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Divulgação

MBR air lift usa borbulho de ar para melhorar
fluxo |
Cresce uso da tecnologia de MBR
no Brasil na indústria e no saneamento
Marcelo Furtado
Só mesmo o tempo
para comprovar a viabilidade de nacionalização de uma tecnologia já
empregada em países desenvolvidos com certo sucesso. Isso porque, por
melhores que sejam os resultados e a argumentação dos interessados em
vender novos sistemas e equipamentos importados para clientes
brasileiros, a nossa realidade é muito diferente da de europeus e
norte-americanos. Em tratamento de efluentes, então, isso é ainda mais
nítido, tendo em vista que normalmente os países desenvolvidos encaram
a questão |
ambiental com mais prioridade e não se acanham em fazer investimentos
altos para atingir padrões elevados de reúso. Isso sem falar nas
diferenças de clima, de característica da água, e por aí vai.
Pois o momento parece ser o de constatação de que é possível sim o Brasil
empregar as estações de biorreatores a membrana, os MBRs (membrane
bio-reactor), tecnologia baseada no uso de membranas de micro e
ultrafiltração integradas ao tratamento biológico. Há alguns anos em
constante divulgação pelos principais fornecedores internacionais, que
passaram a disponibilizar a tecnologia em um primeiro momento para atender
a grandes concorrências da Petrobras, o MBR tem tido seu uso expandido e,
melhor, em aplicações diversificadas.
O melhor termômetro para avaliar o progresso dos biorreatores a membrana
no Brasil é a estreia da tecnologia em um campo considerado até então
muito distante e difícil de ser conquistado pelos fornecedores: o
tratamento de esgoto em companhias públicas. Embora existam muitos
exemplos no exterior em obras para tratar e reusar esgoto de cidades, no
Brasil este não era um mercado que despertava muitas esperanças de venda,
visto que as companhias de saneamento brasileiras são consideradas lentas
e complicadas para negociar e ainda resistentes a sistemas modernos de
tratamento.
Mas não foi isso o que o tempo mostrou em pelo menos duas obras
importantes no estado de São Paulo: uma na autarquia de água e esgoto da
cidade de Campinas, a Sanasa, e outra na companhia estadual paulista, a
Sabesp. De forma pioneira no Brasil e até na América Latina, as duas
fizeram concorrências para contratar ETEs de MBRs, pela ordem cronológica,
a Sanasa em duas novas estações, a de Capivari 2 e a de Boa Vista, e a
Sabesp em estação na famosa cidade de veraneio de Campos do Jordão.
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Em Campinas, já está em fase de implantação o primeiro lote de licitação,
lançada no meio de 2009, da EPAR (Estação de Produção de Água de Reúso)
Capivari 2, cuja disputa foi vencida por um consórcio entre a Odebrecht e
a GE Water, que assinaram contrato de fornecimento em novembro do mesmo
ano. A obra já está em fase de terraplenagem pela construtora e o módulo
de membranas de fibra oca da GE será fornecido para atender à meta de |
Divulgação

Campinas vai usar tecnologia de membranas
de fibra oca |
conclusão das obras até o final de 2010. Com dinheiro do PAC (Programa de
Aceleração do Crescimento) – R$ 55 milhões mais R$ 18 milhões de
contrapartida da prefeitura de Campinas –, o primeiro lote prevê
inicialmente um módulo de membranas para vazão de 182 litros por segundo.
O segundo lote, orçado em R$ 75 milhões e cuja verba deverá ser liberada
integralmente do PAC em março, também a cargo do consórcio Odebrecht-GE
terá a mesma vazão. O projeto completo de Capivari, porém, é para 700 l/s,
com quatro módulos, e será concluído ao longo do tempo.
De acordo com o gerente do departamento de planejamento e projetos da
Sanasa, Rovério Pagotto, além de tratar o esgoto de 250 mil moradores de
97 bairros e núcleos residenciais da região sudoeste de Campinas e ajudar
a recuperar o Rio Capivari, a ideia principal com o uso do MBR é criar
receita com a venda de água de reúso para a indústria e com o tratamento
de efluentes industriais. Região com forte setor produtivo, várias
empresas de Campinas e arredores precisam pagar para enviar seus efluentes
para tratamento em Jundiaí e São Paulo. Na EPAR, está previsto o
tratamento de 5 l/s de efluente de indústrias da região.
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Outro motivo importante que pesou na decisão, segundo Pagotto, foi se
antecipar à legislação que obrigará as companhias e empresas a adotar
tratamento terciário para remover fósforo e nitrogênio de efluentes e
esgotos até 2020. Com o MBR, aliás, o tratamento não só atende a esses
requisitos como a água se torna muito atrativa para o reúso. Embora ainda
não exista nenhum acordo firmado, o gerente da Sanasa tem convicção de que
não precisará de esforço para conseguir clientes no parque industrial de
Campinas. Pelo contrário, segundo ele, será até difícil suportar toda a
demanda. Basta lembrar que a Petrobras possui sua maior refinaria na
vizinha Paulínia e que grupos como Rhodia contam com grandes sítios
produtivos na região, todos com alta demanda de água. |
Cuca Jorge

Pagotto: Sanasa decidiu por MBR para gerar receita com reúso |
O esgoto tratado terá alta qualidade final, resultado da planta completa a
ser instalada pela Odebrecht. Antes do MBR, o pré-tratamento contará com
gradeamento para sólidos grosseiros, peneira de 2 mm e caixa de areia.
Antes de seguir para o reator aeróbico com lodo ativado por ar difuso,
onde estão as membranas submersas, o esgoto ainda passará por tanque
anaeróbico para remoção de fósforo e por câmaras anóxicas para transformar
o nitrato em nitrogênio gás. O resultado desse tratamento é a remoção de
99% do DBO, turbidez inferior a 1 NTU e coliformes fecais abaixo de 100
unidades NMP (número mais provável). A qualidade é tanta que tecnicamente
seria possível, depois de cloração, usar a água para abastecimento público
(o que não será feito, bom acrescentar).
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A engenharia compacta do MBR também chamou a atenção dos técnicos da
Sanasa. O terreno para a construção já havia sido comprado há alguns anos,
quando a ideia era construir uma estação com tratamento anaeróbico, nos
moldes de outras existentes da Sanasa. Com 180 mil metros quadrados, nem
metade da área será ocupada pelos tanques que adequarão o coração do
tratamento, ou seja, os módulos com 48 cassetes e 36 mil m2 de área de
membrana cada. “Só o que se economiza de área, ao não precisar de
decantadores, já é um argumento importante para uma companhia de
saneamento pensar no MBR”, afirmou o gerente de operação de esgoto, Renato
Rossetto. |
Cuca Jorge

Rossetto: economia de área e boa água obtida do esgoto |
O valor da obra na estação de Capivari chegará, nos dois lotes, no total
de R$ 149 milhões, porque ainda engloba a construção de 41 quilômetros de
interceptores e coletores-tronco com diâmetros de até 1.200 mm, além de 8
km de linhas de recalque, sete elevatórias de esgoto bruto, sendo três
delas de grande porte, para 290 l/s. Já a concorrência para a ETE Boa
Vista (R$ 36 milhões), que ajudará a Sanasa a cumprir seu plano de
universalização total dos serviços de água e esgoto até 2012, envolverá
apenas a estação completa com o módulo de MBR de 180 l/s, pois o
interceptor está pronto. A data para essa concorrência ainda não está
definida.
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