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Petróleo & ENERGIA |
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Divulgação BR
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Falta de medidas para
conter os efeitos das sazonalidades ameaça a liderança nos
biocombustíveis
Denis Cardoso
Ao mesmo tempo em
que o ambicioso projeto de extração de petróleo na camada pré-sal
desperta a atenção mundial, paradoxalmente cresce a percepção de que o
Brasil é um dos poucos países capazes de atender com vigor à crescente
demanda por energéticos mais limpos que os combustíveis fósseis.
Celeiro agrícola mundial, com 150 milhões |
de hectares disponíveis para a agricultura, o país apresenta vantagens na
produção de álcool, biodiesel e outros itens da chamada “segunda geração
dos biocombustíveis”, como o etanol fabricado com resíduos agrícolas
mediante a aplicação de enzimas. Além da terra, dispõe de geografia
favorável, altas taxas de luminosidade, disponibilidade hídrica e
regularidade de chuvas, colocando os produtores brasileiros entre os mais
competitivos do planeta.
Antes de alçar voos mais consistentes no mercado externo, entretanto, o
setor de biocombustíveis ainda precisa fazer alguns importantes ajustes.
No segmento sucroalcooleiro, ainda persiste o problema de oferta de álcool
e a consequente disparada dos preços do combustível na entressafra,
indicando a urgência de criar mecanismos para conter as oscilações de
mercado, a exemplo da formação de estoques reguladores. Para o presidente
da consultoria Datagro, Plínio Nastari, não existe volatilidade da oferta
de álcool no Brasil, mas volatilidade de preço. “O fato de não termos um
mercado futuro para o etanol, como existe com o açúcar, facilita essa
volatilidade. Há concentração de oferta na safra, fazendo com que o preço
caia, e redução na entressafra, puxando os preços para cima”, explicou.
Na safra passada, a falta de etanol no mercado brasileiro provocou forte
aceleração nos preços do álcool hidratado (vendido diretamente nas bombas
dos postos, que carrega entre 6% e 8% de água), refletindo a diminuição de
oferta ocasionada pelo excesso de chuva nos canaviais, fato que atrapalhou
a colheita e prejudicou a qualidade da cana. Um balanço preliminar da
União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) indica que os problemas
climáticos nas áreas produtoras impediram a produção de 4 bilhões de
litros de etanol e de 5 milhões de toneladas de açúcar na temporada
passada. “A safra 2009/10 foi muito ruim. O rendimento dos canaviais foi
afetado pelas chuvas intensas em todo o país”, afirmou Nastari.
“Retornamos aos níveis de produção de 1991, causando grandes prejuízos
para os produtores e a indústria.”
Nos primeiros dois meses de 2010, quando o problema de desabastecimento se
agravou, o litro do etanol chegou a superar os R$ 2 nas bombas de alguns
locais do país, provocando a migração dos consumidores para a gasolina,
combustível de maior poder calorífico, que permite rodar mais quilômetros
por volume abastecido. Segundo declarações de Antonio Pádua Rodrigues,
diretor-técnico da Unica, a safra de 2009 “foi atípica, porque, no
primeiro semestre, as usinas estavam descapitalizadas e tiveram que vender
etanol a qualquer preço e, no segundo semestre, não conseguiram colher a
quantidade esperada de cana por causa do excesso de chuvas”.
O governo tentou conter a disparada de preços reduzindo de 25% para 20% a
proporção de álcool anidro adicionado à gasolina. O objetivo era aumentar
a disponibilidade do combustível renovável no mercado. O resultado foi um
aumento brusco da demanda por gasolina que exigiu a importação do
combustível. No final das contas, quem ajustou o mercado foram os
consumidores que, em grande parte, possuem carros com motores
bicombustíveis e passaram a abastecer na bomba ao lado, dispensando o
etanol. Somente em fevereiro deste ano, o consumo recuou para 25 milhões
de litros por dia na região Centro-Sul, metade dos 50 milhões de litros do
período de pico de consumo. A partir de março, com o início da nova safra
nesta região, houve a consequente, porém lenta, redução do preço do etanol
que voltou a ser mais vantajoso em relação à gasolina.
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Para Rodrigues, hoje é o consumidor quem determina os
preços. “Assim como ele saiu do mercado quando o valor do álcool
subiu, ele voltou a usar o combustível depois que a nova safra começou
a tomar um ritmo mais forte.” Essa poderosa “arma” utilizada pelo
consumidor só é possível graças ao surgimento, a partir de 2003, dos
motores flex fuel, movidos tanto com gasolina quanto etanol, ou com
mistura de ambos. A tecnologia representou o fim da dependência de
umúnico combustível e sua frota já ultrapassou a casa das 10 milhões
de unidades, segundo balanço divulgado no início de março pela
Associação Nacional dos Fabricantes |
Divulgação

Rodrigues: com motor flex, quem determina o preço é o consumidor |
de Veículos Automotores (Anfavea). Atualmente, os carros bicombustíveis
representam 87% dos automóveis negociados no país.
Estoques estratégicos – Para resolver os problemas de sazonalidade,
a estocagem do álcool é apontada pelo governo e pelas próprias usinas como
uma das ferramentas mais eficazes. Neste ano, para financiar a formação
desse estoque, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) pretende destinar R$ 2,5 bilhões aos usineiros. Em 2009, esses
recursos já haviam sido oferecidos pela instituição, mas houve pouca
procura. Na época, o montante era suficiente para financiar o
armazenamento de 5 bilhões de litros de combustível, equivalentes a mais
de três meses de consumo. Segundo a Unica, a linha de crédito foi pouco
procurada na safra passada “por conta das garantias exigidas e do curto
prazo de pagamento, considerado inviável naquele momento, em virtude do
agravamento da crise financeira e dos baixos preços do etanol”. No ano
passado, o programa de estocagem do BNDES cobrava juros de 11,25% ao ano,
com prazo de pagamento de seis meses, com dois meses de carência. Para a
nova safra, a entidade representante dos usineiros reivindicou ao BNDES
prazos de pagamento mais longos, juros abaixo de 11,25% ao ano e ainda
solicitou ao banco que aceite o etanol como garantia real do
financiamento.
Safra nova – Segundo estimativa de Plínio Nastari, a expectativa de
produção para a safra 2010/11 é de 29,78 bilhões de litros, 18% acima do
volume registrado na temporada anterior, de 25,3 bilhões de litros.
“Esperamos uma boa recuperação para esta safra”, ressalta o consultor. O
Centro-Sul responderá por 27,58 bilhões de litros, enquanto a Região
Nordeste produzirá os 2,2 bilhões restantes, na previsão do presidente da
Datagro. A expectativa para a moagem nesta temporada é de 654 milhões de
toneladas de cana, sendo 590 milhões no Centro-Sul e 64 milhões
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