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Cuca Jorge
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Monitoramento das
fábricas reduz a despesa com biocidas e garante a qualidade final
Denis Cardoso
Há 66 anos no mercado brasileiro,
a Universo é uma das mais tradicionais fabricantes de tintas do país.
A larga experiência no setor, porém, não impediu que a empresa fosse
pega de surpresa, há dois anos, por uma rápida e avassaladora
proliferação de micro-organismos em sua fábrica, em Diadema-SP, gerada
pela entrada de uma emulsão acrílica contaminada adquirida de um de
seus fornecedores. |
“Infelizmente, quando conseguimos detectar o problema, já haviam se
passado três dias desde o ingresso do produto contaminado, tempo
suficiente para que ocorresse o comprometimento do nosso sistema de
tancagem”, relembra Douver Martinho, sócio-diretor da Universo. Após a
descoberta das contaminações microbiológicas, ele acionou sua equipe
especializada em higienização. “Imediatamente, iniciamos um trabalho de
desinfecção em toda a unidade industrial, percorrendo não só os tanques,
mas tubulações, tachos, reatores, entre outros equipamentos”, conta. O
rápido processo de limpeza dos componentes presentes na fábrica, aliado ao
uso de biocidas na dosagem correta, segundo Martinho, evitou, na época,
que a tinta pronta para o consumo fosse enviada aos pontos-de-venda com
algum tipo de contaminação, o que seria um desastre para a imagem de uma
empresa do porte da Universo, bastante reconhecida no segmento de tintas
decorativas imobiliárias, sua única área de atuação.
Registros de casos como o ocorrido com a Universo, entretanto, não são
raros dentro de uma fábrica de tintas, ambiente onde há um número grande
de compostos que servem de nutrientes para os micro-organismos, além da
própria tinta, produto que, na maioria de suas formulações, é composto por
um grande volume de água, insumo naturalmente sujeito a contaminações
microbiológicas. No entanto, cientes do problema, os fabricantes de tintas
não só têm redobrado a atenção para esse tema, como estão buscando cada
vez mais a ajuda especializada de terceiros para combater e prevenir
possíveis focos de micro-organismos em suas instalações.
Confiança mútua – Percebe-se no mercado um avanço das parcerias
entre fornecedor de biocidas e as empresas produtoras de tintas. Ou seja,
na hora de fechar um contrato de venda de agentes microbicidas
(fungicidas, bactericidas e algicidas) que serão inseridos na composição
das tintas, o fabricante desses componentes também assume todo o controle
microbiológico da linha de produção do cliente. “As empresas de tintas
estão se dando conta de que o trabalho em parceria é a melhor maneira de
se repelir os micro-organismos nas tintas e no ambiente produtivo”, afirma
Fernando Cezar Scandoleira, gerente-comercial da Miracema-Nuodex.
Há três anos como funcionário da empresa sediada em Campinas-SP e com
vinte anos de experiência na área química, Scandoleira observa uma mudança
de atitude por parte dos fabricantes de tintas, que, na sua avaliação,
estão menos receosos em abrir informações de seus produtos a terceiros.
“No passado havia uma certa resistência das empresas de tintas em trocar
informações estratégicas e sigilosas com os fornecedores de biocidas”, diz
o gerente. Para ele, atualmente há maior confiabilidade em relação aos
serviços prestados tanto pela Miracema quanto por outras companhias do
setor.
O maior chamariz das empresas de biocidas são os seus modernos
laboratórios de microbiologia, colocados à disposição dos clientes para
eliminar suas preocupações em investir pesado em pesquisa, desenvolvimento
e monitoramento de moléculas, atividades atualmente impraticáveis em um
mercado cada vez mais competitivo nas tintas. Esses modernos laboratórios
oferecem, entre outras atrações, salas de inoculação climatizadas para a
cultura de micro-organismos, câmaras tropicais para testes de avaliação de
resistência contra ataques de fungos em diferentes materiais, sala para
ensaios com algas, além de equipamentos para acompanhamento químico de
amostras junto com avaliações microbiológicas.
Os agentes biocidas são utilizados para prevenir as contaminações
microbiológicas tanto na tinta úmida quanto no filme seco. A proteção
dentro da lata (in can) inibe a proliferação bacteriana, garantindo a
durabilidade da tinta envasada. O uso adequado de fungicidas e algicidas
impede o desenvolvimento de fungos e algas sobre os filmes de tinta seca e
garantem a integridade do produto após a aplicação nas superfícies. A
ausência de microbicidas na tinta, ou o emprego incorreto desses agentes,
pode causar alterações em suas funções decorativas e protetoras, com
mudanças de cor, odor, separação de fases, formação de gases,
comprometimento de características como cobertura e brilho, além da
biodeterioração, o que torna o produto imprestável para o uso. Também é
importante destacar o fato de o Brasil ser um país predominantemente
tropical e úmido, condições altamente favoráveis para o desenvolvimento de
micro-organismos.
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Para as empresas de agentes microbicidas, os
atendimentos pós-vendas se tornaram tão importantes quanto a
negociação dos seus produtos. “Acredito que as companhias que não
oferecerem esses serviços dificilmente conseguirão permanecer no
mercado, pois as próprias fabricantes de tintas estão exigindo tal
assistência técnica”, avalia Ridnei Brenna, gerente-comercial da Thor
Brasil, empresa de origem inglesa que está há dez anos no Brasil. “Uma
vez que o cliente aprova o nosso produto e passa a utilizá-lo, o
fabricante de tinta transfere toda a responsabilidade do gerenciamento
da qualidade microbiológica para a Ipel”, afirma Luiz Wilson Pereira
Leite, diretor de marketing da companhia, uma das líderes em biocidas
no país e que oferece ao mercado o programa “Biocontrole”. “Nosso
sistema engloba o monitoramento de produtos acabados, matérias-primas,
detecção de pontos críticos da fábrica, cronograma de assepsia em
instalações, entre outros serviços”, afirma o executivo. |
Cuca Jorge

Brenna: trabalho de pós-venda é fundamental para o
negócio |
Leite chama a atenção para o fato de os portfólios dos fabricantes
ofertarem mais tintas de base aquosa, as quais vêm ganhando terreno sobre
as tintas de base solvente, na esteira das preocupações mundiais em
relação ao meio ambiente e à saúde dos consumidores. Esses produtos
formulados com água são mais suscetíveis aos ataques de micro-organismos,
o que torna imprescindível a utilização de biocidas, principalmente
bactericidas. “Estamos falando de formulações industriais com um grau
elevadíssimo de materiais orgânicos, que, neste quesito, só perdem para os
alimentos. Por isso, todo o cuidado é pouco; o risco de contaminação é
muito grande”, reforça o diretor da Ipel, com fábrica instalada em
Jarinu-SP. Segundo o executivo, hoje 80% das formulações vendidas pela
empresa são destinadas para tintas de base aquosa.
A própria Universo reforçou a atenção em sua fábrica ao lançar este ano no
mercado nacional a sua primeira tinta esmalte base água, uma alternativa
ao produto sintético, com base em solventes orgânicos. “Estamos tendo um
cuidado maior com esse tipo de tinta, que passou a receber o mesmo
tratamento já dedicado aos outros produtos aquosos produzidos em nossa
fábrica, como a tinta látex”, afirma Martinho. A tinta esmalte feita com
compostos à base de água já está na linha
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