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p e r s p e c t i v a s
2010
TINTAS |
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Cuca Jorge
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Crédito farto ao
consumidor justifica expectativa de recuperação de vendas
Marcelo Fairbanks
Depois de
registrar uma queda de 2% no faturamento líquido em 2009, o setor de
tintas e vernizes do Brasil espera crescer 3,4% em 2010, com a
recuperação dos segmentos de indústria geral e manutenção, os mais
afetados pela crise mundial. A previsão considera um aumento de 5% no
PIB, um desempenho factível.
“Cuidado com as falsas ilusões: comparado com um ano ruim, pode-se
alcançar um crescimento |
grande, porém pouco significativo para o setor”, alertou Fernando Val y
Val Peres, presidente do conselho diretivo da Associação Brasileira dos
Fabricantes de Tintas (Abrafati) e também diretor-comercial da
Sherwin-Williams no Brasil. Ele comentou que o desempenho dos vários
segmentos abrangidos por essa indústria foi variado, mas houve queda de
faturamento em cada um deles. Ao todo, o setor faturou R$ 5,29 bilhões em
2009, contra R$ 5,4 bilhões no ano anterior.
Responsável pelo maior volume produzido e pela maior parte do faturamento
setorial, o segmento de tintas decorativas imobiliárias foi o menos
afetado pela crise econômica em 2009, perdendo apenas 0,6% das vendas em
volume, de 864 milhões de litros para 859 milhões, segundo a Abrafati.
Mesmo assim, o segmento teve uma forte retração nos primeiros meses do
ano, quando os pedidos de compra pararam de chegar às fábricas. “A cadeia
varejista encerrou 2008 com estoques elevados e fez a desova nos primeiros
quatro meses de 2009, embora continuassem vendendo, em ritmo lento”,
explicou Peres. Nesse quadrimestre, a queda de atividade na produção de
tintas chegou a 18%, felizmente recuperada ao longo do ano, principalmente
no segundo semestre.
Peres aponta os incentivos de crédito oficial (BNDES e Caixa Econômica
Federal) para a construção civil e a desoneração tributária parcial dos
materiais de construção como fatores que permitiram a recuperação do
segmento das tintas e vernizes imobiliários. Além disso, o mercado começa
a preferir as tintas aprovadas no Programa Setorial da Qualidade (PSQ),
reduzindo a atuação de concorrentes desleais e de fraudes. Mesmo assim,
durante 2009, as linhas premium, de qualidade e preços mais elevados,
foram as que apresentaram maior retração. Isso derrubou a rentabilidade
das operações.
Como os demais segmentos tiveram um desempenho pior, as tintas
imobiliárias responderam por 78% do volume setorial de produtos, estimado
em 1.108 milhões de litros em 2009. Para 2010, com a previsão de uma
retomada dos demais segmentos, essa participação deve se aproximar da
média histórica de 70%, sobre um volume global 3,4% maior, que chegará a
1.145 milhões de litros.
Durante 2009, embora a comercialização de imóveis novos tenha se mantido
na faixa de três mil unidades mensais, a mesma do ano anterior, o ritmo de
lançamentos imobiliários arrefeceu. “A média mensal de lançamentos era de
três mil unidades em 2008 e caiu para duas mil unidades, considerando toda
a região metropolitana de São Paulo (RMSP)”, afirmou Carlos Alberto de
Moraes Borges, vice-presidente de tecnologia e qualidade do Sindicato das
Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais
e Comerciais de São Paulo (Secovi).
Outra mudança notável é o crescimento do número de lançamentos fora da
capital paulista, mas dentro dos 39 municípios da RMSP. A relação era de
80%/20% em favor da capital, mas passou a ser de 50%/50% em 2009. “Isso se
explica por ser mais fácil adquirir terrenos para incorporação fora da
capital”, explicou Borges. Em 2009, a RMSP registrou mais de 25 mil
lançamentos.
Na análise do Secovi, o mercado brasileiro conseguiu atingir um
crescimento sustentável na área imobiliária. As construtoras atuam
racionalmente, com olhos no potencial de mercado. O cenário para os
próximos anos é muito favorável, tendo em vista o desempenho da economia
nacional e a realização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016.
Borges também citou o programa governamental “Minha Casa, Minha Vida”,
voltado para o setor de baixa renda, como iniciativa importante para
diminuir o déficit habitacional no Brasil. “Esse programa deveria durar
mais que os dois anos previstos; isso mostra que ainda não temos uma
política permanente para habitação”, lamentou.
A disponibilidade de recursos financeiros para moradia popular saltou de
R$ 10,4 bilhões, em 2005, para R$ 40,6 bilhões em 2008. “Antes, esses
financiamentos eram obtidos apenas do FGTS, agora eles vêm também do
Orçamento Geral da União, que adicionou quase R$ 17 bilhões em 2009”,
afirmou. Além disso, o Minha Casa recebeu R$ 24,4 bilhões.
Segundo Borges, as classes A, B e C apresentam redução percentual de
jovens, exatamente a parcela populacional que mais compra imóveis. “Em
sentido contrário, encontramos 41% de pessoas com menos de 20 anos nas
classes D e E”, disse. Esse potencial de mercado só se desenvolverá
mediante a desburocratização dos procedimentos creditícios oficiais e da
redução dos prazos de incorporação e agilização do licenciamento
ambiental, além de exigir a doação de terrenos por parte das prefeituras,
que também precisam acelerar a concessão de alvarás. “Um dos maiores
entraves está em encontrar terrenos de baixo custo para esses
empreendimentos”, comentou.
O aumento do peso das moradias populares também impactará os métodos de
construção e os materiais usados por eles. São projetos de margem de lucro
reduzida em relação aos empreendimentos tradicionais, portanto, exigem
alta eficiência e boa gestão tecnológica dos construtores para evitar
prejuízos. “As exigências de sustentabilidade também são crescentes e
devem incentivar o uso de energia solar, por exemplo, ainda muito cara no
Brasil”, comentou. A entrada de construtoras estrangeiras nesse mercado
deve impulsionar a evolução tecnológica do setor.
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Isso também deve se refletir nos aspectos regulatórios
da construção civil. A especificação dos materiais deve obedecer às
normas oficiais, garantindo a qualidade final das obras e a satisfação
dos clientes, além de reduzir ao mínimo os impactos ambientais.
“Existem índices mínimos de habitabilidade estipulados em normas
oficiais que não podem ser esquecidos, mesmo quando se pretende
reduzir custos”, comentou Borges.
Fernando Peres comentou que a Abrafati está acompanhando as mudanças
normativas em materiais de construção e até apoiou a elaboração das
normas oficiais sobre tintas. “O Minha Casa, Minha Vida é muito
importante para nós, porque se todas essas obras usarem tintas no
acabamento teremos um aumento de 2% |

Peres: normas de construção exigem respeito à qualidade |
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