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Petróleo &
Energia |
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Divulgação BR

Cavaletes para gás natural aguardam instalação no
Espírito Santo |
Crise econômica e reservatórios cheios
nas hidrelétricas põem gás natural em ritmo lento
Bia Teixeira e Cristina Santos
Uma
inversão de cenários marca o mercado de gás natural no Brasil. Se há
três anos, após a nacionalização dos ativos do setor de petróleo e gás
na Bolívia (maio de 2006), a corrida contra o |
tempo para evitar um “apagão” exigia da Petrobras esforços para
disponibilizar um volume maior de gás para termelétricas e indústrias –
ambas em fase de expansão acelerada de consumo –, a situação atual é
completamente oposta.
O ritmo da estatal para o gás natural está lento, mais para o tango
argentino do que para o samba carioca. E atrasa projetos, uma vez que a
Petrobras, única produtora nacional e controladora do gasoduto
Bolívia-Brasil (Gasbol), a responsável pelo fornecimento de gás para as
distribuidoras estaduais, não tem mais onde colocar o gás natural no
momento.
Depois do boom no setor termelétrico e industrial, principalmente,
incentivado pelo governo e pela estatal, como forma de ampliar a
participação desse combustível na matriz energética brasileira, o setor de
gás natural perdeu a cadência.
Com os reservatórios abarrotados e até vertendo água, em alguns casos, sem
maiores demandas de energia, as térmicas pouco geraram no decorrer do ano
passado e no início de 2010. O cenário de desaquecimento da economia,
decorrente da crise financeira internacional que explodiu no final de
2008, contribuiu para o crescimento pífio no consumo de energia elétrica
em 2009.
Ainda que não tenha sofrido o mesmo impacto que a crise provocou nos
Estados Unidos e na Europa, o Brasil não conseguiu evitar o arrefecimento
nas atividades industriais, que contribuiu para uma queda no fornecimento
direto de gás para este setor. Somado a isso, o aumento expressivo do
valor do barril de petróleo no mercado internacional – no qual se baseia o
cálculo para o preço do gás nacional – ao longo de 2009, fez com que esse
combustível perdesse a competitividade perante outros energéticos, como o
óleo e até a lenha ou o carvão, além da própria geração hidrelétrica, no
caso da indústria principalmente.
Sinais de fumaça – O primeiro sinal evidente de que havia um volume
excedente de gás natural no país foi a redução da importação do gás
boliviano, que no ano passado ficou na média de 21 milhões de metros
cúbicos por dia, ante a capacidade máxima de 31 milhões em 2008.
Em seguida, houve a suspensão das atividades em plataformas de produção de
gás não-associado, como é o caso dos campos de Camarupim e Peroá-Cangoá,
na Bacia do Espírito Santo, e desaceleração geral nas demais unidades,
terrestres ou marítimas.
A produção nacional, que vinha em um crescente desde 2000, quando passou
de 13,3 bilhões de m³/dia para os quase 14 bilhões em 2001, chegando a
17,7 bilhões em 2006, para saltar aos 21,6 bilhões de 2008, entre janeiro
e novembro de 2009, ficou pouco acima de 18,2 bilhões de m³/dia.
Esses dados são da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP – Boletim Mensal de Produção, conforme o Decreto n.º
2.705/98). Nesse total estão incluídos os volumes de reinjeção, queimas,
perdas e consumo próprio de gás natural por parte das petroleiras. De
acordo com o mesmo boletim, o volume de gás reinjetado no início da década
era de 2,7 bilhões de m³/ano enquanto que no final de 2009 somava mais de
4,3 bilhões de m³.
A queima e perda de gás no processo tiveram uma curva descendente nos
primeiros anos dessa década, também por imposição de novas normas
ambientais: passou de 2,3 bilhões em 2000 para 1,5 bilhão, em 2004. Mas
começou a aumentar de novo daí em diante, chegando a 1,9 bilhão em 2007,
alcançando quase 2,2 bilhões em 2008, saltando para 3,4 bilhões em 2009.
A queima atingiu picos de 13,3 milhões de m³/dia em junho do ano passado.
O volume é surpreendente, considerando, por exemplo, que a Comgás, a maior
distribuidora de gás canalizado do país, no mesmo período, vendeu 12,2
milhões de m³/dia. A Petrobras estima que em 2010 a queima de gás deverá
diminuir em relação ao ano passado, quando uma série de manutenções em
plataformas de produção puxou os números para níveis recordes.
E o consumo próprio das petroleiras nas atividades de exploração e
produção passou de 1,7 bilhão, em 2000, para 3,1 bilhões de metros
cúbicos/dia de gás natural em 2009, de acordo com o boletim mensal da ANP.
A agência destaca que esse consumo se refere não somente às áreas de
produção, mas também das UPGNs de Urucu I, II e III, Guamaré I, II e III,
Pilar, Atalaia, Carmópolis, Candeias, Catu, Bahia, Lagoa Parda e Cabiunas.
Desacelerando – Em janeiro, a diretora de Gás e Energia da
Petrobras, Maria das Graças Foster, informou ao mercado que a intenção da
estatal é alterar o cronograma do ramp-up das plataformas de Mexilhão e
Uruguá-Tambaú, ambas na Bacia de Santos. “Elas serão instaladas no prazo
previsto, mas produzirão o mínimo demandado”, disse a diretora.
Segundo ela, para Mexilhão está prevista a produção de apenas dois milhões
de m³/dia, volume bem aquém de sua capacidade alardeada de 15 milhões de
m³/dia. Um banho de água fria no entusiasmo da própria estatal, que se
orgulha de estar instalando uma das maiores plataformas de gás natural já
construídas no mundo.
Mexilhão, que já provocou muita polêmica desde sua descoberta, quando as
reservas foram superestimadas e depois reavaliadas para baixo – ganhando a
jocosa alcunha de Mexilhinho – estava prevista para entrar em operação em
março (veja box), mas a partida desse megaempreendimento foi adiada para
maio ou junho.
A diretora rebate as constatações de que está “sobrando” gás natural no
país e costuma preferir o termo “flexibilidade” para tratar do excedente
do combustível. “Hoje temos uma curva de produção mais flexível e
adaptável às exigências do mercado”, pontua.
Para reforçar essa defesa, ela exemplificou que no dia 24 de janeiro a
Petrobras foi chamada pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), para
abastecer com gás usinas térmicas que gerariam apenas 24 MW. Quinze dias
depois, porém, este volume saltou para pouco acima de 3 mil MW,
responsáveis por consumir algo em torno de 16 milhões de m³/dia de gás.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) exige que a Petrobras tenha
disponível 30 milhões de m³/dia para abastecer usinas térmicas que têm uma
capacidade de geração de 8 mil MW. Mas as perspectivas de geração são de
apenas 800 MW diários, abaixo da média de 960 MW diários em 2009.
No cenário industrial as perspectivas são um pouco melhores. Segundo a
Petrobras, há possibilidade de o mercado não-térmico recuperar maior
proximidade – mais ainda abaixo – da demanda de 2008, quando houve recorde
histórico do consumo de gás no país.
Produto caro – De acordo com a Associação Brasileira das Empresas
Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), o volume de gás natural
comercializado no acumulado do ano de 2009 atingiu a média diária de
consumo de 36,7 milhões de m³, uma retração de 26% em relação à média do
ano de 2008.
Essa retração fez com que a Petrobras realizasse em 2009 pelo menos dez
leilões de gás para o mercado spot a preços menores. Com isso, neste
início de ano parte do combustível fornecido às indústrias ficou cerca de
35% abaixo do valor cobrado do mercado não-flexível.
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