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AMBIENTE
São Paulo financia projetos para combater efeito estufa
Reduzir a emissão de
gases de efeito estufa pode ser uma tarefa um pouco mais possível para
pequenas e médias empresas paulistas. É que em março foi lançada pelo
governo estadual de São Paulo a linha economia verde, um fundo de R$ 1
bilhão administrado pela agência de fomento paulista da Nossa Caixa
Desenvolvimento.
Criada com base na política estadual de mudanças climáticas (lei 13.798) –
que define uma meta de redução de 20% das emissões até 2020 –, a linha
oferece baixas taxas de juros (6% ao ano), com correção pelo IPC-Fipe,
prazo de amortização de até cinco anos, com 1 ano de carência e
financiamento integral do projeto.
O propósito é atender principalmente pequenas e médias empresas com
faturamento anual de R$ 240 mil a R$ 100 milhões. Podem apresentar
projetos para obter o crédito oferecido pela agência de fomento companhias
dos setores da agroindústria, transportes, saneamento, de energias
renováveis, de eficiência energética, processos industriais, recuperação
florestal, manejo e tratamento de resíduos. Além disso, são avaliados
projetos de mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL) e inventário de
emissões de gases do efeito estufa.
Em saneamento, tratamento e aproveitamento de resíduos, os projetos a
serem financiados podem envolver a geração de energia elétrica ou térmica
com o biogás (metano) do aterro. Mas a agência também dá “sinal verde” a
obras de adaptação de sistemas de tratamento de esgoto para processos
anaeróbios com recuperação e queima do metano. Faz parte também da linha
verde promover a instalação de centrais de reciclagem de resíduos.
Em processos industriais, são avaliados projetos com o propósito de usar
equipamentos e modos de produção que reduzam o uso e a geração de gases
CFCs, HFCs, HCFCs, PFCs e SF6. Ainda são considerados retrofittings de
equipamentos de refrigeração, substituição de gases na produção e redução
de perdas. Vale considerar ainda que, de forma geral, a linha verde
financia projetos de substituição de equipamentos, máquinas e veículos
movidos a diesel por biodiesel, de gasolina por etanol, e a óleo por gás
natural, além do GLP pelo biogás.
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Para a concessão do crédito, todos os projetos passam,
além da avaliação técnica-financeira, por uma análise final feita por
um conselho de figuras notáveis do meio ambiente brasileiro,
capitaneado pelo professor titular do Instituto de Eletroeletrônica e
Energia da Universidade de São Paulo (USP), José Goldemberg. Segundo o
professor, que fez uma apresentação durante o lançamento da linha
verde em São Paulo no dia 15 de maio, essa característica deve fazer
com que o perfil das emissões de gases do efeito estufa do estado
paulista seja levado em consideração nas aprovações. |
Cuca Jorge

Goldemberg: prioridade no estado é minimizar emissões dos veículos |
Essa preocupação, de acordo com Goldemberg, significa que
os projetos apresentados na área de transporte devam ser vistos com
atenção redobrada pela Nossa Caixa e pelos conselheiros. Isso porque as
emissões de veículos são as responsáveis por 56% das emissões de gás
carbônico no Estado de São Paulo e por 78% das emissões da capital
paulista, onde também a indústria responde, respectivamente, por 30% e 7%
dos gases causadores do efeito estufa.
Em comparação com o que ocorre globalmente, trata-se de uma diferença
considerável: no mundo, a principal atividade colaboradora para o efeito
estufa é a energia (carvão e gás), com 25% do total das emissões, contra
apenas 13% do transporte, 19% da indústria e 17% do desmatamento. Só para
complementar as diferenças, vale acrescentar que no estado de São Paulo
não há desmatamento. “Pelo contrário, nós reflorestamos”, afirmou o
respeitado professor.
Interessados em concorrer às linhas da Agência de Fomento Paulista, que
ainda englobam outras modalidades de financiamento, como inovação e
tecnologia, devem acessar o site www.nossacaixadesenvolvimento.com.br. Com
apenas um ano de existência, nessas outras modalidades, a agência já
financiou 155 empresas, totalizando R$ 170 milhões em créditos aprovados e
o desembolso de R$ 47 milhões, com recursos próprios, a pequenas e médias
companhias paulistas de diversos setores, em especial o de bens de
capital. Além disso, a agência também é repassadora dos recursos do BNDES.
M. Furtado
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