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CIP
Indústria de cosméticos obtém
economia de água e energia com
sistemas automáticos de limpeza
Marcelo Fairbanks |
| Lavador reacionário da Spraying Systems usa pressão
para limpar parede de tanque |
A indústria brasileira de produtos cosméticos mantém um ritmo de crescimento
de produção e de vendas invejável, de dois dígitos por ano, desde o Plano
Real, de 1993. Porém isso não se reflete diretamente nos investimentos em
sistemas automáticos de limpeza para suas linhas produtivas, mais conhecidos
pelas siglas CIP (cleaning in place), SIP (sterilising in place) e WIP (washing
in place), referentes respectivamente à limpeza, esterilização e lavagem com
água feitas sem o desmonte das linhas de produção.
Setores industriais com características próximas, como o farmacêutico e o de
alimentos, são clientes muito mais atentos aos benefícios oferecidos pelos
sistemas automáticos, tanto na qualidade do produto final quanto na redução
de custos operacionais, como informam os fornecedores de equipamentos e
unidades completas para essas operações. “Os engenheiros de processo devem
encarar o CIP como parte da produção, não como uma utilidade ou acessório de
linha”, recomendou Ivan Lisboa, diretor da Stockval Tecno Comercial,
fornecedora de equipamentos, acessórios e sistemas completos de limpeza
automática.
Na visão corrente dos produtores de cosméticos, a limpeza é um “mal
necessário”, uma parada de linha produtiva que figura na coluna dos custos.
Uma visão mais detida aponta alguns itens a acrescentar na coluna dos
créditos. Os sistemas automáticos foram criados para evitar o desmonte dos
tubos e equipamentos de processo para sua limpeza, ou seja, permitem a
redução do tempo de parada e o consequente aumento da disponibilidade da
unidade produtiva. Além disso, quando bem projetados, esses sistemas
diminuem o uso de mão-de-obra, abatem o consumo de água, de soluções de
limpeza e de energia. É preciso computar também o impacto dessa economia na
menor geração de efluentes e de resíduos, ambos a requerer tratamento
adequado.
“Os sistemas CIP têm por princípios o uso de um agente químico de
dissolução, que pode ser a água pura, a sua temperatura e o efeito mecânico
proporcionado durante um intervalo de tempo nas superfícies a serem limpas”,
explicou o consultor Rodolfo Cosentino, da Giltec Assessoria e Consultoria
Industrial. Além de elaborar projetos, a Giltec pode coordenar consórcios de
fornecedores e entregar sistemas completos para os clientes, assumindo a
partida e a responsabilidade pelo seu funcionamento adequado.
| A combinação desses princípios em maior ou menor intensidade decorre das
necessidades de cada aplicação específica. Produtos mais solúveis e de baixa
aderência às superfícies podem ser removidos com água quente. Já os
materiais viscosos, com tendência a grudar nos equipamentos, como as massas
de batons, exigem o uso de agentes químicos adequados e a indução de efeitos
mecânicos mais severos. |
Cuca Jorge
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| Cosentino: parâmetros vêm da norma Asme BPE |
“Quando o projeto inicial da fábrica foi feito com o conceito asséptico,
chamado cleanable, há grandes chances de sucesso em implantar um sistema CIP”,
comentou Cosentino. Isso envolve o desenho do processo, evitando curvas e
conexões muito fechadas, reatores e tanques com geometrias complexas e com
sistemas de descarga lentos.
O consultor salienta que o objetivo maior do sistema é garantir a qualidade
do produto final, impedindo a multiplicação de agentes microbianos
indesejáveis e também a contaminação cruzada entre produtos diferentes.
Divulgação
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“Quando se processa um item com aroma muito
forte, ou com pigmentos potentes, é preciso contar com um sistema de
limpeza muito bom para evitar que o produto seguinte tenha a cor e o
aroma alterados”, afirmou. Há casos de empresas que simplesmente
descartam o produto que apresente essas alterações, arcando com um custo
significativo, nem sempre computado adequadamente. É possível que a
eliminação dessas perdas seja suficiente para compensar o investimento
em um sistema de CIP mais avançado. |
| Sistema CIP móvel fabricado com projeto da Giltec |
Fábricas mais antigas de cosméticos podem se revelar impossíveis para
adaptação a sistemas CIP centralizados. Nesses casos, recomenda-se colocar
um sistema dedicado para cada linha de produto, ou usar um sistema móvel
para tratar cada linha a seu tempo. “Às vezes só dá para implantar o WIP,
uma limpeza com água, para depois fazer o acabamento com pistolas manuais,
desmontando parte da linha”, comentou. A Giltec comemora a entrega do 17º
sistema móvel de CIP, montado sobre carrinhos, atendendo a várias linhas de
fábricas, uma de cada vez.
Nas fábricas mais novas do setor, o sistema de limpeza é projetado em
paralelo com a produção. Isso permite adotar sistemas centralizados e
totalmente automatizados, mediante controles eletrônicos. O cliente e o
projetista podem escolher entre várias alternativas para o controle do
sistema. Nesse caso, os sistemas CIP podem ser gerenciados por um
controlador lógico programável (CLP), ou podem ser ligados diretamente na
malha geral de controle do processo, com total interconexão. É possível
deixar uma interface no painel para controle local pelo operador. Até a
operação das válvulas pode ser totalmente feita pelo sistema, evitando
erros.
Cosentino sente mais receptividade pelos sistemas automáticos nos setores de
alimentos e farmacêutico do que nos cosméticos. Em parte, essa diferença
pode ser atribuída à falta de uma regulamentação nacional uniforme nessa
atividade, que também se reflete nas atividades de fiscalização, a cargo da
Anvisa. “Quando um cosmético contém ingredientes ativos com efeitos diretos
sobre a pele (os cosmecêuticos), ele se aproxima das normas e procedimentos
do setor farmacêutico, muito mais exigentes”, comentou.
Na falta de normas atuais para cosméticos, os projetos seguem as de outros
setores. É o caso da norma de Bioprocessing Equipment (BPE), editada pela
Asme (American Society of Mechanical Engineers), de 2002. “É uma norma
rigorosa, mas aponta as vazões, os materiais e as velocidades de escoamento
para a elaboração de projetos”, explicou.
Vem da BPE, por exemplo, a recomendação de velocidade mínima para limpeza
automática de tubos de 1 a 1,5 metro por segundo. Essa velocidade é
suficiente para gerar o efeito mecânico necessário para a limpeza desejada.
“Na prática, cada caso precisa ser estudado, pois há situações que exigem
velocidades de 3 m/s”, disse. A norma também limita o comprimento do
“pescoço” das conexões em “T” a 2,5 vezes o diâmetro do tubo.
“A norma BPE está sendo reestudada para verificar a ocorrência de zonas
mortas (sem circulação adequada) nas linhas e para verificar se o regime
turbulento criado por essas velocidades realmente garante a limpeza”,
comentou Ivan Lisboa. A Stockval participa do comitê de estudos da BPE, ao
lado de grandes fornecedoras mundiais de equipamentos e sistemas.
Lisboa entende que a velocidade de escoamento é um bom parâmetro, mas há a
necessidade de acelerar o processo de limpeza, exigindo revisão. Da mesma
forma, os limites das conexões poderão ser alterados. “As conexões estão
mudando, não precisam mais de tanto espaço para a solda orbital”, afirmou. A
ideia é aumentar a eficiência dos sistemas CIP.
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