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Capital humano – Essa criticidade do sistema na Quattor de Mauá, na
opinião de Altino Bento, faz com que o tratamento das torres tenha muitas
peculiaridades e demande atenção e conhecimento pleno do sistema pelos
responsáveis pelas dosagens químicas da água de alimentação. “Há variações
importantes. Não dá para confiar em programações de médio prazo, porque de
uma hora para outra a água muda”, explicou. Para ele, isso faz com que o
“capital humano” seja o grande diferencial na prestação de serviço, até
mais importante do que as tecnologias químicas para manter o controle da
corrosão, incrustação e da contaminação microbiológica. “Produtos de
qualidade, todas as fornecedoras importantes têm, o que vai diferenciar o
bom tratamento do ruim é o profissional que atende a nossa conta”, revela
Bento. Apesar disso, o coordenador não deixa de reconhecer a importância
que foi para a operação ter deixado de lado a cloração e o dióxido de
cloro, por meio do uso do cloro estabilizado e do programa de dispersantes
da Kurita. “Isso tornou o tratamento menos agressivo e de risco”,
explicou.
A Quattor na central de Mauá conta com duas torres: a EF901, a mais antiga
delas, na central desde sua fundação há quarenta anos, com 11 células de
ventilação e vazão de 19 mil m3/h; e a EF 1901, em operação desde 1994 e
que já passou por duas ampliações, totalizando hoje oito células e com
vazão de 9 mil m3/h. A primeira é com estrutura de madeira e a segunda,
mais nova, de concreto, as quais operam, respectivamente, com ciclos de
concentração de sais de 6,5 e 6.
Como nota interessante da prestação de serviço para tratamento químico das
torres de resfriamento na Quattor, Altino Bento alerta que em breve a
petroquímica, que hoje concentra uma afinidade de ativos da Unipar, Suzano
e Petrobras, deve começar a fazer concorrência corporativa. Ou seja, o
vencedor passará a tratar de todas as torres da Quattor no Brasil. Aliás,
se a promessa de união com a Braskem se concretizar, o que tem sido
aventado, essa concorrência poderá ser ainda maior.
Aquapolo vem aí – A previsão no futuro na central da Quattor em
Mauá, a despeito da péssima qualidade atual da água, é a de que os ciclos
de concentração das torres aumentem. Isso não por causa de mudanças no
tratamento, visto que tecnicamente é muito difícil garantir conquistas
maiores nesse quesito. Mas em virtude de fato prestes a ocorrer no polo
paulista: a central contará com nova fonte de abastecimento de água, por
meio de antigo projeto de água de reúso que finalmente saiu do papel em
uma parceria entre a Sabesp e a empresa de engenharia ambiental da
Odebrecht, a Foz do Brasil.
Pelo projeto, denominado Aquapolo, será construída uma elevatória e uma
estação de tratamento de água na ETE ABC da companhia paulista, onde será
polido o esgoto tratado da região (com oxidação da amônia) para fornecer
650 litros de água de reúso por segundo (o equivalente ao consumo de uma
cidade como Jundiaí, em São Paulo, com 350 mil habitantes), por meio de
adutora de 16,5 km que chegará até a central petroquímica.
Além de livrar a Quattor da água de baixa qualidade tratada pela Recap, o
projeto avaliado em cerca de R$ 120 milhões, com contrato para
fornecimento de 24 anos e prazo de entrega para 2012, segundo Altino
Bento, vai facilitar o condicionamento da água de resfriamento. “A
qualidade da água será muito maior, já que ela na nova unidade Foz-Sabesp
passará por uma ETE e uma ETA, ao contrário do que ocorre hoje, onde a
água do Tamanduateí, praticamente um esgoto puro, só passa por uma ETA”,
disse. Segundo ele, esses predicados permitirão aumento dos ciclos de
concentração e consequentes economias de água de reposição e de consumo de
químicos. “E também não precisaremos mais complementar a demanda com a
cara água potável da Sabesp na região”, completou. A estimativa é a de que
o custo da compra de água caia pela metade para a Quattor.
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Bento está esperando também com a nova água uma
melhora substancial no custo global do tratamento, incluindo aí a
manutenção periódica e geral dos trocadores de calor. Hoje os dois
principais trocadores, na torre EF901, passam por limpeza completa a
cada parada, em período de seis anos, enquanto os demais a cada ano
precisam ser revistos.
Além da melhora qualitativa, é bom lembrar que o projeto atende aos
planos de expansão do polo, que ampliou em 2008 |
Cuca Jorge

Torre EF901 da Quattor: taxa de corrosão
de 1 mpy |
sua produção de eteno de 500 mil t para 700 mil t/ano. Até pouco tempo a
expansão (também as da segunda geração petroquímica) estava comprometida
em virtude das expectativas de escassez de água. Isso por um motivo
surrealista: se a cidade de Mauá passar a coletar e tratar seu esgoto, o
que deve ocorrer no médio prazo, a vazão do Tamanduateí no ponto de
captação praticamente some. Com o projeto de reúso, concebido para poder
ampliar no futuro o abastecimento para mil litros por segundo, esses
problemas acabam para a central e para as doze empresas do polo
dependentes dessa água.
Reúso importante – Quando se leva em conta que as torres de
resfriamento são, em geral, as maiores consumidoras de água na indústria
pesada, é vital defender projetos de reúso. Em média, elas respondem por
70% do consumo de uma unidade. Para se ter uma ideia, na planta de
poliestireno da Dow Química, no Guarujá, em São Paulo, do consumo médio
total de 1.534 m3 por mês de água em 2009, 65% foi para suas duas torres
(uma reserva).
Segundo o líder da planta da Dow, Luis Carlos Cortes, esse percentual
ainda é fruto de um plano de minimização do consumo, que incluiu nos
últimos anos medidas de reúso. “Há coleta de água da chuva na área da
fábrica e do telhado de um armazém que passou a ser direcionada para a
torre”, afirmou Cortes. As iniciativas reduziram o percentual de uso de
água nova na torre: em 2007, quando o consumo médio mensal era de 1.775
m3, representava 79%; em 2008, com 1.561 m3/mês, caiu para 74%, até chegar
aos atuais 65%.
O uso da água pluvial teve ainda outros benefícios, na explicação de Luis
Cortes. “Por ser praticamente isenta de sais, o tratamento não foi afetado
e os ciclos de concentração aumentaram, diminuindo bastante o make-up”,
disse. “E não foi preciso alterar a quantidade de produtos químicos.” Além
desse tratamento, a Dow bombeia toda a água pluvial para um filtro de
areia antes da entrada na torre, para remover sólidos suspensos
principalmente.
O máximo de aproveitamento de água para torres de resfriamento é premissa
básica para qualquer indústria interessada em levar a sério o conceito do
reúso. Não é por outro motivo que a Petrobras, em promoção em suas
refinarias das maiores obras da atualidade nessa área, fundamentou grande
parte dos projetos de reúso com o propósito de alimentar suas imensas
torres de resfriamento (o maior sistema de resfriamento industrial do
Brasil é o da Replan, em Paulínia, com vazão de tratamento de 48 mil
m3/h).
Há vários sistemas novos em implantação nas refinarias que visam o
reaproveitamento de água para torres. Na Refinaria Gabriel Passos (Regap),
em Betim-MG, foi instalado um sistema piloto de decantação acelerada, com
microareia e sedimentação lamelar, acoplado a uma eletrodiálise reversa (EDR),
para tratar 60 m3/h de efluentes para reúso em reposição em torre de
resfriamento. Essa experiência piloto serviu para a Petrobras definir os
módulos de EDR em futuras concorrências como uma das tecnologias para
preparo de água para torres de resfriamento ou para reaproveitamento da
purga das torres (este último caso tem sido implementado na refinaria
paranaense, a Repar). Isso principalmente porque conta com operação
robusta, de fácil manutenção e que suporta maiores contaminações orgânicas
e ao cloro. Apesar de remover sais em um grau inferior à osmose reversa, é
suficiente para garantir boa operação em circuitos de resfriamento com
custo de operação e instalação inferiores aos das unidades com membranas
de osmose reversa.
Ter poucos sais na água das torres é bom para garantir ciclos de
concentração maiores, mas não é obrigatório para as torres.
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Tanto é assim que muitas utilizam rejeitos salinos de
processos de desmineralização, caso da própria Quattor Petroquímica.
Mas, de forma geral, os técnicos envolvidos com o tratamento sabem que
quanto melhor a qualidade da água de reposição, melhor será a relação
custo/benefício, com os ganhos evidentes na manutenção e conservação
dos equipamentos.
A Quattor, segundo Altino Bento, recupera um filtro lateral para
melhorar a água das torres. E a Kurita, a atual contratada da
petroquímica, fornece desses sistemas em vários de seus clientes, até
mesmo em unidades vizinhas da central petroquímica da Quattor. Na
unidade de polietileno da Quattor PE/ABC (ex-Polietilenos União), há
dois filtros laterais. Ambos, segundo o líder de tecnologia Antonio
Ricardo Carvalho, melhoraram de tal forma o tratamento que hoje a
torre opera a oito ciclos de concentração. “Os filtros e |
Cuca Jorge

Aguiar: monitoramento suporta melhorias no tratamento químico |
um sistema de automação para acompanhamento e monitoramento bem projetados
suportam muito bem o tratamento químico. Posso afirmar que hoje são
ferramentas importantes para garantir o máximo de eficiência”, explicou o
superintendente José Aguiar Jr., da Kurita. “E isso significa redução do
consumo de água, o que hoje é meta de qualquer empresa séria”, completou o
executivo.
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