expositoras
este ano já renovaram participação para a próxima edição”, revelou.
Para assegurar a expansão deste encontro, que reúne todos os principais
agentes do setor petrolífero, o secretário estadual de Desenvolvimento
Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Julio Bueno, reforçou a presença
do governo fluminense na feira este ano. Sua equipe montou um estande para
oferecer financiamento e consultoria a empresas interessadas em investir no
estado. Consultores da Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro
(Investe Rio) apresentavam linhas de financiamento, com taxas de juros a
partir de 2% ao ano e longos prazos de pagamento.
Uma equipe da Companhia de Desenvolvimento Industrial (Codin) prestou
consultoria e assessoria em questões como incentivos tributários,
localização e mão-de-obra aos interessados em investir no estado. Contou com
o apoio do Departamento de Recursos Minerais (DRM), que contribuiu com seus
mapas para a identificação de oportunidades de expansão, principalmente no
interior. Para promover a aproximação entre expositores e fornecedores
fluminenses, o programa Compra Rio teve um representante disponível no
espaço.
“A Brasil Offshore deste ano tem uma nova dimensão, acompanhando a posição
que o Brasil passou a ocupar no cenário mundial após as descobertas de
grandes reservas de petróleo na camada pré-sal. As fronteiras agora são
outras, assim como os desafios tecnológicos das empresas e os investimentos
necessários”, afirmou Bueno. “O mais importante é trabalhar para viabilizar
a produção, pois petróleo bom é petróleo monetizado”, concluiu o secretário,
que já ocupou cargos na direção da Petrobras.
|
|