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TINTAS ASSUMEM NOVAS FUNÇÕES PARA
MERCADOS EM RECUPERAÇÃO
Texto de Rose de Moraes e fotos de Cuca Jorge
As perspectivas de recuperação da
economia e de atração de novos investimentos no país, principalmente
nas áreas de infraestrutura e de construção civil, embasaram o
pronunciamento do presidente do conselho da Associação Brasileira dos
Fabricantes de Tintas (Abrafati), Fernando Val y Val Peres, ao
inaugurar a Abrafati 2009 – a 11ª. Exposição Internacional de
Fornecedores para Tintas e o 11º. Congresso Internacional de Tintas,
realizados de 23 a 25 de setembro, no Transamerica Expo Center, em São
Paulo. O discurso destacou os sinais de um cenário otimista para o
setor, com crescimento estimado em torno de 6% neste ano.
Na manhã do dia 23, as boas-vindas de Peres produziram efeito positivo
sobre os participantes da solenidade de abertura da Abrafati 2009,
este |
ano reunindo mais de 160 empresas expositoras e milhares de visitantes.
Mais uma vez, a entidade setorial conseguiu conciliar os negócios,
lançamentos de insumos e as mais recentes novidades tecnológicas para
tintas e vernizes.
“A sustentabilidade será a base para a nossa atuação e as tecnologias
deverão estar cada vez mais a serviço do meio ambiente e da qualidade de
vida”, afirmou Peres, com propriedade, tendo em vista o fato de ele também
ocupar a diretoria comercial de uma das maiores indústrias de tintas, a
Sherwin-Williams.
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Traduzidas em produtos, as tintas do futuro – algumas
delas já disponíveis –, tema central desta edição da Abrafati, segundo
Peres, vinculam-se a novos conceitos que deverão nortear as ações e as
estratégias de toda a cadeia produtiva nos próximos anos. A sigla
SHEPIDS – formada pelas iniciais das palavras em inglês safety
(segurança), health (saúde), environment (meio ambiente), protection
(proteção), innovation (inovação), decoration (decoração) e
sustainability |

Peres: sigla SHEPIDS aponta caminhos para o futuro |
(sustentabilidade) – resume o atual paradigma. Os novos produtos
oferecerão às indústrias de tintas e aos usuários finais um conjunto de
tecnologias adequadas e mais seguras, compatíveis com o conceito de
construção “verde”, com baixa ou nenhuma emissão de compostos orgânicos
voláteis (VOC), gerando menor volume de resíduos e menor impacto
ambiental. Decorrem de formulações em pó, esmaltes em base aquosa e com
aditivos também sustentáveis, que permitem produzir tintas mais duráveis,
sem toxicidade, aliando maior poder tintorial ao menor consumo de energia
na produção e na secagem.
Nesse rol de tintas de maior valor tecnológico foram arroladas as tintas
anticorrosivas para instalações críticas, as mais resistentes a
intempéries; os vernizes automotivos resistentes a riscos e/ou
autorregenerativos (self-healing); as tintas autolimpantes, entre muitas
outras possibilidades permitidas pelos avanços em insumos químicos.
Na linha de frente das pesquisas e dos novos desenvolvimentos propostos
pelos fornecedores, destacaram-se as matérias-primas obtidas de fontes
renováveis, que poupam o meio ambiente de poluentes agressivos à camada de
ozônio. Gradativamente, derivados da oleoquímica e de outras fontes
renováveis passam a compor cada vez mais as formulações, disputando
participação com os derivados petroquímicos.
“Pintar a casa, a nossa moradia, não pode se transformar em um pesadelo e
nossa missão é contribuir para que o nosso futuro, o futuro das tintas,
esteja alinhado à somatória de conceitos declarados na SHEPIDS, pois entre
os nossos maiores desafios estão o respeito ao meio ambiente e a busca de
soluções economicamente viáveis”, afirmou o presidente da Abrafati,
propagando condutas mais sustentáveis à produção brasileira, estimada em
mais de um bilhão de litros ao ano, e posicionada em 5º lugar no ranking
mundial.
Entre as várias sugestões feitas em público ao presidente da Abrafati – a
associação que congrega 22 empresas, responsáveis por 80% da produção
total de tintas no país –, teve destaque a criação de alíquotas de
impostos menores para as indústrias que implementarem ou acelerarem
processos de produção mais limpos e que passem a produzir tintas mais
sustentáveis e amigáveis ao meio ambiente e aos usuários.
Inovações do futuro – A Dow Coating Materials já aprovou
investimentos no valor de US$ 20 milhões que serão aplicados em expansões
produtivas e no desenvolvimento de novas tecnologias e soluções
sustentáveis para as indústrias de tintas, previstos para desembolso no
período de 2009/2010. A nova unidade de negócios, criada após a aquisição
da Rohm and Haas, ocorrida em 1º de abril deste ano, propiciou ao grupo
fortalecer a área de especialidades para as indústrias de tintas,
agregando competências e inovações para a fabricação das tintas do futuro.
“A Dow Coating Materials já está criando as inovações do futuro para que o
mercado de tintas possa evoluir o mais rápido possível”, afirmou José
Magalhães Fernandes, diretor de negócios da empresa para todos os países
da América do Sul. Um dos setores contemplados pela nova safra de
tecnologias é o automotivo para o qual foi desenhado um polímero acrílico
com função autocicatrizante (self-healing), capaz de regenerar todos os
componentes presentes na emulsão, incluindo pigmentos e o próprio
polímero, e que propicia à tinta o poder de autorregenerar-se após sofrer
riscos e arranhaduras, ampliando a durabilidade dos revestimentos.
Outra tecnologia inovadora da Dow Coating Materials, presente na nova
plataforma de produtos sustentáveis, possibilita emulsionar resinas de
poliuretano (PU) e resinas de epóxi em meio aquoso, antes apenas
emulsionadas em solventes como tolueno e xileno. O novo sistema PU tem por
base polióis obtidos de óleos vegetais e deverá oferecer benefícios para
os setores de tintas industriais, automotivas, aplicações em linha branca,
entre outros.
Apesar de estar em fase final de conclusão, essa tecnologia deverá ser
lançada dentro de um a dois anos. Isso porque, segundo Fernandes, a grande
questão que se apresenta no momento é torná-la viável economicamente,
tendo em vista seu ainda considerado alto custo para os padrões de consumo
dos brasileiros.
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As mais recentes pesquisas na área de tensoativos
surfactantes também resultaram em produtos desenvolvidos com base em
óleos vegetais, para substituir os surfactantes de base solvente,
oferecendo aos usuários tintas com pouco ou nenhum cheiro, a depender
das formulações.
Outra tecnologia que chamou bastante a atenção do grande público,
colocada em demonstração no próprio estande da Dow |

Fernandes: química ajuda a evoluir as tintas |
Coating Materials, foi a Invizi-Pro. Trata-se de película invisível que
tem por finalidade proteger tintas de uso interno e externo contra manchas
de tintas de canetas e de produtos alimentícios como ketchup, mostarda,
café, vinho, chocolate etc., para aplicação sobre paredes pintadas com
tintas acrílicas, tintas látex, PVA, entre outras. “Vários clientes já
manifestaram interesse nessa tecnologia no Brasil”, acrescentou Fernandes.
Tintas resistentes à poluição – Soluções para tintas de alta
resistência à lavabilidade e a manchas também foram apresentadas no
estande da Basf, entre os quais a nova dispersão acrílica pura (Acronal DS
6282X), resistente a poeiras ultrafinas e a sujidades domésticas. O
próximo passo, porém, será trazer ao mercado os frutos de novas pesquisas
que permitam formular tintas
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resistentes a poluentes, para uso em ambientes
externos. “Estamos implementando novas pesquisas voltadas ao estudo de
resinas hidrofóbicas e hidrofílicas para manter as tintas imobiliárias
para exteriores também mais limpas”, antecipou Edson Couto, gerente
técnico regional para a área de polímeros da América do Sul.
Outra resina acrílica destacada pela empresa foi a Acronal BS 700.
Trata-se de dispersão aquosa de um copolímero estireno-acrílico para a
fabricação de tintas econômicas decorativas, empregada como ligante, e que
confere alta resistência à abrasão e menor demanda de espessante. Seu
filme transparente, brilhante e flexível, apresenta teor de sólidos entre
49% e 51%, e também é isento de alquifenóis etoxilados (Apeo). |

Couto: novas resinas ajudaram a manter as paredes mais limpas |
Um novo agente dispersante (Ultradispers MD 21), também fruto de
desenvolvimento da Basf para tintas de alta concentração de pigmentos em
volume (ou PVC, no jargão setorial) permite adicionar altos teores de
cargas minerais às tintas e ainda conservar seu desempenho. “Com o
desenvolvimento de um novo copolímero acrílico, tornamos possível formular
tintas econômicas em base água, com teor de 10% de resinas, no padrão de
qualidade exigido pela Abrafati”, destacou Couto.
Outros destaques foram apresentados na área de pigmentos de efeito de
natureza orgânica, recém-integrados ao portfólio da Basf, após a aquisição
da Ciba Especialidades Químicas. “O diferencial dos pigmentos de efeito (Ximara
Fireball) está no seu processo de cristalização, que permite produzir
estruturas orgânicas com efeito visual brilhante, com nuances que abrangem
desde laranjas/dourados até vermelhos profundos, de acordo com o ângulo de
observação, apresentando também transparência, para aplicações
automotivas, em embalagens, papéis e gráficas, incluindo tintas para a
pintura de produtos eletrônicos e bens de consumo”, acrescentou Couto.
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Também presente ao estande da Basf, Wilson Carlos de Souza, diretor
técnico da área de coatings para a América do Sul, destacou a evolução do
país nos últimos anos na fabricação de matérias-primas e insumos, fato
comprovado até mesmo pelas exportações para países mais desenvolvidos.
“Nosso compromisso é desenvolver soluções que incorporem funcionalidades
técnicas às tintas, facilitem o processo de aplicação e promovam a
sustentabilidade pelo uso de matérias-primas renováveis, de tecnologias à
base de água e de baixo |

Souza: avanços tecnológicos devem ter custos adequados aos
mercados |
VOC, no entanto, também temos de nos preocupar com
os custos para que sejam viáveis para a compra dos usuários finais”,
comentou Souza.
Qualidade farmacêutica – Os últimos investimentos da Bayer
MaterialScience em pesquisa e desenvolvimento de novas matérias-primas
para a fabricação de revestimentos e adesivos ultrapassaram os padrões
habituais de qualidade existentes em vários setores industriais,
alcançando grau farmacêutico de boas práticas de fabricação, segundo
revelou Alberto Hassessian, gerente de coatings & adhesives para a América
Latina da empresa.
“E foi com base nesse padrão de produção que criamos a nova geração de
matérias-primas para tintas industriais e automotivas, formada por
sistemas aquosos ou sem solventes, apenas fazendo
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uso de resinas de baixíssima viscosidade, que estamos
apresentando como novidades para todos os mercados da América Latina”,
observou Hassessian. Para a indústria
automotiva, as principais inovações foram direcionadas aos sistemas
aquosos, baseados em dispersões de poliuretano.
“As grandes montadoras europeias já utilizam tintas com base em sistemas
aquosos bicomponentes de PU, gerados pela reação entre isocianatos da
linha Bayhydur e polióis da linha Bayhydrol. No Brasil, por enquanto, três
montadoras também intencionam aderir à nova solução, já tendo homologado a
nova tecnologia e começaram a seguir os mesmos passos das europeias, |

Hassessian reforçou a oferta de PU especial para setor automotivo |
comprovando que, em termos de resistência, as dispersões de PU não deixam
nada a dever e são comparáveis aos sistemas em base solvente”, comentou o
gerente.
Outra inovação apresentada pela empresa contemplou a área de adesivos.
Trata-se de dispersões de PU e de policloropreno, ambas em base aquosa,
pertencentes à linha Dispercoll, desenvolvidas para atender o mercado
calçadista para promover a substituição de sistemas em base solvente. As
novidades já estão sendo utilizadas nos grandes polos de produção da
Região Sul e em Franca-SP, trazendo benefícios à segurança e à higiene do
trabalho e à preservação do meio ambiente.
A divisão do grupo Bayer, porém, já oferece ao mercado mais de 400
matérias-primas em base aquosa, nas mais variadas versões para aplicações
industriais, automotivas, em repintura automotiva, em madeiras e em
plásticos, e pretende num próximo passo também expandir as aplicações de
dispersões de policloropreno para a colagem de espumas em indústrias de
colchões, móveis, estofamentos e tetos automotivos.
Propanodiol renovável – A Dupont Coatings & Color Technologies
também está bastante avançada no desenvolvimento, produção e oferta de
tecnologias mais sustentáveis para aplicações em tintas. Lewis E. Manring,
vice-presidente de tecnologia da empresa, baseado em Wilmington, nos
Estados Unidos, veio para a Abrafati para salientar algumas descobertas
resultantes de vários anos de pesquisas.
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“No final dos anos de 1990, a DuPont descobriu que por fermentação poderia
transformar a glucose do milho ou da cana-de-açúcar em glicerol, que, por
sua vez, se transformaria em propanodiol, como já é fabricado desde 2006
na fábrica de Loudon, no Tennesse, capaz de produzir 40 mil t/ano, sendo
uma alternativa ao propanodiol petroquímico”, recapitulou o
vice-presidente da DuPont Coatings. Esse insumo de origem natural é
indicado para tintas e vernizes para pintura de caminhões e também pode
ser usado em outras aplicações, como a produção de fibras destinadas à
fabricação de carpetes.
“O importante é despertar a consciência dos profissionais e empresas
para que enxerguem novas oportunidades no usode tecnologias
sustentáveis. Cabe aos fabricantes de matérias-primas liderar as
mudanças envolvendo todos os |

Manring divulgou o propanodiol obtido de fontes renováreis |
elos da cadeia produtiva de tintas, entre outras, porque os cientistas já
diagnosticaram a presença de 720 gigatoneladas de CO2 na atmosfera”,
ressaltou Manring.
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