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Cuca
Jorge
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Mais seguros e fáceis de usar, contêineres
querem aposentar o uso de tambores
nos produtos químicos
Denis Cardoso
A crise econômica mundial fez balançar o até
então firme e crescente mercado brasileiro de contentores intermediários
para granéis (Intermediate Bulk Container - IBC, na sigla em inglês), a
ponto de alguns usuários desse tipo de embalagem industrial levantarem a
hipótese de voltar para os tradicionais tambores de 200 litros ou bombonas
plásticas, mais simples de manipular e com custos iniciais mais baixos. As
empresas de contêineres químicos reconhecem as mudanças de comportamento
de seus clientes – agora cautelosos em seus gastos –, mas apostam nas
vantagens operacionais e de segurança que os contentores proporcionam aos
usuários, além da força dos serviços de logística agregados à locação ou à
venda das embalagens. O recente aperto do governo na fiscalização de IBCs
reutilizados (lavados e descontaminados) que transportam produtos
perigosos também deve contribuir para um reaquecimento nas vendas de
contêineres novos, à medida que o controle mais rígido retire de
circulação os equipamentos sem condições de uso.
“A crise causou uma retração de demanda em todos os nossos negócios.
Sofremos uma queda na demanda de 17% no negócio de IBCs no primeiro
semestre deste ano em relação ao primeiro semestre de 2008”, comparou Luiz
Francisco da Cunha, gerente-executivo da Vasitex, que atua há mais de
quarenta anos no segmento de embalagens. No entanto, a companhia com sede
em Guarulhos-SP não teme perder mercado para outros tipos de embalagens e
deposita todas as suas fichas nos serviços de logística reversa e de
rastreamento, que, segundo Cunha, tornam o custo por litro do produto
envasado altamente competitivo em relação ao uso dos tambores. “Nós não
oferecemos apenas o contêiner e sim soluções para todo o ciclo pós-envase”,
afirmou.
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Cuca Jorge
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Produção de IBCs na Vasitex começa
com a coextrusão da parte plástica, que depois recebe a "gaiola" de
aço |
Ao falar de contentores, o sócio da Vasitex não disfarça o entusiasmo
gerado na empresa por conta da joint venture com a Schütz, uma das líderes
mundiais em embalagens industriais. A união com a alemã, efetivada no
início de 2008, permitiu à Vasitex trazer para o Brasil uma tecnologia
inédita: os IBCs multicamadas com características antiestática e de
barreira antipermeação, que estão sendo produzidos em escala industrial na
fábrica de Guarulhos.
Desenvolvidos com exclusividade pela Schütz, os novos IBCs prometem
acirrar a concorrência no mercado brasileiro de contêineres. “Novos
horizontes serão abertos no Brasil com a embalagem”, festejou Cunha.
“Antes, a gente operava apenas com IBCs recondicionados, por meio da
solução ‘ciclo de vida fechado’, em segmentos de mercado que podem usar
embalagens reutilizadas. Agora, passaremos a atuar também em outros
setores aos quais antes não tínhamos acesso, como tintas e vernizes,
cosméticos, agroquímicos, alimentícios e petroquímicos, cujo valor
agregado dos produtos e sua sensibilidade aos odores não permitem que
sejam envasados em embalagens recondicionadas, em virtude dos riscos de
contaminações”, comentou o executivo.
O sócio da Vasitex acredita que, em pouco tempo, a demanda retraída do
primeiro semestre será compensada pelos novos negócios gerados pelos IBCs
criados pela Schütz. “Já estamos produzindo em Guarulhos os contentores
plásticos de mil litros e tambores plásticos de 200 litros com três ou
seis camadas funcionais”, disse Cunha, acrescentando que essa nova unidade
de produção demandou investimentos de R$ 35 milhões e será inaugurada
oficialmente pela Schütz-Vasitex em novembro deste ano, provavelmente com
a presença do CEO da Schütz, Roland Strassburger (veja mais informações
nesta edição).
Como resposta ao lançamento da Vasitex, a concorrente NCG-Tankpool,
controlada pelo grupo alemão Mauser e a primeira a fabricar IBCs de
plástico no Brasil, a partir de 2000, também pretende inaugurar uma
unidade para produzir contêineres antiestáticos, como revelou à Química e
Derivados o seu diretor-executivo, Daniel Von Simson. “A matriz mundial da
Mauser vem se movimentando para que a nossa empresa comece a fabricar esse
tipo de IBC a partir do segundo semestre do próximo ano”, afirmou Simson,
completando que a tecnologia não é algo novo para a filial brasileira.
“Alguns de nossos clientes já utilizam contentores antiestáticos
importados da matriz”, disse o diretor da companhia.
Antiestáticos ou não, o diretor da NCG-Tankpool considera os contêineres
químicos um caminho sem volta para as indústrias que estão habituadas com
esse tipo de embalagem. “Principalmente quando o seu uso está associado
aos serviços de logística”, ressaltou Simson, que destacou também a
vantajosa relação custo/benefício dos seus projetos com IBCs. “Tiramos do
colo do cliente a responsabilidade pela logística de seus produtos, para
que ele passe a se concentrar exclusivamente em sua área de negócios, em
seu core business”, afirmou o diretor, que enalteceu o sistema de
rastreamento oferecido pela companhia. “Por meio de um software,
monitoramos todo o processo logístico, do início ao fim da operação,
incluindo transporte, envase, manutenção e lavagem dos IBCs”, explicou.
“Esse processo também permite que o nosso cliente saiba a localização
exata de cada contentor utilizado, o que lhe permite tomar decisões
importantes, como acelerar o retorno das embalagens do local do envase
para suas fábricas”, exemplificou Simson.
Segundo o diretor da Tankpool, o custo de um IBC de mil litros equivale ao
de cinco tambores de plástico de 200 litros, sendo que, na hora da
armazenagem, um contêiner ocupa um espaço menor, equivalente a um palete
de 1,20 metro quadrado, enquanto os cinco tambores ocupam uma área de
cerca de 1,60 metro quadrado, ou seja, uma economia de mais de 20%. O
formato dos IBCs, explicou Simson, também facilita o empilhamento e o
transporte das embalagens – é possível empilhar três contentores cheios em
cima do palete – e sua montagem sobre paletes permite reduzir os custos
com mão-de-obra para carregar e descarregar os equipamentos. Além disso,
ressaltou o executivo, o sistema de válvulas de descarga característico
dos contentores proporciona maior rapidez no processo de desenvase e mais
segurança contra acidentes ambientais, já que os seus mangotes permitem a
transferência do líquido transportado para outro recipiente sem
vazamentos. Outra vantagem do uso de contêineres em relação aos tambores
destacada pelo diretor da NCG-Tankpool é o menor desperdício gerado na
hora do desenvase. “Os IBCs quase não retêm resíduos, diferentemente dos
tambores, onde sempre fica um restinho”, comparou.
Assim como a Vasitex, a NCG-Tankpool também foi prejudicada pelas
turbulências na economia global. Segundo o diretor-executivo da
NCG-Tankpool, a crise, se não fez seus clientes mudarem o modo de
transportar os seus produtos, acendeu um sinal de alerta em toda a cadeia
produtiva, o que provocou uma paralisia momentânea no setor de embalagens.
“O mercado de vendas e de aluguel de contentores, tanto dos recuperados
quanto dos novos, praticamente parou no fim do ano passado e nos primeiros
meses deste ano”, informou. “No entanto, os negócios voltaram a crescer
nos últimos meses, sobretudo na área de produtos reciclados”, afirmou o
diretor da companhia, que é especializada em coleta e reaproveitamento de
embalagens usadas.
Segundo Simson, mesmo com a crise, o faturamento da NCG-Tankpool ainda vai
crescer entre 5% e 7% este ano em relação a 2008, embora em ritmo bem
abaixo da taxa de expansão de 20% a 25% registrada pelo grupo nos três
últimos anos. “Não é só pela crise que teremos um percentual menor de
crescimento, mas também pela própria consolidação do mercado brasileiro de
contêineres depois do forte ritmo de crescimento nesses quase dez anos de
existência no Brasil”, avaliou o executivo.
De acordo com Luis Fernando Trucharte, gerente de vendas da Fustiplast do
Brasil, outra grande fabricante de IBCs plásticos de mil litros, depois de
uma paralisação geral do setor, os negócios com IBCs estão perto da
normalidade, principalmente as operações envolvendo o mercado interno.
“Falta muito pouco para chegarmos aos níveis de 2008”, disse Trucharte,
que ainda vê um enorme potencial de crescimento deste tipo de embalagem no
Brasil. “Na Europa, o mercado de IBCs ainda cresce a uma taxa média de 10%
ao ano, enquanto as vendas anuais de tambores estão estagnadas, com
tendência de queda”, comparou o gerente da companhia, que também produz os
tambores plásticos de 200 litros. Na Itália, onde fica a matriz da
Fustiplast, a frota de tambores sofreu uma redução de 30% nos últimos
cinco anos, passando de um total de 5 milhões de unidades para os atuais
3,5 milhões.
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