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Cuca Jorge

Torre EF1901 da Quattor opera com seis ciclos |
Clientes exigem resfriamento de baixo custo
Marcelo Furtado
Se tradicionalmente o mercado de
condicionamento químico de água para resfriamento industrial sempre foi
muito competitivo, com o agravamento da crise econômica iniciada no final
do ano passado a situação se intensificou. Também não era para menos, o
começo de 2009 já está para ser registrado pela totalidade dos
competidores da área como um dos piores da história.
Essa é a opinião, por exemplo, de uma das principais do segmento, a Kurita,
que possui grandes contas de tratamento na química e petroquímica e na
siderurgia, considerados os setores com maiores necessidades de
resfriamento de água. Segundo seu superintendente de operações, José
Aguiar Jr., nunca antes a empresa tinha presenciado uma queda de
faturamento tão grande, sem perder clientes, como o ocorrido no primeiro
trimestre de 2009. “Em comparação com o mesmo período, houve retração de
8%, quando historicamente nessa fase crescemos até 10%”, afirmou.
Também não custa lembrar que durante esses meses difíceis clientes
importantes estavam sob pesada recessão. Dos 14 autofornos das
siderúrgicas brasileiras, seis permaneceram parados e apenas recentemente
começaram a ser religados. E também a petroquímica estava sob marcha
lenta, o que ajudou a completar o quadro pouco animador.
A partir de abril, porém, o cenário começou a dar sinais de melhoria, o
que culminou de fato em junho, quando pela primeira vez no acumulado do
ano houve um pequeno aumento no faturamento, de 1%, em comparação com
janeiro a junho de 2008. “Isso nos faz crer que o ano não será perdido e
pode registrar um pequeno crescimento”, completou Aguiar. Boas
sinalizações, para ele, nascem de contratos recentes com a Oxiteno, para
quem a Kurita passará a tratar o sistema de resfriamento em Capuava-SP e
em Triunfo-RS, das vitórias em concorrências na Refinaria Presidente
Bernardes de Cubatão-SP (RPBC), no primeiro semestre, e da Regap, em
Betim-MG, mais recentemente, e da conquista da conta da unidade da Braskem
PE-5 (ex- Ipiranga) em Triunfo.
O registro do desempenho aquém do esperado na Kurita se torna mais
relevante ao se tomar conhecimento de que a empresa tem a conta de
tratamento das torres de resfriamento de seis das dez refinarias do país e
de três das quatro plantas de eteno (só não trata a da central de
matérias-primas da Braskem no polo de Camaçari, na Bahia). Seu desempenho
apenas recentemente em recuperação deve refletir panorama semelhante ou
pior nas demais concorrentes, empresas como Nalco, GE e Buckman.
Por desempenho – Esses momentos mais críticos da economia são
agravados quando os segmentos afetados já estão imersos em competitividade
muito alta, como é o caso do formado pelos fornecedores de tratamento
químico para água. Isso porque antes mesmo do aperto provocado pela
economia esses fornecedores já tinham se acostumado a viver em um ambiente
de extrema exigência por parte dos clientes. Há alguns anos prevalece
entre boa parte da indústria a busca incessante por minimização de custos,
visando o racionamento de uso da água, que precisa ser condicionada com
menos produtos químicos possível. Junte-se a esse momento o fato de o
concorrente do tratador das torres estar sempre à espreita para
substituí-lo em alguma conta interessante e está criado o cenário para se
viver sob constante tensão, cortando onde for possível para manter o
quadro de clientes.
Um case interessante para ilustrar essa análise do setor vem da central de
matérias-primas do polo petroquímico paulista, em Mauá-SP, na Quattor, a
ex-PqU. Para conseguir superar um antigo problema de seus contratos de
prestação de serviços para o tratamento de suas duas torres de
resfriamento, a central passou a pagar as empresas por critério de
desempenho. Isso significa,
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segundo explicou o coordenador de utilidades da
Quattor, Altino Bento, que a empresa precisa manter a taxa de corrosão
do sistema no padrão de 1,5 mpy (milésimo de polegada por ano). Se
conseguir abaixar a meta, ganha bônus no pagamento, mas se
ultrapassá-la, há uma penalidade.
Segundo ele, esse critério fez com que o uso de produtos químicos para
o controle do sistema fosse racionalizado. “Dessa forma eles precisam
manter a água sob controle |
Cuca Jorge

Bento: Quattor passou a remunerar por critérios
de desempenho |
ideal, sem excesso de químicos, pois o que vai contar no final, para eles
poderem receber mais pelo tratamento, será o bom desempenho e não a
quantidade de produtos”, afirmou Bento com a experiência acumulada de 37
anos na central petroquímica. Antes dessa medida, iniciada em meados de
2004, sempre havia a dúvida se o volume de produtos para tratar a
problemática água do polo era realmente necessário, principalmente porque
a taxa de corrosão da unidade anteriormente era muito maior do que a de
hoje.
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A atual contratada na Quattor, a Kurita, consegue
manter a taxa de corrosão em 1 mpy e está sendo bonificada já há dois
anos por isso em parte do seu pagamento mensal. Para o líder da área
técnica da Kurita, Antonio Ricardo Carvalho, a conquista se deveu
principalmente ao uso do cloro estabilizado (marca Optimax). “Como a
água do polo demanda alta dosagem de biocidas, o uso deles tende a
elevar em muito a taxa de corrosão do sistema, comprometendo a planta
no longo prazo”, afirmou.
Com os estabilizantes empregados na formulação do hipoclorito de sódio
da fórmula Optimax, a ação |
Cuca Jorge

Carvalho: cloro estabilizado gerou bônus por tratamento em Mauá |
biocida se estende para além das bactérias planctônicas (sobrenadantes na
água), penetrando também nas chamadas bactérias sésseis que formam os
biofilmes e algas na superfície metálica. Esses estabilizantes patenteados
usados pela Kurita reduzem a reatividade do hipoclorito e fazem com que
ele permaneça na água o suficiente para remover os contaminantes. Ao
contrário de outros oxidantes, que possuem ação enérgica muito elevada,
com risco de corrosão, e rápida, o que os tornam eficientes apenas contra
as planctônicas, pois não têm tempo de residência para eliminar biofilmes
e algas.
E era isso o que ocorria no tratamento anterior na Quattor, quando era
empregado dióxido de cloro, de alto poder oxidante. Gerado in situ, com a
reação do clorito de sódio com ácido sulfúrico (com tecnologia da Clariant),
o ambiente do tratamento se tornava muito ácido, com a geração de cloretos
que aumentava a taxa de corrosão para padrões acima de 2 mpy. E isso sem
falar que a queda do pH e a elevada condutividade favoreciam a formação de
biofilme que não era removido pelo instável oxidante. Tanto foi assim que
na última parada da central em 2008, segundo Altino Bento, havia muita
lama nas torres.
Água ruim – O caso na Quattor em Mauá é ainda especialmente
importante para ilustrar uma discussão sobre tratamento de água para
torres – onde por sinal as indústrias normalmente mais consomem água – por
se tratar de um local de muita criticidade. O manancial da região é
extremamente poluído e vem do Rio Tamanduateí. Embora o custo da água
fluvial seja relativamente baixo (cerca de R$ 1/m3), sua qualidade é muito
baixa do ponto de vista de corrosão, deposição e fouling (incrustação)
microbiológico. Apesar de passar por processo de filtração e cloração, a
água vinda do rio mesmo assim contém alto nível de amônia, matéria
orgânica, turbidez e sólidos suspensos.
E por causa principalmente da amônia deve-se utilizar um efetivo programa
microbiológico, para evitar problemas de contaminação e corrosão em
sistemas contendo cobre e suas ligas, chegando a pontos de pitting e de
corrosão por stress. Ademais, se a corrosão do cobre não for controlada de
modo adequado, os íons cobre da água podem depositar-se sobre as
superfícies de transferência térmica de aço carbono, gerando sérios
problemas de corrosão galvânica. Isso sem falar que os sólidos suspensos
na água podem levar à deposição e corroer sob depósito os trocadores de
calor. Todo esse perfil, aliado ao fato de a composição da água de
reposição não ser constante, exige monitoramento adequado.
A captação no Tamanduateí é feita pela Refinaria de Capuava (Recap), da
Petrobras, que mantém duas estações de tratamento de água: a ETA 1 serve a
refinaria e a ETA 2 prepara de forma primária a água para a central
petroquímica, que se encarrega de finalizar o tratamento para uso próprio
e para distribuição para as demais empresas do polo.
O Rio Tamanduateí, classe 4, recebe in natura esgotos domésticos e
industriais, com alto grau de contaminação e complexidade. Além disso,
passa a maior parte do ano com baixa vazão e conta com alto teor de
matéria orgânica e de amônia entre 70 e 130 ppm, resultante dos descartes
domésticos, o que aumenta a necessidade de manutenção dos equipamentos por
causa da sua corrosividade. Bom acrescentar que, além da água do rio que
vem pré-tratada pela Recap – em volume de cerca de 750 m3/h –, a Quattor
ainda necessita complementar o consumo do complexo petroquímico (mil m3/h)
com 200 m3/h de água potável comprada da Sabesp (muito cara, cerca de R$
5/m3) e com 60 m3/h de rejeito salino da nova unidade de osmose reversa da
central, que, aliás, segue diretamente para as torres da central. A compra
da água municipal é considerada um grande gargalo da operação, em virtude
do seu alto custo.
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