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TINTAS
Brasil sedia emulsões da Clariant
O bom desempenho e o
forte potencial de crescimento dos mercados de tintas, adesivos,
acabamentos têxteis, materiais de construção, couro e papel no Brasil
foram decisivos para que a Clariant apontasse o país para sediar sua mais
nova unidade mundial de negócios, voltada para emulsões. Todos os negócios
da companhia foram divididos em dez unidades (BU, de business units), das
quais oito têm sede em Basileia (na Suíça, matriz do grupo) e uma outra,
voltada para negócios com petróleo, em Houston (Texas, EUA). A BU emulsões
se reporta diretamente à alta direção da Clariant, em Basileia (Suíça),
mas se vale dos serviços de suporte (recursos humanos, infraestrutura e
outros) das subsidiárias regionais.
Até 2009, enquanto existiu a divisão TLP (têxteis, couro e papel), as
emulsões permaneceram muito ligadas a ela, detentora de importantes
aplicações. As atividades de emulsões voltadas a outros segmentos
relevantes de mercado, como tintas e adesivos, estavam dispersas na
companhia, sem um foco preciso de atuação. A separação da divisão TLP em
três BUs independentes abriu caminho para a criação da BU emulsões, que
deverá gerar sinergias entre os muitos negócios da Clariant.
“A extensão do modelo de unidades de negócios reflete a preocupação da
alta direção em promover maior transparência dos resultados, ou seja,
torna mais fácil enxergar de onde vem o lucro”, explicou o diretor e líder
mundial da BU emulsões da Clariant, Sven Schultheis. Aos quarenta anos,
vinte deles na Hoechst e na Clariant (resultado da união de parte da
antiga Sandoz com os negócios remanescentes da Hoechst), com carreira
desenvolvida em vários países e em diversas áreas de negócios, com
destaque para os bons resultados alcançados com masterbatches, o líder
mostra entusiasmo com o novo desafio profissional.
Ele salienta que a Clariant possui fortes negócios com emulsões na América
Latina e na África, com alguma participação na Ásia. “Somos muito mais
fortes no Hemisfério Sul do que no Norte, e o Brasil é o país mais
destacado da região”, comentou. Além disso, a proximidade com grandes
clientes e com o site fabril da companhia em Suzano-SP determinou o local
da sede da BU. “A economia mundial cresce no Hemisfério Sul”, salientou.
Segundo Schultheis, a Clariant é a empresa com a maior versatilidade para
produzir emulsões obtidas de qualquer sistema de monômeros em base água do
mundo. A companhia compra monômeros de fornecedores mundiais e realiza ela
mesma, com tecnologia própria, as operações necessárias de polimerização e
formulação das emulsões desejadas pelos clientes, lembrando que a
companhia é uma importante produtora mundial de tensoativos, aditivos e
outros insumos. “Temos uma grande tradição nesse negócio, bastando dizer
que a nossa mais conhecida marca comercial, a Mowilith, nasceu em 1917”,
afirmou. A empresa não possui vínculos societários nem com produtores de
monômeros, nem com fabricantes de tintas.
Embora disponha de uma ampla e estabelecida plataforma tecnológica
mundial, o executivo enfatiza a necessidade de adaptar cada formulação às
situações específicas de cada cliente. “É um negócio local feito com base
em insumos globais”, resumiu. As emulsões precisam ser formuladas perto
dos clientes, para que o custo de transporte não torne inviável o
suprimento. Por isso, a Clariant também conta com unidades no Chile
(recentemente ampliada), Argentina, México, Venezuela e outros locais.
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No Brasil, Sven Schultheis prevê um aumento na procura
de resinas em emulsão de qualidade porque os fabricantes de tintas
voltados para as classes C e D, de menor poder aquisitivo, precisam
melhorar seus produtos para atender às exigências das recentes normas
oficiais de desempenho. “Somos competitivos em qualquer sistema de
base água, como vinílicos, acrílicos, estirênicos e suas modificações,
além dos terpolímeros”, comentou. A estrutura da BU mundial conta com
três diretores (ele incluído) e um quadro de gerentes por países e por
produtos globais. Isso agiliza a tomada de decisões. “Queremos agregar
valor, não custos”, disse. Ao todo, o núcleo da equipe conta com 18
profissionais, de 17 nacionalidades diferentes. Isso inclui a equipe
própria de pesquisa e desenvolvimento de aplicações, também espalhada
pelo Hemisfério Sul. |
Divulgação

Schultheis: estratégia atende crescimento no Hemisfério Sul |
O mercado de tintas é o maior cliente das emulsões da
Clariant, que conta com o apelo da substituição dos sistemas solventes e
das facilidades de aplicação, chegando às formulações prontas para uso.
Segundo o diretor, os casos de sucesso verificados em outros mercados
estão sendo adaptados às condições técnicas e econômicas locais,
aproveitando ao máximo a disponibilidade de tecnologias desenvolvidas pela
companhia. A ideia da BU é oferecer emulsões adequadas às necessidades
técnicas e econômicas de cada situação. Isso precisa ser observado em
relação ao custo total da formulação, não apenas quanto ao preço da
emulsão.
Aliás, ele explicou que o atendimento das emulsões para as áreas têxtil,
coureira e papeleira continuará a ser feito pelas equipes das respectivas
unidades de negócios, que detêm a expertise necessária para suporte aos
clientes. As demais aplicações serão direcionadas para a equipe da BU.
Dentro do portfólio atual, as emulsões commoditizadas ainda têm
participação expressiva no faturamento da BU. “Queremos aumentar a venda
das emulsões mais avançadas, como a de terpolímeros, das linhas livres de
alquilfenóis (APEO-free), antibloqueio (block-free) e também das aprovadas
pelo FDA para contato direto com alimentos”, explicou. A Clariant também é
participante do programa europeu Reach, de controle de substâncias
químicas.
Mudar a ênfase de atuação comercial para as emulsões de maior valor, no
entanto, exige um planejamento cuidadoso, porque os preços atuais das
emulsões estão em um nível baixo, resultado da crise que afetou a economia
mundial. “As margens de lucro estão muito estreitas, mas devem entrar em
uma fase de recomposição, mesmo porque os preços dos insumos estão subindo
rapidamente”, afirmou. Ele se refere ao eteno, propeno e ácido acrílico,
com reflexos diretos nos preços internacionais do acrilato de vinila e do
acrilato de butila. Segundo Sven, o mais crítico é o ácido acrílico,
produto que registrou neste ano quatro declarações de parada por motivo de
força maior, indicando restrição de oferta mundial.
M. Fairbanks
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