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AMBIENTE
Grupo gaúcho adquire recicladoras de mercúrio
Os empresários gaúchos
João Guilherme Sebben e Eduardo Sebben compraram recentemente as empresas
Brasil Recicle, de Indaial-SC, e a Apliquim Tecnologia, com sede em
Paulínia-SP. Ambas são especializadas em sistemas de sequestro de
mercúrio. O metal pesado pode ser encontrado em várias aplicações, como
nas lâmpadas frias e nos amálgamas odontológicos.
A Brasil Recicle concentra a atividade na retirada e descontaminação do
elemento químico de lâmpadas. Já a unidade paulista, detentora de Iso
14001, consegue capturar o metal pesado do amálgama odontológico,
termômetros e equipamentos de medir pressão arterial. Segundo Eduardo
Sebben, o volume de mercúrio existente hoje no país, se fosse totalmente
reciclado, tornaria desnecessária a compra e a extração do metal pesado,
considerado altamente perigoso, principalmente no estado gasoso, como é
encontrado nos garimpos clandestinos de ouro.
Das lâmpadas descartadas no Brasil, cerca de 80 milhões/ano, apenas 3% têm
destinação adequada. O mercúrio presente nas lâmpadas é altamente tóxico e
bastante volátil, pode contaminar o solo, os animais, as águas e os seres
humanos. Para evitar possíveis impactos ao meio ambiente, deve-se dar um
destino adequado às lâmpadas com vapor de mercúrio após o seu uso.
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A reciclagem é considerada a melhor solução. O
processo começa pela classificação das lâmpadas fluorescentes por
comprimento e diâmetro, para, em seguida, encaminhá-las para o
processo de descontaminação.
De acordo com Sebben, a descontaminação pode ser realizada com
segurança desde que sejam observadas todas as etapas do processo, tais
como análise laboratorial dos produtos e subprodutos, monitoramento
técnico-ambiental, frota adequada para o transporte e devidamente
licenciada, com sistema de exaustão para controle de vapores e
profissionais treinados na manipulação dos materiais. A captura ocorre
na máquina de descontaminação que funciona enclausurada e sob pressão
negativa, para que não haja fuga do vapor de mercúrio. |
Fernando C. de Castro

O mercúrio nunca se torna inerte |
A máquina corta e limpa as lâmpadas automaticamente e
permite a captura do vapor de mercúrio por exaustão forçada, realizada com
apoio de filtros de carvão ativado. O ar carregado de partículas de pó de
fosfato exaurido durante a limpeza das lâmpadas passa pelos filtros, nos
quais as partículas ficam retidas. O ar atravessa o meio filtrante de
carvão, saindo limpo para a atmosfera. O tubo de vidro descontaminado é
recolhido no final da linha de produção.
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As lâmpadas de bulbo (HID), após serem classificadas
de acordo com suas dimensões, são submetidas à separação do terminal
por corte. Junto com o terminal é retirado o bulbo interno que contém
mercúrio e os sistemas de suportes que mantêm a posição do bulbo no
interior da lâmpada. O pó de fósforo é retirado pela ação de forte
pressão de ar seguida de exaustão.
Mas o volume de mercúrio em lâmpadas é insignificante. São necessárias
55 mil unidades para capturar 800 gramas do elemento químico. Os
subprodutos da lâmpada são o vidro, reaproveitado na indústria de
cerâmica, as sucatas metálicas, vendidas para fundições, e a poeira
fosforosa que vai para a fabricação de tintas. |
Fernando C. de Castro

Sebben: se Hg fosse reciclado, evitaria-se compra e extração |
O problema do mercúrio é a sua bioacumulação, além do fato
de jamais tornar-se inerte. Se uma lâmpada quebra, todo o volume de
mercúrio vai para o ambiente e atingirá fatalmente algum bioma. Na opinião
de Sebben, deveria haver um estímulo para a captura correta do mercúrio.
Bastaria montar uma estrutura de reciclagem permanente dos volumes
existentes no país, uma vez que o governo, pelo menos a princípio, sabe
onde estão armazenados os descartes.
F. C. C.
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