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p e r s p e c t i v a s
2010
AMBIENTE |
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Cuca Jorge
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Empresas de serviços
e tecnologias ambientais mantêm taxas de crescimento acima de 10%
Marcelo Furtado
Pode-se afirmar, sem ser
considerado otimista demais, que uma parte importante da indústria
brasileira chegou a um patamar aceitável em termos de conduta
ambiental. Lógico que ainda há muito a fazer, e que principalmente
entre as médias e |
pequenas a preocupação maior é sobreviver em um ambiente econômico hostil
ao investimento. Mas é difícil hoje não reconhecer a existência de um
mercado de serviços e tecnologias ambientais alimentado por várias
empresas que precisam destinar e tratar adequadamente resíduos sólidos ou
efluentes líquidos. Isso tanto para que possam manter um padrão limpo de
produção como para dar uma resposta às pressões da sociedade.
É esse cenário que faz os participantes desse setor permanecerem
confiantes com o futuro, em específico o mais próximo, representado pelo
ano de 2010. Uma rápida consulta entre associações de classe ligadas ao
ramo revela o grande potencial de negócios. Mesmo no período mais crítico
da economia, entre 2008 e 2009, o setor não teve um desempenho ruim. No
máximo, a reclamação de alguns dá conta de que o crescimento teria sido um
pouco menor do que em outros anos, nada muito além disso.
Reflete bem essa avaliação o segmento composto por empresas de tratamento
de resíduos sólidos industriais e domésticos. De acordo com a Associação
Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre), uma recente
enquete feita entre seus 19 associados – que administram 41 unidades de
tratamento por todo o país, responsáveis por 82% do mercado de resíduos
industriais e por 50% da operação privada de resíduos urbanos – revelou
que o segmento cresceu em 2009 em uma média de 10%: 12% em tratamento de
resíduos industriais, chegando a um volume tratado de 8 milhões de
toneladas, e 8% em resíduos urbanos, atingindo o patamar de 7,6 milhões de
t. O resultado foi pior do que o de 2008, quando o crescimento médio
chegou a 17%, mas não é suficiente para reduzir as boas perspectivas das
empresas.
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Crise não afeta – Segundo o diretor-presidente
da Abetre, Diógenes Del Bel, o desempenho de 2009, dentro da média de
crescimento dos últimos anos, representa a consolidação da prática
ambiental dos clientes principais das empresas de tratamento. “Um ou
outro pode ter retardado um pouco a destinação dos resíduos, mas no
geral eles continuaram a fazer o correto. Não é a crise que vai
fazê-los retroceder”, explicou Del Bel. Sua confiança se estende a
2010, quando ele espera que as taxas de crescimento superem também os
10%.
Em faturamento, a participação dos clientes industriais tem maior peso
para as empresas de tratamento. Em 2009, da receita de R$ 1,6 bilhão,
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Cuca Jorge

Del Bel: mercado de resíduos passou
incólume à crise |
cerca de R$ 1,2 bilhão provieram dos contratos para tratar resíduos
industriais. Os restantes R$ 400 milhões para a destinação do lixo urbano.
Apesar da crescente necessidade das cidades por aterros privados, tanto
por causa da carência, caso da região metropolitana de São Paulo, como
para atender aos novos padrões de qualidade impostos por pressão
fiscalizatória, os negócios com o resíduo industrial merecem atenção
especial. Isso principalmente porque são esses clientes que fazem uso de
tecnologias mais caras de tratamento, como incineração ou coprocessamento
em fornos de cimento. Mesmo assim, o aterro ainda representa a maior parte
das destinações. Em média, a disposição representa 77% do destino dos
resíduos industriais; o coprocessamento, 17%; a incineração e outros
tratamentos térmicos, 3%; e mais outros 3% os tratamentos biológicos e
tecnologias alternativas.
As opções tecnológicas, na opinião de Del Bel, ainda não devem sofrer
muitas alterações no curto prazo. E isso a despeito de muito se falar hoje
em dia da necessidade de os municípios brasileiros pensarem seriamente em
outras alternativas de tratamento além do aterro, como por exemplo a
incineração do lixo integrada à cogeração de energia. “O aterro é ainda a
solução mais barata e viável. E seu controle é de total domínio das
empresas e dos órgãos ambientais”, disse. Segundo ele, o custo total do
tratamento, levando em conta a operação e a vida útil da tecnologia, torna
a sua escolha a mais fácil. “O aterro sanitário representa investimento de
R$ 14 a R$ 18 por habitante/ano, índice com certeza bastante inferior ao
da incineração”, completou o presidente da Abetre.
A chamada reciclagem energética do lixo tem sido mais estudada em regiões
com carência de novas áreas para aterros, como a cidade de São Paulo, que
já não conta mais com aterros municipais próprios e tem terceirizado a
destinação (até mesmo para associados da Abetre, como a Essencis, cujo
aterro de Caieiras-SP recebe grande volume diário de lixo urbano da
cidade). A secretaria municipal de meio ambiente de São Paulo fez
recentemente a revelação oficial de que estuda a adoção de incineradores
com reaproveitamento energético. Mas, mesmo nesses casos, Del Bel
considera que a concorrência com os aterros ainda será considerável. “São
Paulo pode não ter área para novos aterros, mas as cidades do entorno
têm”, acrescentou.
A constatação do presidente tem fundamento, ao se ver que até mesmo a
indústria pensa duas vezes antes de mandar seus resíduos para a
incineração ou até mesmo para o mais barato coprocessamento em fornos de
cimento, cuja curva de crescimento tem se mantido estável. “O custo vem
sempre na frente. Se o aterro é uma saída ambientalmente controlada e mais
barata, logicamente ele terá sempre a preferência”, disse.
Política deve sair – Além das possibilidades um pouco mais remotas
para o segmento, outra expectativa prática para 2010, no que diz respeito
a gerenciamento de resíduos, tem a ver com a provável aprovação da
Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Depois de quase vinte anos
de discussões intermináveis, há grandes chances de o plano passar por
sessão plenária no Congresso ainda no primeiro semestre, antes das
eleições. “Nunca ele esteve tão perto de ser validado”, disse Diógenes Del
Bel.
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