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CARGAS MINERAIS |
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Aditivos evoluem e ampliam funções
nas tintas para além do simples enchimento
Texto de Denis Cardoso e Fotos de Cuca Jorge
Converse com qualquer
representante de uma empresa de cargas minerais e tente extrair dele
explicações rápidas sobre os seus produtos disponíveis para o segmento de
tintas. Missão impossível hoje em dia, tamanha é a variedade de itens
existentes nos portfólios das companhias e também as inúmeras funções que
esses ingredientes exercem sobre o produto final. Sem contar a
complexidade das operações logísticas envolvendo as remessas de produtos
úmidos, dispersos em água, sistema conhecido no mercado como slurry.
Nem sempre foi assim. Há pouco mais de uma década, os fabricantes de
tintas no Brasil tinham uma visão mais restrita da contribuição dos
minerais para suas formulações. Chamados originalmente de “cargas”, esses
insumos, agora promovidos a “aditivos”, eram utilizados apenas como
enchimento e reverenciados somente como importantes redutores de custos,
pois eles substituem em parte ingredientes mais caros, como o dióxido de
titânio, aplicado como pigmento branco e agente opacificante.
Carbonato de cálcio, talco, alumina hidratada, diatomita, dolomita, mica,
caulim e sulfato de bário são algumas das matérias-primas mais ofertadas
atualmente pelos fornecedores de cargas, que atendem tanto as fábricas de
tintas quanto as de outros setores, como as de papel e as de plásticos.
Cada um desses minerais, porém, pode dar origem a mais de uma centena de
subprodutos, naturais ou sintéticos, graças ao emprego de diferentes
processos de tratamento e beneficiamento, como classificação, britagem,
moagem, flotação, peneiramento, aeroclassificação, calcinação, hidratação,
carbonatação, precipitação, micronização e atomização. Muitas vezes
produzidas em laboratório especialmente para satisfazer uma demanda
específica de um determinado cliente, essas fórmulas interferem em
diversas propriedades do filme. Entre as melhorias de desempenho mais
comuns atribuídas ao uso de aditivos minerais estão: resistência mecânica
do filme; resistência química e às intempéries; porosidade; alvura;
fosqueamento, opacidade, permeabilidade; lavabilidade; poder de cobertura;
brilho, lustre, dispersão, retenção, uniformidade de cor e sedimentação.
Teoricamente, buscam-se com as cargas resultados que combinem a melhoria
de qualidade das tintas com menores custos finais de produção, via redução
de uso de outros aditivos, resinas e pigmentos.
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“Antigamente, as cargas minerais eram vistas como o
‘primo pobre’ dos componentes da tinta. Hoje, não podemos dizer que
esses aditivos são o ‘primo rico’, pois continuam sendo os mais
baratos entre os insumos que compõem o processo de formulação, mas
pode-se afirmar que eles são considerados agora ‘bons parentes’”, diz
José Carlos Bartholi, diretor-comercial da Minérios Ouro Branco, que
prefere chamar os seus produtos de “especialidades minerais”.
“Oferecemos aditivos de alto desempenho, que interferem em diversas
propriedades do filme, como melhoria ao intemperismo, lavabilidade e
resistência mecânica”, garante. Na carteira de oferta da Ouro Branco,
com unidade industrial no bairro da Vila Nova Cachoeirinha, em São
Paulo, é possível encontraras principais cargas minerais do mercado,
como talco, |

Bartholi: cargas minerais não são mais o "primo pobre" |
dolomita, caulim calcinado, carbonato de cálcio precipitado, sulfato de
bário e mica. Na visão de Bartholi, as indústrias de tintas buscam cada
vez mais aditivos com partículas menores e tratamentos superficiais. “A
empresa que tem hoje um portfólio mais elaborado faz a diferença no
mercado”, avalia o diretor da companhia.
A geoquímica Elaine Luciano, da J. Reminas Mineração, com fábricas em
Cachoeiro de Itapemirim-ES e Guarulhos-SP, conta que, há menos de duas
décadas, a empresa atuava no mercado apenas como uma simples portadora de
jazidas, que extraía seus minerais, lavava, moía, ensacava e distribuía.
“Antes, os minerais eram utilizados como uma espécie de farinha para
confecção de um bolo: adicionava-se, sem quase nenhum critério, grandes
quantidades de cargas brancas, principalmente carbonato de cálcio, para
engrossar a tinta e baratear o produto”, lembra.
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Com o avanço tecnológico das fábricas brasileiras, os
compradores desses minerais passaram a exigir dos fornecedores
produtos de melhor qualidade, descartando primeiramente as remessas de
cargas impuras. Até então, era comum que as companhias entregassem aos
seus clientes minérios contaminados com metais e outras impurezas,
comprometendo a qualidade da tinta. Para acabar com esse problema, as
empresas passaram a desenvolver processos de purificação das cargas,
utilizando equipamentos como o eletroímã, responsável pela retirada
desses metais, chamados no mercado de “pontos pretos”. “De dez anos
para cá, as empresas conseguiram eliminar totalmente a presença de
metais nas cargas”, garante a geoquímica da J. Reminas. |

Elaine: remoção de impurezas melhorou a qualidade das cargas |
Com o fim das contaminações, a indústria de tinta passou a procurar no
mercado cargas mais leves, pois em muitos casos as tintas acabavam
decantando (formação de uma espécie de barro no fundo das latas),
influenciadas pelo peso desses minerais. Os fornecedores de cargas
passaram então a micronizar os minérios, para diminuir a densidade das
partículas e, com isso, deixá-las mais tempo em suspensão. Não demorou
muito tempo para que o mercado brasileiro vivesse uma verdadeira “febre
dos micronizadores”, equipamentos cujo valor de aquisição pode superar
facilmente os R$ 600 mil. Nesse tipo de máquina, as partículas se chocam
conforme a regulagem de um jato de ar e depois se quebram até atingirem o
limite máximo, que depende de cada tipo de pedra.
Os anos 2000, porém, também ficaram marcados pelo “boom” dos produtos
sintéticos, que são obtidos por meio da calcinação, hidratação e
carbonatação dos minerais naturais. Em 2007, a J. Reminas se viu obrigada
a investir também na produção de minérios sintéticos, atendendo às novas
exigências do mercado de tintas, conta Elaine. “Iniciamos os processos de
análise de matérias-primas que não existiam no Brasil e começamos a
produzi-las em laboratório, de acordo com as necessidades dos nossos
clientes”, acrescenta. A J. Reminas também passou a purificar os minérios
existentes no país, como o sulfato de bário, hoje um dos carros-chefe da
companhia. “Diferentemente de outros países, como a China e os Estados
Unidos, não existem no Brasil jazidas de bário com 99% de pureza. Por
isso, começamos a produzir em nossa fábrica grandes volumes de minério de
bário-99%, para atender os clientes que antes tinham que importar, a
custos mais altos”, explica.
Entre as várias parcerias da J. Reminas fechadas com empresas de tintas,
Elaine destaca um recente acordo firmado com um fabricante (cujo nome ela
não quis revelar) que envolve a nacionalização de uma tinta automotiva
fabricada no Canadá, originalmente aplicada em aviões e produzida com
carga de Wollastonita, minério inexistente no Brasil. “Essa indústria
tinha a fórmula da tinta e estava disposta a importar a Wollastonita dos
Estados Unidos. Porém, como já tínhamos outras parcerias com essa empresa,
acabamos assumindo o projeto, produzindo, ainda em fase piloto, a
Wollastonita em nosso laboratório”, afirma. Essa tinta de origem canadense
tem como principal característica a sua grande resistência a extremos de
temperaturas (calor e frio), sendo bem mais maleável que as tintas
existentes no mercado brasileiro, descreve Elaine. “Trata-se de uma tinta
com grande durabilidade e pouquíssima manutenção, que será aplicada no
Brasil em veículos mais sofisticados.”
Pelo acordo com a fabricante de tintas, inicialmente a J. Reminas vai
produzir em laboratório cerca de 300 quilos da carga Wollastonita, que
serão testados em misturas com outros componentes da nova tinta. “Depois,
pretendemos fabricar, em nossa unidade industrial, a Wollastonita em
escala industrial, para um consumo inicial de 30 toneladas/mês”, revela a
geoquímica. A J. Reminas pretende ainda inaugurar, em 2012, sua terceira
fábrica de cargas minerais no país, em Barueri-SP. “Será uma unidade de
calcinados para fundição, que irá atender, sobretudo, a Petrobras”, afirma
Elaine, sem revelar o valor do investimento. “Mas também teremos nessa
fábrica a produção de caulim calcinado, esse voltado para o setor de
tintas”, acrescenta. Além dessa nova unidade, a empresa vai construir no
mesmo local um moderno laboratório, com equipamentos importados da
Inglaterra, com capacidade para fazer todo tipo de análise de minérios
não-metálicos e não-ferrosos.
Apesar dos avanços tecnológicos, a carga mineral ainda é um produto barato
em relação aos outros insumos utilizados pela indústria de tintas. O baixo
retorno financeiro da atividade, na visão das companhias de aditivos,
acaba inibindo novos investimentos na linha de produção e/ou em
equipamentos. “É por isso que vendemos volumes muito grandes de cargas
para poder ter alguma lucratividade”, afirma a geoquímica da J. Reminas.
Só de carbonato de cálcio, a empresa fabrica 7 mil toneladas por mês,
sendo que 5,5 mil t/mês são direcionadas para a indústria de tintas. No
entanto, a empresa já produziu volumes maiores de carbonato de cálcio no
passado – em meados dos anos 90, a oferta mensal alcançava 17 mil
toneladas/mês –, mas o insumo foi perdendo espaço para outras cargas
consideradas mais sofisticadas. “Hoje, o nosso carro-chefe é o sulfato de
bário micronizado, que possui partículas mais lamelares, que conferem um
acabamento superficial mais uniforme e boa cobertura”, afirma. Segundo
Elaine, a empresa planeja aumentar a produção de sulfato de bário, que
atualmente gira em torno de mil toneladas mês na planta de Cachoeiro de
Itapemirim. “Nossa oferta atual é insuficiente para atender a todos os
pedidos dos fabricantes de tintas, sobretudo nos três últimos meses do
ano, quando aumenta o interesse por este tipo de carga”, afirmou,
revelando a intenção de duplicar ainda neste ano a produção mensal de
sulfato de bário, chegando a 2 mil toneladas.
Sem tendência definida – A forte concorrência existente no setor de
cargas minerais estimula as empresas a perseguir diferentes frentes de
negócios dentro da mesma área de atuação, no caso, o setor de tintas. Não
raro, as companhias seguem estratégias totalmente opostas umas das outras.
É o caso da Imerys e da Itatex Especialidades Minerais, duas importantes
fornecedoras de cargas minerais para a indústria brasileira de tintas. A
Imerys tem um portfólio enxuto, com uma linha ativa de menos de 20
produtos, e trabalha principalmente com o fornecimento de cargas na
modalidade slurry. A Itatex, por sua vez, exibe uma carteira de oferta com
mais de 160 tipos diferentes de cargas secas e concentra seus esforços na
busca de soluções personalizadas para os seus clientes.
“Nós somos fundamentalmente uma empresa de slurry, que sobrevive de
grandes contas, ou seja, vendemos grandes volumes de cargas minerais,
principalmente para a indústria de papel e de tintas”, diz Leandro Bizarro
da Rocha, gerente-técnico da Imerys, companhia de origem francesa, com
quatro fábricas e quase dez jazidas espalhadas pelo Brasil. Fornecedora de
cargas minerais para as principais empresas de tintas, a Imerys mantém um
portfólio ativo com seis tipos slurries, além de algumas variedades de
produtos secos, esses negociados em quantidades bem mais modestas.
Já a Itatex, com fábrica em Campinas e sem nenhuma única jazida em seu
poder – a empresa se abastece comprando matérias-primas em todo o
território nacional –, é reconhecida no mercado pelas suas especialidades
minerais vendidas em sacos de 25 quilos, cujo objetivo maior é agregar
valor aos seus produtos e satisfazer os anseios individuais de cada um dos
seus clientes. “O mercado procura cada vez mais aditivos minerais que
desempenhem funções importantes como extender do dióxido de titânio,
ajuste do brilho, facilidade de limpeza, dureza e permeabilidade do filme,
controle de porosidade, ajuste da viscosidade, aumento da resistência
química e propriedades elétricas”, afirma o engenheiro Antonio Alonso
Ribeiro, diretor da Itatex. Segundo
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