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FERTILIZANTES
Resíduo de curtume vira insumo para agricultura
O Rio Grande do Sul começou a resolver um
problema ambiental histórico, que vinha dificultando a concessão de
licenciamento ambiental destinado à expansão da indústria de curtumes no
estado. Em 9 de julho último entrou em operação a planta industrial de R$
10 milhões construída pela empresa Ilsa Brasil, pertencente ao grupo
italiano de mesmo nome e com participação societária do Curtume Pampa.
A fábrica irá transformar todo o resíduo sólido em fertilizante. São 35
mil toneladas/ano de pó de couro misturadas a sulfato de cromo. A fábrica
fica em Portão, a 43 quilômetros de Porto Alegre. A responsabilidade pela
entrega dos resíduos está a cargo de um pool de empresas, sob a supervisão
da Associação das Indústrias de Curtume da Região Sul (Aicsul).
A diretora-comercial da Ilsa Brasil, Viviane Diogo, assinala que o
processo industrial usa farelos e aparas de couro wet blue, que são
submetidos a um tipo de cozimento e transformados numa gelatina, passando
por secagem, estabilização e classificação em reatores com temperatura e
pressão altas, sem a adição de formulações químicas.
Na fase inicial, a fábrica produzia 40 toneladas por
mês, mas o volume deverá subir para 60 t/mês a partir de agosto. A
capacidade instalada é para 100 toneladas mensais. Toda a produção
será exportada para a Ilsa na Itália, pois o Ministério da Agricultura
ainda não autoriza o seu uso no solo nacional.
Entretanto, Viviane garantiu que o cromo desse processo é convertido
em proporções iguais às encontradas na natureza ou mesmo no corpo
humano, não oferecendo perigo à saúde. Com efeito, as autoridades do
Rio Grande do Sul já enviaram amostras do produto para a pasta da
Agricultura e à Anvisa. A ideia é que até o final de 2010 esse
material seja comercializado no Brasil, podendo chegar ao mercado como
adubo nitrogenado ou como ingrediente de fórmulas N-P-K (nitrogênio-fósforo-potássio). |
Fernando C. de Castro

Viviane: planos para converter todos os resíduos do couro no BR |
Viviane adiantou que a Ilsa intenciona montar sua segunda
unidade no país em uma posição geográfica capaz de atender com boa
logística os curtumes do interior de São Paulo e da Região Centro-Oeste,
bem como a indústria de Minas Gerais. Ela revelou ainda que, dependendo da
oferta de matéria-prima, a empresa poderá instalar uma terceira fábrica no
Nordeste ou no Norte do país.
O plano do grupo italiano, em resumo, é absorver a totalidade dos resíduos
sólidos produzidos pelos curtumes brasileiros. “Nossa capacidade de
expansão é ilimitada porque há demanda reprimida desse tipo de nutriente
agrícola”, explicou Viviane. A Ilsa começou a operar em Verona em 1956 e,
em 1979, se transferiu para Arzignano, região de curtumes na Itália. No
ano passado, exportou sua produção para 31 países.
F. C. C.
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