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P R É V I
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Potencial do
mercado anima expositores da feira do saneamento
Marcelo Furtado
A vigésima
edição da Feira Nacional de Saneamento e Meio Ambiente, a Fenasan,
passará longe do pessimismo que sonda a economia nacional e mundial.
Pelo menos essa é a convicção da Associação dos Engenheiros da Sabesp
(Aesabesp), a |
organizadora do tradicional evento a ser realizado entre 12 e 13 de agosto
no Expo Center Norte, em São Paulo. Segundo o presidente da Aesabesp, Luiz
Narimatsu, a procura por estandes surpreendeu e já a três meses do evento
todo o espaço da feira estava vendido. Com 152 expositores confirmados,
Narimatsu chamou a atenção para a longa fila de espera que se formou
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de pretendentes a um estande. “Muitas empresas
mantiveram a esperança até o último momento de ocupar o espaço de
algum desistente, o que foi difícil de ocorrer”, comemorou o dirigente
da associação. A razão para o sucesso tem a ver, em uma primeira
análise, com a consolidação da Fenasan como a principal feira do
saneamento da América Latina. Mas provavelmente seu grande incentivo
se fundamente mais numa questão conjuntural: hoje, o saneamento básico
no Brasil representa uma grande oportunidade de negócios. |
Divulgação

Narimatsu: houve fila de espera para pretendentes a expor na feira |
“O mercado está muito aquecido e ainda há muito a ser feito no Brasil”,
afirmou Narimatsu. Prova disso, além da grande procura por estandes, será
a participação de empresas israelenses firmemente interessadas nas
oportunidades com o saneamento no Brasil. Os israelenses criaram uma
missão empresarial para tentar prospectar novos negócios na Fenasan. “E
isso sem falar nos outros estrangeiros, como franceses, italianos e
alemães, que estarão representados por várias empresas expositoras e entre
os 15 mil visitantes esperados”, completou.
O clima positivo em torno da feira, levando-se em conta o aspecto
conjuntural do setor de saneamento, deve ser mais creditado às
expectativas de longo prazo. Isso porque, na atualidade, apesar do bom
ritmo de obras, há ainda uma sensação de que muito mais poderia ser feito.
Dá até para resumir em números essa situação: apesar de o orçamento
federal reservar R$ 4,6 bilhões para investir em saneamento – via recursos
do FGTS – em 2009, apenas R$ 34,3 milhões foram contratados no primeiro
semestre. A explicação é a de sempre: o alto endividamento dos estados,
municípios e empresas de prestação de serviços impede a obtenção do
crédito do FGTS administrado pela Caixa Econômica Federal.
A situação do setor é bem explicada por Gilson Afonso, o presidente do
Sindicato Nacional das Indústrias de Equipamentos para Saneamento Básico e
Ambiental (Sindesam). Para ele, no primeiro semestre de 2009, as
encomendas foram lastreadas em obras de saneamento de alguns municípios e
companhias estaduais, poucas delas na relação de obras do famigerado PAC.
Projetos com maior velocidade e efetividade para os associados do Sindesam
ocorreram com a Petrobras, seguidos por financiamentos do BNDES por meio
das parcerias público-privadas (PPPs) para alguns poucos governos
estaduais e companhias municipais com saúde financeira. Nesses últimos
casos, houve também o pequeno uso do FGTS.
Apesar de a crise financeira não ter atingido a confiança dos
organizadores da Fenasan, a impressão deixada para os fornecedores da área
é um pouco diferente. Basta comparar com o cenário e a expectativa
anteriores à chegada da “marolinha” ao Brasil. Para o Sindesam, que vinha
de um 2008 excelente, isso se refletiu em uma queda brusca no projetado
para 2009. Acompanhando o ritmo dos investimentos, o sindicato previa um
crescimento de 30% nas vendas. Mas, já no primeiro quadrimestre, o
percentual caiu pela metade. Em relação ao mesmo período de 2008, as
vendas dos associados cresceram 15%. E a tendência é esse crescimento se
repetir no acumulado do ano. “Isso não significa que estejamos voltando
aos duros tempos do passado. Pelo contrário, houve apenas um impacto, mas
ainda estamos crescendo e tudo leva a crer que o saneamento é o negócio do
futuro no Brasil”, ressaltou Afonso.
O presidente do Sindesam não se deixa abater nem pelo fato de até a
Petrobras, que vem sendo a grande investidora em tratamento de água e
efluentes do momento, ter também reduzido um pouco a velocidade nas
compras. E nem pela morosidade das compras públicas de saneamento. “Não
poderemos comparar 2009 com 2008, que foi um ano excepcional, mas sim com
2007, o que vai demonstrar que ainda estamos em uma curva ascendente”,
explicou. Gilson Afonso tem razão. Apenas para lembrar, do dinheiro
disponível do FGTS para 2008, que totalizou R$ 5,9 bilhões, foram
contratados consideráveis R$ 3,6 bilhões. Muito diferente dos números
apresentados anteriormente no primeiro semestre de 2009.
O ritmo conjuntural que leva otimismo ao executivo tem a ver em primeiro
lugar com o presenciado na empresa que ele dirige, a Aquamec, com
crescimento surpreendente nos últimos anos. Mas também por sinais externos
bastante favoráveis. Além da nova lei do saneamento (11.445) estar em
breve regulamentada, há movimentos muito positivos, até mesmo para
resolver um dos piores problemas do setor: a falta de capacidade das 27
companhias estaduais para obter financiamento.
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“Elas estão se organizando, por meio da Aesbe
(Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais), para
padronizar políticas de recuperação financeira e operacional”,
explicou. Aliás, já era tempo: das 27, apenas oito são elegíveis aos
investimentos do PAC e do FGTS.
Outra grande oportunidade, na sua opinião, são as PPPs. “O momento é
extremamente importante para as parcerias vingarem de vez no Brasil e
se firmarem como a melhor maneira de se atingir a universalização dos
serviços de água e esgoto”, alertou Afonso. Isso porque há no momento
várias operações importantes usando essa modalidade de projeto em que
operadores privados, com a garantia lastreada pela cobrança das
tarifas do serviço público, conseguem obter grandes aportes |
Divulgação

Afonso: PPPs têm força para universalizar o saneamento |
de bancos de fomento. “Esse é o caminho para o saneamento: unir a
capacidade privada com a vontade e a garantia de longo prazo do serviço
público”, finalizou o presidente do Sindesam. Um bom motivo para os
participantes da próxima Fenasan ficarem bastante animados.
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