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p e r s p e c t i v a s
2010
MÁQUINAS |
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Cuca Jorge
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Indústria mecânica
sofreu em 2009, mas espera recuperação de vendas neste ano
Denis Cardoso
Setor de máquinas
e equipamentos foi um dos mais prejudicados em 2009 pelos efeitos da
crise financeira mundial. Porém, a forte recuperação do segmento
registrada nos últimos meses do ano passado, impulsionada
principalmente pelos incentivos tributários oferecidos pelo governo
federal, tirou o setor do “fundo do poço”. “Foi um ano difícil para a
economia brasileira, em particular para os fabricantes de máquinas e
equipamentos. Mas poderia ter sido muito pior”, avaliou o presidente
da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq),
Luiz Aubert Neto. |
Os dados preliminares da Abimaq indicam que o faturamento do segmento de
bens de capital mecânico registrou queda de quase 20% em 2009, para R$ 63
bilhões no ano, ante os R$ 78 bilhões obtidos em 2008. No primeiro
trimestre de 2009, porém, o setor chegou a apontar uma forte baixa de 55%,
em média, em seu faturamento. “Se não fossem as medidas implementadas pelo
governo, certamente estaríamos em um momento muito mais difícil”,
ressaltou Neto, lembrando que os fabricantes ligados à entidade demitiram
25 mil pessoas no ano passado.
Para 2010, ainda não há uma previsão oficial da Abimaq, que representa 40%
do total da indústria do país e tem 1,5 mil empresas associadas. Mas a
entidade trabalha com a expectativa inicial de pelo menos recuperar o
patamar de negócios de 2008, quando o segmento comemorou um crescimento no
faturamento de 23% na comparação com 2007. “Temos a expectativa de que
2010 será um ano promissor”, afirmou o presidente da associação, muito
otimista em relação ao andamento dos projetos do PAC e do pré-sal, além
dos investimentos que serão gerados com os trabalhos iniciais de
organização para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.
| No entanto, vencida a crise, o maior entrave para o
desenvolvimento do setor volta a ser a desvalorização do dólar perante
o real. A participação das máquinas e equipamentos nacionais no
mercado brasileiro, apontou o presidente da Abimaq, caiu de 62% para
55% entre 2005 e 2009. “Isso mostra claramente o processo de
desnacionalização que vem ocorrendo no país”, alertou Neto, lembrando
que, na década de 80, o Brasil tinha a quinta maior indústria de
máquinas e equipamentos do mundo. Atualmente, o setor figura na 14a
posição do ranking global. Na visão da Abimaq, um valor ideal de
câmbio estaria entre R$ 2,30 e R$ 2,60, bem acima da cotação atual por
volta de R$ 1,75, que, segundo a associação, está “matando a indústria
brasileira”. |
Cuca Jorge

Aubert: câmbio desnacionaliza a indústria da máquinas |
Ainda segundo o dirigente, além do câmbio desfavorável, os fabricantes
brasileiros sofrem com o excesso de carga tributária e juros altos. Com
essas duas variáveis, associadas ao câmbio desfavorável, a perda de
competitividade do setor ante os concorrentes internacionais pode chegar a
50%, nas contas da Abimaq.
O principal termômetro para verificar a reação do setor de máquinas e
equipamentos ao longo dos últimos meses de 2009 está nos números
referentes ao desempenho da produção industrial, levantados pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em novembro, enquanto a
produção industrial total apontou estabilidade em relação a outubro (com
ligeira queda de 0,2%), a produção de bens de capital, que inclui máquinas
e equipamentos, registrou forte expansão de 6,1% na mesma base de
comparação. Foi a oitava alta consecutiva desse segmento, que acumula, em
três meses, aumento de 16,9%. No entanto, em relação ao mesmo período de
2008, a produção de bens de capital foi a única entre os demais setores
industriais a apresentar recuo (de 2,5%) em novembro, embora o setor tenha
registrado expressiva redução no ritmo de queda em relação aos meses
anteriores (em outubro, a baixa ficou em 16,8% na comparação com igual mês
do ano anterior).
O bom desempenho na produção de bens de capital, na avaliação dos técnicos
do IBGE, é uma prova de que o Brasil iniciou uma importante retomada dos
investimentos e, com isso, segue no rumo certo para atingir o crescimento
almejado este ano entre 5% e 6% do Produto Interno Bruto (PIB). Porém,
segundo o IBGE, o setor de bens de capital foi o que mais demorou a
reagir. Considerando os dados de novembro, o segmento ainda amargava
perdas de 11,4% em relação a setembro de 2008, mês em que a indústria
nacional atingiu seu recorde de produção, período coincidentemente também
marcado pelo agravamento da crise financeira mundial, iniciado após a
quebra do banco norte-americano Lehman Brothers.
O resultado estável da produção industrial de novembro, segundo analistas
do IBGE, não alterou o ritmo de crescimento da economia, já que o
desempenho geral do setor foi influenciado pela queda de 2,2% na produção
de veículos automotores, que só ocorreu após o mesmo segmento ter
registrado forte alta de 11,2% em outubro, em relação ao mês anterior, e
um avanço de 107,6% entre janeiro e outubro do mesmo ano. Dados
consolidados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores (Anfavea), divulgados no início de janeiro, mostram que,
apesar da crise financeira e dos problemas de falta de liquidez
enfrentados pelo setor no começo de 2009, a produção anual de veículos
teve apenas uma ligeira queda de 1% sobre 2008, com a oferta de 3,182
milhões de unidades. Para 2010, a Anfavea prevê aumento de produção de
6,5% sobre 2009, para 3,39 milhões de unidades.
Medidas “salvam” o setor – Algumas medidas implementadas pelo
governo federal ao longo de 2009 foram decisivas para a recuperação do
setor de máquinas e equipamentos. Entre elas, a Abimaq destaca a redução
de juros da linha Finame (específica para a aquisição de máquinas e
equipamentos), programa do BNDES que, após ser incluído no Programa de
Sustentação do Investimento (PSI), passou a ter juros fixos de 4,5% ao
ano, ante os 10,5% anuais cobrados anteriormente, com prazos até 120 meses
para pagamento. “Graças ao Finame PSI, o nível de consultas aumentou, as
vendas cresceram e, com isso, a nossa expectativa é de que teremos um
primeiro semestre de 2010 promissor”, reforçou Neto.
Segundo balanço divulgado pelo BNDES no fim do ano, o programa PSI
contratou, até o fim de dezembro, R$ 22,4 bilhões em operações de venda de
máquinas, equipamentos, ônibus e caminhões. O novo incentivo também ajudou
a expandir os desembolsos para micro e pequenas empresas, que atingiram R$
16,52 bilhões em 2009, aumento de 24% sobre os R$ 13,34 bilhões
verificados em 2008. O sucesso do Finame PSI fez o governo federal
estendê-lo até o final do primeiro semestre de 2010 em vez de encerrá-lo
em 2009. Ao todo, as liberações para o setor industrial responderam pela
maior parte dos desembolsos do BNDES em 2009, atingindo R$ 60,1 bilhões,
um acréscimo de 54% sobre 2008.
Outras medidas importantes citadas pela Abimaq em 2009 foram a prorrogação
da redução a zero do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para
máquinas e equipamentos que ainda não eram desonerados e a volta da
taxação em 2% de IOF sobre aplicações financeiras feitas com capital
estrangeiro. Essas duas medidas, segundo a associação, melhoraram a
competitividade da indústria brasileira.
Incentivos tributários como o Finame PSI acabaram contribuindo, por
exemplo, para uma expressiva melhora nas vendas de máquinas agrícolas,
setor bastante prejudicado em 2009 pelas turbulências na economia. Segundo
a Anfavea, as vendas de tratores, colheitadeiras, entre outras máquinas,
acabaram fechando o ano passado no azul, com um saldo de 55,3 mil unidades
negociadas, 1,5% acima do resultado observado em 2008. O volume de
produção de máquinas, porém, fechou 2009 em baixa de 22%, alcançando 66
mil unidades. Para 2010, a Câmara Setorial de Máquinas e Implementos
Agrícolas prevê crescimento nas vendas do setor entre 10% e 20% sobre o
ano passado.
Em São Paulo, o governo anunciou recentemente a prorrogação, até 30 de
junho deste ano, da isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços (ICMS) para a compra de máquinas e equipamentos importados, sem
similar nacional, que vigora desde fevereiro do ano passado. Ao todo, 143
setores foram beneficiados com a medida de desoneração de investimentos,
entre eles, fabricantes de equipamentos hidráulicos, motores, válvulas,
compressores, rolamentos e carrocerias.
Avanço das importações – Os gastos com importações do setor devem
crescer 46%, ou US$ 700 milhões, em 2010, aproximando-se de US$ 2,2
bilhões, como estima a Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas
e Equipamentos Industriais (Abimei). No ano passado, as despesas ficaram
em torno de US$ 1,5 bilhão, bem abaixo dos US$ 2,6 bilhões registrados em
2008.
Na visão da Abimei, formada por 82 associados, as compras externas serão
estimuladas em 2010 pelo aquecimento da economia. Segundo a entidade, no
ano passado, os importadores tiveram grandes dificuldades para realizar
suas operações, principalmente as empresas ligadas ao setor aeronáutico.
Somente a Embraer, que depende muito do mercado externo, teve o pedido de
cem aviões cancelados e, por isso, acabou demitindo 4 mil funcionários.
Por sua vez, as exportações de máquinas e equipamentos fecharam 2009 com
uma queda em torno de 20% em faturamento, em relação ao total do ano
passado, quando chegou a US$ 12,8 bilhões. O recuo foi motivado
principalmente pela redução das compras dos Estados Unidos,
tradicionalmente o maior destino dos embarques do setor. As vendas
externas representam cerca de 30% da receita das indústrias ligadas ao
segmento.
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