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TUBOS |
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Cuca Jorge
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Produção nacional pode suprir à
demanda,
mesmo com o pré-sal, mas
teme importação subsidiada
Marcelo Fairbanks |
Não será por falta de tubos
que os investimentos anunciados pelo governo e pelo setor privado em
vários segmentos da atividade econômica nacional deixarão de ser
executados. A capacidade de produção de tubos de aço no Brasil vai além de
4,3 milhões de toneladas anuais, mas seu índice médio de ocupação em 2009
não passou de 65%. Isso garante o atendimento da demanda nacional, ainda
que os vários projetos divulgados sejam ativados simultaneamente para
formar o mutirão de obras característico dos anos de campanha eleitoral.
“A capacidade hoje ociosa e as novas fábricas de tubos que estão em
construção são suficientes para suprir a demanda, embora possa haver
alguma dificuldade em obter alguns tipos especiais”, avaliou José Adolfo
Siqueira, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tubos
e Acessórios de Metal (Abitam). As importações contribuirão para abastecer
o mercado, principalmente nos produtos feitos com aços e processos
especiais, como os feitos de ligas especiais ou os cladeados.
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Siqueira observa, porém, um aumento na importação de
tubos com similar nacional. Essas operações decorrem de distorções
criadas pela introdução de regimes tributários especiais, como o
Repetro (Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens
Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de
Petróleo e Gás Natural) e o Repenec (Regime Especial de Incentivos
para o Desenvolvimento de Infraestrutura da Indústria Petrolífera nas
Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste). “O governo muitas vezes quer
desonerar algum grande projeto de investimento, mas acaba por
privilegiar importações que ficam isentas de tributos no país de
origem e também aqui”, criticou. Essas distorções são perigosas porque
desestimulam a implantação de fábricas no país onde, por força dos
mesmos regimes especiais, a cadeia |
Cuca Jorge

Siqueira: Abitam luta contra regime que estimula importação |
produtiva acumula créditos tributários para receber algum dia. Além disso,
o fabricante local nem sempre consegue escapar de tributos estaduais e
municipais e, por isso, ainda fica entre 7% e 10% mais caro. “Desse jeito,
uma empresa internacional prefere montar uma fábrica nova no exterior e
trazer de lá os tubos.”
Representando o setor, a Abitam pleiteia a revisão desses regimes
especiais, reconhecendo sua importância para a atração de capitais
externos para grandes projetos em tempos de alta inflação e baixa
credibilidade internacional do país. Em 2009, por exemplo, a participação
dos importados no mercado local foi expressiva, principalmente porque
houve uma retração de demanda. “Há um excesso de produção de tubos de aço
no mundo, que se reflete nas ocorrências de subsídios, subfaturamento e
dumping, com as quais temos de competir, além de suportar uma taxa cambial
desfavorável”, afirmou Siqueira.
A Abitam espera uma recuperação significativa do mercado nacional de tubos
em 2010, que começou com os setores de construção civil e automotivo em
forte atividade. A partir do segundo semestre, devem surgir encomendas
ligadas ao saneamento básico e também às obras necessárias para a Copa do
Mundo de Futebol de 2014 e para a Olimpíada do Rio (2016). Além da
condução de fluidos, os tubos de aço são muito usados como componentes
estruturais de edifícios e de vários equipamentos urbanos. “Há muita
fumaça, muitos projetos anunciados, mas poucos pedidos efetivamente
colocados”, lamentou.
Siqueira revela boas expectativas para 2010. Em 2008, um ano excepcional
para os negócios, o faturamento setorial chegou a US$ 5 bilhões, com
produção superior a 2,2 milhões de toneladas de tubos de aço. O diretor da
Abitam comentou que 2009 mostrou os efeitos da crise, porém estes variaram
de segmento para segmento de mercado. No total, ele apontou uma queda de
aproximadamente 15% no movimento físico, que ficaria, portanto, perto de
1,87 milhão de toneladas. “É possível que voltemos ao patamar de mercado
de 2008”, comentou.
Com costura – O desempenho dos produtores de tubos de aço carbono e
inox sem costura em 2009 ficou abaixo do alcançado em 2008, mas isso
apenas comprova que este ano teve números excepcionais. Pelos resultados
divulgados em fevereiro pela Confab Industrial S.A. (grupo TenarisConfab),
verifica-se que a empresa obteve a receita líquida de R$ 1,76 bilhão,
quase 11% inferior ao R$ 1,97 bilhão registrado em 2008. Porém, em relação
a 2007, houve um aumento de quase 14% nesse item em 2009.
Além disso, à queda de 11% na receita líquida correspondeu uma redução de
38,7% na tonelagem processada de aço em tubos, de 478,4 mil t para 293,3
mil t, no período de comparação. Segundo a companhia, isso deve ser
interpretado considerando a redução da demanda nacional por dutos de gás
por terem sido concluídos recentes projetos de grande envergadura, os
gasodutos troncais do Plano Nacional de Gás Natural (Plangás). As
exportações de tubos foram prejudicadas pela apreciação do real e pelo
desinteresse na construção de novos gasodutos, justificada pela crise
econômica mundial. Em compensação, a empresa vendeu, em 2009, 31,9 mil t
de tubos especiais para prospecção de petróleo (OCGT – Oil Country Tubular
Goods), quantidade 41,8% acima da vendida em 2008.
Atenta aos planos de investimentos da Petrobras, a Confab injetou R$ 28
milhões na adaptação da principal linha produtiva de tubos para
confeccionar produtos com maior espessura de aço, voltados para aplicações
offshore. Esses novos tubos foram vendidos para o gasoduto do campo de
Tupi e entregues em dezembro passado.
A Confab iniciou 2010 com o mesmo cenário de retração de demanda nacional
e internacional, moeda local apreciada e elevação de custos. Porém a venda
de tubos OCGT para a Petrobras deve ser mantida em nível considerável.
Além disso, espera-se para o segundo semestre uma retomada de
investimentos em dutos de transporte para álcool e petróleo/gás (offshore),
no Brasil e no exterior. A área de atuação da companhia compreende a
América do Sul e o Caribe.
A Soluções Usiminas, empresa do grupo siderúrgico Usiminas (com
participação acionária da Nippon), projeta para 2010 e anos seguintes um
forte crescimento no consumo de tubos de aço. Isso se deve ao “crescimento
da economia nacional previsto para 6% em 2010, ao avanço dos projetos
ligados à Copa do Mundo, Olimpíada, exploração do pré-sal e do programa
Minha Casa Minha Vida, além do fato de ser um ano de eleições
majoritárias”, comentou Luis Ernesto Migliora, diretor da Soluções
Usiminas.
A empresa detém 20,16% do mercado nacional de tubos de aço, segundo a
Abitam, produzindo tubos de aço carbono e inox com costura com perfil
redondo, quadrado, retangular ou oblongo, galvanizados a fogo, além de
eletrodutos, tubos de condução preto e schecules. Opera com aço de
diversas qualidades em bobinas, com laminação a frio ou a quente. Seus
segmentos de atuação incluem implementos agrícolas e rodoviários,
estruturas metálicas, construção civil, indústria naval e automobilística.
Segundo Migliora, o mercado nacional de tubos de aço vinha crescendo em
ritmo acelerado até a crise mundial de outubro de 2008. Em 2009, a
retração de consumo foi de 25%. “Em 2010, a demanda deve voltar aos níveis
de 2008”, afirmou. Tamanha é a confiança no mercado que a Soluções
Usiminas mantém um plano arrojado de crescimento, com metas agressivas até
2014, implicando grandes projetos de investimento “que ainda não podem ser
revelados”, enfatizou Migliora.
A Soluções Usiminas é fruto da consolidação das empresas Dufer, Zamprogna,
Rio Negro, Usial e Usicort. Com isso, o grupo conseguiu verticalizar
totalmente a atividade, da mineração até a distribuição de tubos para seus
clientes. Tem previsão de faturar R$ 3,5 bilhões em 2010, comercializando
mais de 1,2 milhão de t de produtos no Brasil e na América Latina. “A
concentração da oferta no setor de tubos está ligada à alta tecnologia dos
equipamentos industriais de um pequeno número de fabricantes, que buscam
constantemente inovar e agregar valor aos seus produtos, por exemplo,
elaborando peças tubulares, usando materiais de alta resistência e
oferecendo tubos de dimensões especiais”, explicou Migliora.
“A concentração de produtores é uma clara tendência mundial no setor, mas
não a integração a jusante”, afirmou Siqueira, da Abitam. Para ele, a
formação de grandes grupos atende às exigências de mercado que pedem
fornecedores qualificados com alta escala produtiva e capacidade de
investir.
A aproximação entre siderúrgicas com produtores de tubos – a exemplo da
Usiminas com a Zamprogna – ficaria restrita a nichos de mercado, sem
delinear uma tendência. “Nem faz muito sentido, porque se a siderúrgica
quiser fazer tubos ela não precisa comprar ninguém, basta colocar os
equipamentos ao lado da produção do aço para processamento imediato, com
vantagens ainda maiores”, explicou.
Migliora explica a entrada de tubos de aço importado no Brasil pela
existência de subsídios em outros países produtores. “Mas existe uma
preocupação dos clientes finais com a qualidade desses materiais que podem
comprometer a sua produção”, afirmou. “Deve-se exigir que esses tubos
tenham qualidade padronizada, atendendo às normas técnicas brasileiras.”
Ele salientou que os tubos de aço brasileiros são competitivos em toda a
América Latina, em virtude da proximidade geográfica e da existência de
acordos comerciais que facilitam as negociações. Em outras regiões
predominam os tubos com e sem costura de origem chinesa, que contam com
matéria-prima com preço subsidiado.
A alemã Schulz anunciou a construção de sua quarta linha de produção em
Campos-RJ, na qual investirá cerca de R$ 20 milhões para produzir tubos
com costura indicados para situações especiais de operação. A terceira
linha ainda está em construção, mediante investimentos estimados em R$ 100
milhões, com o objetivo de produzir tubos bimetálicos de alta resistência,
com aplicação possível nos campos de produção de petróleo, especialmente
do pré-sal. As duas outras unidades, já em operação, confeccionam tubos de
aço e conexões.
Para Siqueira, da Abitam, o investimento da Schulz mostra que a produção
nacional está atenta às necessidades dos clientes. “Além dela, a Usiminas
e o Cenpes estão estudando aços especiais que possam resistir às condições
severas do pré-sal”, comentou.
Sem costura – Maior produtora nacional de tubos de aço sem costura,
atendendo os setores petroquímico, petrolífero, energético e indústrias
diversas, entre elas a automotiva, a Vallourec & Mannesmann do Brasil (VMB)
surgiu em 1997 como joint venture entre o grupo francês Vallourec e a
alemã Mannesmann. Em 2005, a francesa comprou a parte da alemã, incluindo
a fábrica do Barreiro, em Belo Horizonte-MG, capaz de transformar 600 mil
t/ano de aço em tubos. A VMB é totalmente verticalizada, com subsidiárias
encarregadas de alimentá-la com minério de ferro e carvão vegetal. Por
usar carvão de origem renovável, a empresa tem a vantagem ambiental de
fixar carbono em florestas plantadas, compensando as emissões normais do
processo siderúrgico, adotando a classificação de “tubo verde” em seus
produtos.
O grupo Vallourec montou uma joint venture com a japonesa Sumitomo Metals,
denominada Vallourec Sumitomo Tubos do Brasil (VSB), para montar uma
fábrica moderna de tubos de aço sem costura com diâmetros de 6 a 16
polegadas em Jeceaba-MG. As obras começaram em 2007, estão em fase de
montagem dos equipamentos e estruturas básicas, com previsão de iniciar
operações durante o segundo trimestre de 2010.
A VSB terá capacidade instalada para produzir um milhão de toneladas de
aço por ano, das quais 700 mil t/ano serão destinadas para a fabricação de
600 mil t/ano de tubos de alta qualidade com conexão Premium, divididas
igualmente entre os parceiros. As cem mil t/ano restantes se referem a
rejeitos de processo (sucata) que serão reciclados. Outras 300 mil t/ano
de aço formarão lingotes para serem entregues ao grupo Vallourec.
A fábrica de Jeceaba usará tecnologia moderna. Sua aciaria será a pioneira
no Brasil a usar o Sistema Consteel, conjunto de equipamentos que aumenta
a produtividade e reduz o consumo de eletricidade, além de gerar menos
ruído, protegendo os trabalhadores. O carregamento do forno elétrico será
feito de forma contínua, acelerando o processo e agilizando a produção de
aço. Terá também o laminador Premium Quality Finishing.
A unidade da VSB representa um investimento estimado em US$ 1,6 bilhão e
terá 90% de sua produção encaminhada para outros países, nos quais existe
uma tendência bem orientada de longo prazo para uso de tubos de aço sem
costura com conexões Premium nos setores de petróleo e gás natural,
principalmente. O complexo de Jeceaba gerará 1,5 mil empregos diretos e
1,5 mil indiretos.
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