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p e r s p e c t i v a s
2010
COSMÉTICOS |
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Cuca Jorge
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Inovação constante e
aumento de
renda sustentam
a evolução da demanda
Rose de Moraes
A crise econômica
mundial passou longe do setor de higiene pessoal, perfumaria e
cosméticos em 2009. Área de consumo de grande peso para a economia
nacional, esse mercado deverá se manter firme e próspero, graças
principalmente ao contingente populacional brasileiro cada vez mais
disposto a adotar hábitos saudáveis de higiene e beleza. |
“Completamos catorze anos consecutivos de crescimento real deflacionado na
casa dos dois dígitos em 2009, com faturamento em reais 17% superior ao do
ano anterior. Pela primeira vez, contudo, o faturamento em dólar foi
inferior ao esperado, ainda que posicionado na casa dos dois dígitos, com
10%”, revelou o presidente da Associação Brasileira da Indústria de
Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, a Abihpec, João Carlos Basílio.
A projeção realizada no início de 2009 era de alcançar modestos 5% de
crescimento no setor. Os resultados apresentaram-se, porém, muito mais
satisfatórios, e levaram a Abihpec a rever a expectativa de crescimento
anual, perante taxas de crescimento de 18%, alcançadas logo no primeiro
semestre de 2009.
Para o presidente da Abihpec, manter um crescimento real na casa dos dois
dígitos durante catorze anos é, sem dúvida, um fato marcante. “Temos uma
estimativa de que 30% do nosso faturamento anual esteja baseado em
lançamentos com inovações. Além disso, as aquisições vivem sob um ritmo
forte e a resolução RDC 44, da Anvisa, baixada em 17 de agosto de 2009,
que estabelece critérios e condições mínimas para o cumprimento das Boas
Práticas Farmacêuticas, para o controle sanitário do funcionamento,
comercialização de produtos e prestação de serviços farmacêuticos em
farmácias e drogarias, autorizando a comercialização nesses
estabelecimentos somente de produtos relacionados à saúde, incluindo
cosméticos e produtos de higiene pessoal, e, portanto, descartando a venda
de produtos de conveniência, como água mineral, chicletes, confeitos e
pilhas, que mudará a comercialização de produtos nas farmácias e
drogarias, será outro fato marcante para o setor.
“Não podemos nos esquecer de um fator econômico-financeiro muito
importante: a renda do trabalhador em 2009 não foi comprometida, o que
preservou seu poder de compra”, ponderou. Existe também o aspecto cultural
de que os hábitos de higiene fazem parte da rotina da população e têm
representado importantes impactos na preservação da saúde. Os cuidados com
a aparência ajudam na preservação de uma imagem social positiva, o que
também é importante no ambiente de trabalho. O setor teve a visão de
investir mesmo diante da crise, pois os lançamentos continuaram no mesmo
ritmo de anos anteriores, assim como os investimentos em pesquisa e
desenvolvimento de novos produtos. O setor também investiu fortemente em
marketing e publicidade, basta abrir uma revista ou observar as
propagandas veiculadas nos horários nobres das principais emissoras para
ver que as marcas patrocinam os líderes de audiência. “Contudo, precisamos
nos organizar melhor, apresentar um projeto de crescimento sob o
guarda-chuva da Associação Brasileira da Indústria Química, a Abiquim,
adotar atitudes pró-ativas e buscar o entendimento com as autoridades,
delineando planos factíveis de serem atingidos em 2010, com o intuito de
alcançar melhores resultados, aumentar a rentabilidade, a produtividade, e
investir ainda mais em inovação, sendo esses os nossos grandes desafios”,
destacou Basílio.
Os resultados de 2008 também foram auspiciosos para o setor. O último
relatório divulgado pelo instituto de pesquisas internacional Euromonitor
revelou que, em 2008, o Brasil detinha 8,6% do mercado mundial de produtos
de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, market-share apenas
suplantado pelos 15,6% e 10,1% apresentados, respectivamente, pelos
Estados Unidos e Japão.
No entanto, também de acordo com as análises desse instituto, o índice de
crescimento do mercado brasileiro em 2008 foi de 27,5%, ou seja, o maior
índice de crescimento registrado entre os dez maiores mercados mundiais
monitorados pelo Euromonitor, movimentando um total de US$ 28,77 bilhões.
“Alcançar esse índice de crescimento foi especialmente significativo para
o Brasil num ano como o de 2008, em que mercados importantes como os
Estados Unidos e Reino Unido sofreram desaceleração em virtude da crise
financeira global. E, mesmo entre os mercados emergentes, onde os reflexos
da crise levaram mais tempo para chegar, o Brasil apresentou desempenho
relevante – nos destacamos em relação à China que, com um índice de
crescimento de 22,1%, foi o segundo mercado que mais cresceu no mundo”,
comentou Basílio.
As posições destacadas do Brasil nesse setor também podem ser observadas
nos rankings de consumo por categorias de produtos. De acordo com as
últimas informações divulgadas pela Abihpec, baseadas nas pesquisas do
Euromonitor, o Brasil se posiciona na liderança mundial no consumo de
desodorantes e ocupa a vice-liderança no consumo de várias categorias de
produtos, como cosméticos para cabelos (xampus, condicionadores, cremes
para tratamento etc), produtos
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especialmente desenvolvidos para o público infantil,
produtos para uso masculino, itens para higiene oral, protetores
solares, perfumaria e produtos para banho.
Em maquiagens, o Brasil ficou em quarto lugar, e em produtos para
tratamento e embelezamento da pele, o país é o sexto colocado,
ocupando a oitava colocação em produtos depilatórios.
“Entre 1996 e 2008, o setor cresceu 270%, enquanto o PIB brasileiro
cresceu 47,3%, e a indústria brasileira em geral, 45,7%”, comparou
Basílio. “Estamos crescendo cerca de seis vezes mais rápido do que a
média da indústria brasileira.” |
Cuca Jorge

Basílio: setor cresce seis vezes mais
rápido do que o PIB |
Tecnologia impulsiona vendas – Um dos grandes feitos desse século
para o campo da cosmetologia foi, sem dúvida, contar com os recursos da
nanotecnologia em várias aplicações cosméticas, como nanocremes e
nanoemulsões para a pele.
Segundo especialistas, a nanotecnologia elevou a eficácia das fórmulas
cosméticas, transformando-as em produtos de alta tecnologia, e deverá
continuar contribuindo decisivamente para a sua evolução em 2010.
Os benefícios decorrentes do uso de um conjunto de técnicas baseadas nos
conhecimentos da nanociência são reconhecidos e exaltados por
especialistas no mundo todo, principalmente quando direcionados ao
desenvolvimento de produtos para embelezar e rejuvenescer a pele, como
loções e cremes antienvelhecimento, protetores solares, cosméticos para
tratamentos corporais, e produtos para tratamentos capilares. “A
nanotecnologia é a nossa grande aliada para o desenvolvimento de
dermocosméticos e neurocosméticos inovadores”, destacou o presidente da
Associação Brasileira de Cosmetologia, Alberto Keidi.
Contrariamente ao que muitos possam pensar, segundo manifestou, a
nanotecnologia não representa um conhecimento novo, e nem é fruto da
criação humana, sendo observada na natureza desde os primórdios da vida na
Terra. “A nanotecnologia está presente nas asas das borboletas e, mais
recentemente, pesquisadores franceses comprovaram que egípcios, gregos e
romanos já utilizavam a nanotecnologia em tinturas capilares na
Antiguidade, há mais de 4 mil anos.
O termo, porém, foi pela primeira vez empregado em 1986, por Eric Drexler,
no livro intitulado “Máquinas da Criação”.
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