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AMBIENTE
Fitabes mostra saneamento em evolução
A falta de
recursos para a área de saneamento no Brasil não é mais o principal
problema a ser enfrentado pelas companhias de água e esgoto dos Estados e
municípios. O desafio agora é encontrar sistemas de gestão que reduzam
gastos e abram caminhos para a esperada universalização do saneamento
nacional – uma meta possível daqui a vinte anos, na visão da presidente da
Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), Cassilda
Teixeira de Carvalho.
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Na abertura do 25º Congresso Brasileiro de Engenharia
Sanitária e Ambiental (Cbesa), promovido pela Abes de 20 a 25 de
setembro passado, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda,
ela chamou a atenção para a necessidade de mudanças culturais na
gestão do setor que anda defasada em relação aos avanços na
canalização de recursos. “A gente ainda contrata hoje como na época do
Banco Nacional da Habitação, o BNH. Europa e Estados Unidos contratam
soluções, nós também precisamos focar nos resultados, no compromisso”,
declarou. |
Carlos Berg/Divulgação

A feira em Olinda teve mais de 230 expositores e foi bem visitada |
Endossando a declaração de Cassilda, de que dinheiro não é
mais o grande problema, a presidente da Caixa Econômica Federal, Maria
Fernanda Coelho, revelou que o Programa de Aceleração do Crescimento, o
PAC, reserva R$ 40 bilhões para o saneamento no Brasil, dos quais R$ 27
bilhões foram contratados desde 2007. “É um volume superior ao que foi
investido nos dez anos anteriores, estamos num novo patamar”, assegurou.
Para a presidente da Abes, os recursos foram mais substanciais nos últimos
quatro anos e, aliados ao marco regulatório do saneamento instituído pela
lei 11.445/07, deram ao país condições de se preparar para alcançar a
universalização em apenas duas décadas. A meta ainda parece difícil quando
vimos que, embora 80% da população urbana brasileira tenha água encanada,
só 50% tem esgoto e, desse percentual, apenas um terço é tratado. Isso
significa, segundo ela, que mais de 100 milhões de brasileiros não têm
rede de esgoto e 140 milhões não possuem esgoto tratado. “As áreas mais
carentes são as favelas e terrenos invadidos que ligam os problemas do
saneamento aos fundiários”, diz.
O Secretário Nacional de Saneamento Ambiental, Leodegar da Cunha Tiscoski,
representando o ministro das Cidades, Márcio Fortes, na abertura do
Congresso da Abes, disse que o presidente Lula determinou, por decreto,
que o biênio 2009-2010 será o do saneamento no Brasil. E, nesse sentido, o
Ministério das Cidades incentiva os planos estaduais e municipais do setor
com o avanço na legislação dos consórcios. “Já temos mais de 1.800 obras
contratadas no Brasil com recursos do Orçamento Geral da União,
contrapartidas e financiamentos a preços de mercado. Há um esforço
significativo para a transformação efetiva do saneamento no país”,
afirmou.
Cassilda acredita na capacidade de se construir projetos que visam essa
transformação, mas defende a aplicação de recursos em planejamento e
gestão a fim de evitar despesas com obras. “Muitas vezes se constrói uma
estação de tratamento com perdas de água de 50%. Mas isso pode mudar com
uma visão sistêmica e planejamento. É preciso mudar a cultura, os
processos, porque gestão tem a ver com comportamento”, afirma, lembrando
que essa evolução não ocorre com tanta rapidez quanto a tecnologia puxada
pelas demandas da indústria e do consumo.
Um caminho passa pelo Prêmio Nacional de Qualidade no Saneamento (PNQS),
criado pela Abes há treze anos e que, durante o 25º Congresso, ganhou um
forte aliado: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES). O banco é o patrocinador da edição especial na categoria Gestão
Orientada à Universalização dos Serviços de Água e Esgotos, criada junto
com a Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, para incentivar as
empresas de água e esgotos do país a trabalhar com ferramentas modernas de
gestão. “A ideia é mostrar e premiar quem já está próximo à
universalização. Pode ser desde uma pequena cidade a um Estado”, explica a
presidente da Abes. Segundo ela, as empresas de abastecimento e saneamento
mais adiantadas do país são as dos Estados de São Paulo, Minas Gerais,
Paraná, Ceará e da Bahia.
Para concorrer ao PNQS as companhias avaliam seus pontos fortes e fracos,
geram relatórios de gestão enviados a auditores que checam as informações
e emitem novos relatórios para os juízes da Abes. A seleção da edição 2009
será em outubro e os ganhadores, em dezembro, vão conhecer a política de
gestão da Bélgica. “Procuramos trazer o que os países desenvolvidos têm
feito”, diz Cassilda Teixeira de Carvalho.
A feira – A VIII Feira Internacional de Tecnologias de Saneamento
Ambiental, a Fitabes, mostrou que a área de saneamento vem gerando bons
negócios para todos os segmentos relacionados ao controle da poluição
ambiental – foco das 232 empresas que participaram da feira, realizada
durante o 25º Congresso da Abes, no Centro de Convenções de Pernambuco, em
Olinda.
A Fitabes, anunciada como a maior do setor na América Latina, vai muito
além de um espaço para as companhias estaduais de saneamento como a
Compesa (PE), a Sabesp, a Copasa (MG) e a Caesb (DF) apresentarem seus
estandes institucionais e principais projetos. As empresas que orbitam no
universo do saneamento aproveitam a feira para exibir tecnologias como os
dessalinizadores de água por osmose reversa da Perenne, de São Paulo, com
fábrica instalada há dezoito anos em Feira de Santana e filial em São José
dos Campos. O equipamento-padrão para dessalinização de água salobra de
poço tem capacidade para tratar 400 litros por hora, o suficiente para o
consumo de 200 pessoas por dia. Os equipamentos atendem principalmente as
prefeituras do interior do Nordeste.
“Essa máquina é muito vendida para dessalinizar água do mar e de poços
porque, além de remover sais da água, trata as águas contaminadas,
retirando vírus e bactérias”, explica a gerente de marketing da Perenne,
Cristiane Gazana. Com preços a partir de R$ 20 mil, as máquinas são
produzidas para cada cliente, adequadas à qualidade da água que será
tratada. “Trabalhamos com soluções para tratamento de água e efluentes
para empresas públicas e privadas e não produzimos equipamentos que possam
ser classificados como comuns. Cada um deles passa por cálculos
específicos dos engenheiros da Perenne a fim de atender à demanda do
cliente”, assegura a gerente.
O diretor-comercial, Jeferson Carvalho, lembra que a Perenne é responsável
pela dessalinização da água do mar da Ilha de Fernando de Noronha,
território de Pernambuco, onde são processados 36 mil litros (36 m³) de
água do mar por hora para ser usada nas charmosas pousadas da Ilha e nas
casas dos ilhéus. A partir de outubro, o governo de Pernambuco lançará uma
licitação para ampliar esse volume para 48 m³/hora e a Perenne não vai
deixar de concorrer.
Enquanto a Perenne traz alternativas para livrar o nordestino do
carro-pipa, a finlandesa Kemira vem investindo no crescimento do mercado
de saneamento com coagulantes inorgânicos em sete fábricas no Brasil, uma
delas em Salvador. Mesmo sem lançamentos na Fitabes, o estande da empresa
era um dos mais visitados por técnicos e gestores de companhias
municipais, estaduais e privadas. “O mercado está aquecido e os
investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)
estimulam nossa empresa”, declarou o gerente de vendas da Kemira, Marcio
Cipriani.
Etiene Ramos
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