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p e r s p e c t i v a s
2010
COMÉRCIO QUÍMICO |
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Cuca Jorge
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Superação da crise e
consolidação química geram oportunidades para os distribuidores
Marcelo Fairbanks
A conjuntura
macroeconômica e política permite ao comércio de produtos químicos no
Brasil antever um ano de recuperação de negócios. Em ano eleitoral,
com sólidos fundamentos na economia nacional e amplos planos de
investimento em setores basilares, como o de petróleo, o
automobilístico e o da construção civil, espera-se um aumento
significativo de vendas em 2010.
“O pior da crise global já passou, mas não estamos num paraíso”,
adverte Rubens |
Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de
Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim) e também do Conselho
Internacional das Associações do Comércio Químico (ICCTA). Adotando um
“otimismo moderado”, ele recomenda ao setor manter um planejamento
estratégico meticuloso, escolhendo muito bem “onde colocar as fichas”. Uma
das chaves do sucesso será a manutenção de estoques em nível adequado à
demanda, nem acima, nem abaixo. Isso garante a satisfação dos clientes e
evita carregar custos excessivos, que exigiriam buscar financiamentos. “Há
crédito na praça, mas ainda está muito caro”, avaliou.
Dados da Associquim indicam uma perda de 10% no
faturamento da distribuição química nacional em 2009, em relação aos
US$ 5,2 bilhões registrados em 2008, o melhor ano da história
setorial, com vendas 22% superiores às de 2007. Houve redução nos
volumes negociados, mas o setor conseguiu manter a rentabilidade
durante o ano. “Os distribuidores ficaram mais produtivos, reduziram o
mix de produtos, eliminando itens pouco rentáveis, e ajustaram mais o
foco dos seus negócios”, comentou Medrano.
A crise financeira mundial, iniciada em setembro de 2008, teve efeitos
vigorosos em 2009. O maior deles, para o comércio químico, foi a
desmobilização dos estoques de produtos em poder de todos os elos das
cadeias produtivas. Como explicou o dirigente, a euforia pré-crise
indicava |
Cuca Jorge

Medrano: setor venceu a crise aumentando a
produtividade |
uma possível escassez de matérias-primas, o que incentivou todas as
empresas a formar estoques preventivos. Deflagrada a crise, essas empresas
passaram a consumir ou desovar esses inventários. Isso se traduziu em
redução acentuada de demanda durante o primeiro trimestre de 2009. Depois
disso, os negócios foram retomados, porém em ritmo muito mais lento. “As
cadeias produtivas estão operando com estoques mínimos”, informou.
O mercado brasileiro de químicos sofreu menos do que os congêneres europeu
e norte-americano. Medrano ressalta os efeitos benéficos das medidas
fiscais adotadas pelo governo federal e também os estímulos oficiais à
expansão de financiamentos. “A disponibilidade de crédito ajudou a vender
carros, produtos da linha branca e materiais de construção, setores que
sustentaram a venda de químicos”, comentou. Isso foi feito agregando uma
parcela maior de consumo por parte da população de baixa renda, fato
facilmente constatável no caso dos materiais de construção. Nem mesmo a
inadimplência dos clientes teve aumento significativo.
“Porém, os estímulos ao mercado interno não foram suficientes para
compensar a perda das exportações de produtos manufaturados que também
consomem insumos químicos”, lamentou Medrano. As vendas aos Estados Unidos
foram cortadas pela metade. O dirigente setorial prevê que esse país
apresentará uma recuperação tímida ao longo de 2010, com melhores
resultados a partir de 2011. Como se trata da maior economia mundial, isso
significa que 2010 não terá grandes avanços na demanda global.
A relação cambial não preocupa o setor comercial. Importam, sim, as suas
variações, que podem representar a diferença entre lucro e prejuízo aos
importadores. Os primeiros meses de 2009 apresentaram muitas variações
cambiais e trouxeram alguma inquietação ao setor. Mas as cotações se
acalmaram durante o ano, refletindo um fortalecimento do real em relação
ao dólar, embora isso não tenha se traduzido em uma enxurrada de produtos
químicos importados. “O comércio químico deixou de fazer essas manobras
oportunísticas, só importa para complementar a produção nacional, evitando
riscos desnecessários”, comentou.
Consolidações químicas – A união entre as petroquímicas Braskem e
Quattor, sob as bênçãos da Petrobras, já é considerada um fato consumado
pela distribuição química. “Só falta marcar a data”, disse Medrano. Ele
considera essa fusão como consequência previsível do processo mundial de
consolidação de negócios. Falta dimensionar o impacto desse movimento no
comércio de produtos químicos.
“Quando ocorre uma união desse porte em um elo de uma cadeia produtiva,
ela se reflete em todos os outros elos, desencadeando outras consolidações
de clientes e também de distribuidores”, comentou. Ele prevê que o
primeiro segmento a receber o impacto será o das resinas termoplásticas
(polietileno e polipropileno, principalmente). O segundo será o dos
solventes hidrocarbonetos. É previsível a redução do número de
distribuidores desses itens.
Nos demais segmentos em que a distribuição química atua, Medrano não
espera grandes modificações. “O comércio é muito diversificado em produtos
e em fornecedores”, considerou. Em todos os casos, essa consolidação
também abrirá novas oportunidades para empresas sólidas e bem estruturadas
em comércio exterior na busca de novas fontes de suprimento para atender o
mercado local.
Além disso, ele aponta o interesse das indústrias químicas em transferir
maiores volumes de produtos e responsabilidades para seus distribuidores.
Esse interesse resulta dos bons resultados conseguidos após a implantação
do Processo de Distribuição Responsável (Prodir) da Associquim, que
aumentou a credibilidade setorial.
Um ponto favorável ao setor comercial em 2009 foi a entrada em vigor da
nota fiscal eletrônica, que está sendo complementada pelos sistemas de
escrituração eletrônica (SPED) fiscal e contábil. “A nota fiscal
eletrônica foi boa para o setor por inibir o descaminho e as fraudes
fiscais que representam uma concorrência desleal aos comerciantes
regularmente estabelecidos”, defendeu Medrano. “Não compensa ficar na
ilegalidade.”
A adaptação às novas exigências fiscais exigiu investimentos por parte dos
distribuidores e houve um período inicial de dificuldades técnicas, logo
superadas. Porém, Medrano salienta que a melhoria dos sistemas de
tecnologia de informação (TI) trouxe benefícios para o dia-a-dia das
empresas.
O dirigente setorial só lamenta o fato de o atual governo federal não ter
patrocinado as reformas estruturais que o país precisa nos campos
tributário, fiscal, trabalhista e jurídico. Também ficará para outros
governos a melhoria da infraestrutura nacional, especialmente nos
transportes. “As exportações brasileiras não sofrem só com o câmbio
supervalorizado, mas também persistem entraves como a falta de devolução
do ICMS”, criticou.
Associquim, 50 anos – Em 2010, a Associquim completa 50 anos de
atuação. Por isso, o Encontro Brasileiro dos Distribuidores de Produtos
Químicos e Petroquímicos (EBDQuim) será realizado nos dias 18 e 19 de
março nas dependências da Federação do Comércio, em São Paulo. Embora não
seja tão atraente como os resorts do Nordeste, a localização permitirá o
comparecimento de maior número de membros que encontrarão o ambiente ideal
para ouvir e debater as mudanças nacionais e mundiais do setor, com a
presença de palestrantes do calibre de Bernardo Gradim, presidente da
Braskem, e do consultor internacional Marc Fermont.
“A intenção da associação é mostrar e discutir as diretrizes do mercado
químico e seus reflexos na atividade”, explicou Medrano. Por isso, serão
oferecidas palestras sobre mecanismos de abertura de capital, fusões e
aquisições, além de reforçar aspectos referentes ao Prodir e à
sustentabilidade da distribuição química.
“Nesses 50 anos, a associação vem cumprindo seu papel de mostrar as
tendências, apoiar a qualificação das associadas, prover informações
relevantes e oferecer suporte aos programas como a nota fiscal eletrônica
e o SPED”, disse.
O mandato de Medrano na Associquim foi renovado na eleição de 2009 por
mais quatro anos. Já no ICCTA, seu mandato expira em maio deste ano,
quando deverá ser transmitido a um representante da Europa. Ele foi o
primeiro presidente latino-americano da entidade, por deferência do
presidente da Associação dos Distribuidores Químicos dos EUA (NACD), Bruce
Schechinger. No seu mandato, foi formado um grupo de trabalho reunindo
Canadá, EUA e Brasil para atualizar e uniformizar os respectivos programas
de Distribuição Responsável, consagrando o sistema de auditorias
independentes. Até maio, o ICCTA espera a formalização do ingresso da
China na entidade. “Depois de maio, ficarei mais um ano no conselho da
entidade, como ex-presidente”, comentou.
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