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TRATAMENTO
DE RESÍDUOS |
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Cuca Jorge

Incinerador da Essencis em Taboão da Serra-SP |
Tecnologias térmicas
para tratar resíduos ainda sofrem com a concorrência dos aterros, mas
têm boas perspectivas
Marcelo Furtado |
Destruir de forma definitiva
resíduos é por si só o melhor argumento a favor das tecnologias térmicas.
Mas apenas a vantagem competitiva não é suficiente para que sistemas como
coprocessamento em fornos de cimento e incineradores desafiem de forma
mais incisiva a principal tecnologia concorrente, os aterros, ainda
hegemônicos no Brasil, para onde cerca de 80% dos resíduos industriais são
destinados.
E a questão aí não é técnica, mas econômica. Apesar de as tecnologias “piromaníacas”,
principalmente o coprocessamento, terem uso em rota de crescimento, o
custo baixo da destinação em aterros e ainda a falta de exigências legais
que obriguem a destruição total do resíduo são os limitantes importantes
para a expansão do mercado. Isso é um entendimento de praticamente todos
os competidores que, apesar disso, também acreditam no aumento da demanda
no médio prazo. Não por acaso, há muitas empresas da área anunciando
planos de expansões e de novas unidades, todas elas confiantes no breve
incremento na carteira de clientes.
“A minha percepção é a de que o Brasil poderia incinerar mais resíduos
industriais. E acredito ser uma questão de tempo para muitos rejeitos que
hoje seguem para aterros passarem a ir para incineradores”, disse o
diretor da unidade de transformação de resíduos da Haztec, Ricardo
Silveira. Com incinerador em Belford Roxo-RJ, no site da Bayer e adquirido
há cerca de dois anos da Tribel, a empresa está em fase de escolha de
fornecedor para compra de pacote tecnológico que ampliará a capacidade de
destruição do seu incinerador de 7 mil t/ano para 10 mil t/ano. “Estamos
para escolher entre uma empresa suíça e outra alemã”, afirmou Silveira.
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Segundo o diretor, para possibilitar a ampliação o
fornecedor fará melhorias na queima, aperfeiçoando a oxidação, e
principalmente reforçará o controle de emissões atmosféricas, com o
uso de novos equipamentos. Essa última etapa do projeto, para
Silveira, é a mais importante. “Para ter upgrade na capacidade,
precisamos garantir o controle na chaminé”, disse. Isso significa
também uma meta interna do grupo Haztec de seguir o padrão europeu de
emissões de dioxinas. Com o retrofitting do incinerador, a ideia é
ultrapassar o limite da exigência nacional – de 0,5 nanograma/Nm3, da
resolução Conama 316 – e preparar o equipamento para atender ao
rigoroso padrão da Comunidade Europeia para dioxinas, de 0,1 nanograma/Nm3.
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Cuca Jorge

Silveira quer adequar emissões de dioxinas ao padrão europeu |
Atualmente, o sistema de controle em Belford Roxo já é bastante complexo.
Ele se inicia com a câmara de pós-combustão, que opera acima de 1.200ºC,
logo depois do forno rotativo primário (que chega a 1.000ºC) e é acionada
quando há destruição de resíduos muito perigosos como os PCBs (bifenila
policlorada, o ascarel, óleo de transformador elétrico). Depois, há o
quencher a seco (com vapor de água), que provoca resfriamento brusco dos
gases para evitar a formação de dioxinas (formadas em duas zonas
indesejáveis, de 275ºC a 450ºC e de 400ºC a 600ºC). A sequência do
controle inclui dois ciclones para remoção de particulados, lavagem ácida
e alcalina e um lavador Venturi para remoção das últimas partículas.
Com as melhorias no controle de emissões e de oxidação, a Haztec espera
pelo menos diminuir o gap com os equipamentos similares existentes na
Europa. De acordo com Ricardo Silveira, não há no velho continente
incinerador com capacidade inferior a 40 mil t/ano. Além de, com isso,
atenderem a uma demanda muito maior de resíduos (onde por sinal há
restrições para destinação em aterros), essa média de tamanho proporciona
ganhos de escala que reduzem bastante o preço da destinação, o que não
ocorre no Brasil, onde todos os sete incineradores em operação são
pequenos. Isso sem falar que os incineradores europeus contam com sistemas
de recuperação de energia, o que diminui ainda mais o custo operacional.
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Não por acaso, paralelo ao projeto de ampliação, a
Haztec também encomendou estudo para avaliar a possibilidade de
recuperar energia do incinerador, o que poderá ser incluído no projeto
previsto para ser iniciado no decorrer de 2010. Na estimativa de
Silveira, a ampliação deve envolver um investimento em torno de 2
milhões de euros e faz parte de um forte plano de crescimento da
Haztec, grupo que nos últimos anos adquiriu várias empresas da área de
meio ambiente e que pretende se firmar como uma das líderes em
soluções integradas para a indústria e para o setor público de
saneamento e resíduos. |
Cuca Jorge

O incinerador da Haztec em Belford Roxo: ampliação |
No forno de cimento – No propósito de ter várias soluções para
destinação, a Haztec conta ainda com outras tecnologias, como o
coprocessamento de resíduos em fornos de cimento e aterro industrial. No
primeiro caso, de acordo com Silveira, a operação conta com interação
estreita com a unidade de incineração. Isso se torna necessário na hora de
decidir o destino de cada resíduo. Para o incinerador, processo mais caro
de destruição, mas onde há o maior controle e garantia para resíduos
perigosos, as aplicações mais comuns são organoclorados, PCBs e
pesticidas. Com preços que começam a partir dos R$ 1.000 por tonelada, a
incineração no Brasil só se justifica nos casos em que não há outra
alternativa, como nos exemplos citados.
Nos fornos de cimento, apesar da vantagem de não gerar cinza como no
incinerador e ser mais barato (preço médio de R$ 150 a R$ 250 por t,
podendo em alguns casos chegar a R$ 800), há limitações ao cloro,
prejudicial ao refratário do forno e à matéria-prima calcário. Nesse
sentido, as cimenteiras normalmente recebem resíduos com baixíssimo teor
de cloro, que são preparados em unidades dedicadas para se adequar ao
forno como combustível ou substituto de matéria-prima. A Haztec conta com
central de preparação de blendas (misturas) de resíduos para fornos de
cimento em Magé, no estado do Rio de Janeiro, que destina cerca de 4 mil
toneladas/mês de resíduos com poder calorífico para substituição
energética e 10 mil t/mês sem poder calorífico para uso como
matéria-prima, ambos volumes para fornos da região das cimenteiras Holcim
e Lafarge.
Essas áreas também são objeto de investimento da Haztec, em projetos em
fase de licenciamento. O coprocessamento contará com nova unidade de
blendagem na Bahia e um novo aterro industrial classe 1 no Rio está para
receber licença ambiental para, em outras aplicações, receber a cinza do
incinerador de Belford Roxo, visto que hoje esse volume, correspondente a
15% dos resíduos incinerados, vai para o aterro de propriedade da Bayer no
mesmo sítio industrial.
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Atentos para investir – A outra empresa com
perfil integrado de gerenciamento de resíduos e cujo portfólio inclui
soluções térmicas, a Essencis, também confessa estar atenta à breve
necessidade de aumento de oferta. De acordo com o gerente de
desenvolvimento e inovação tecnológica, Fabiano de Souza, a empresa
tem pesquisado por todo o mundo opções para incineração com
recuperação de energia. E ainda não fez um investimento desse tipo, o
que incrementaria a sua atual capacidade de incineração da unidade de
Taboão da Serra-SP (7 mil t/ano), porque na sua avaliação “a conta
ainda não fecha”. |
Cuca Jorge

Souza estuda novos investimentos em incineração com energia recuperada |
“Aterro ainda é muito mais barato”, afirmou Souza. E isso tanto ao se
pensar em resíduo industrial como no domiciliar, tendo em vista que a
Essencis atua nas duas áreas e tem grande aterro em Caieiras-SP, que
recebe boa parte do lixo doméstico de São Paulo e cujo site contempla
também aterro classe 1. Na média apontada pelo gerente, enquanto a
disposição do domiciliar gira em torno de R$ 30 por tonelada, a sua
incineração sairia por R$ 150. Enquanto um aterro classe 1 recebe por
volta de R$ 200 por t de resíduo, o preço da queima parte do valor de R$ 1
mil/t e pode chegar em alguns casos em até R$ 2 mil/t.
Um panorama mais favorável para o uso de incineradores em larga escala
seria pensar em grandes unidades como na Europa, onde chegam a existir, em
países como a Dinamarca, incineradores para resíduo industrial com
capacidade para 220 mil t/ano. A economia de escala de equipamentos desse
porte seria ainda reforçada pelo fato de eles normalmente terem sistemas
de recuperação de energia. “Só para se ter uma ideia, 1 t de resíduo
incinerado pode gerar até 520 kWh de energia, enquanto o mesmo volume em
um aterro, por meio da captação do metano, geraria apenas 20 kWh”,
explicou Fabiano de Souza. Mas mesmo com a vantagem energética, ainda há
uma barreira que dificulta o chamado “fechamento da conta” a favor da
expansão da incineração. Enquanto no Brasil se paga em média R$ 0,30 pelo
kWh de energia, na Europa esse valor sobe para 1 euro.
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Essas constatações não significam, porém, que a
Essencis não veja como muito possível um investimento em novo
incinerador. “Mas com certeza vai ser pelo menos quinze vezes maior do
que o atual e precisará agregar recuperação de energia”, disse. A
despeito das possibilidades futuras, porém, a Essencis está com seu
incinerador de Taboão da Serra totalmente ocupado, depois de ter
passado por uma época de retração que durou até o final do primeiro
semestre de |
Cuca Jorge

Dessorção térmica no aterro de Caieiras
atende Petrobras |
2009, quando chegou a ter 50% de ociosidade. Além disso, sua unidade de
blendagem para coprocessamento em Magé-RJ mantém a marca de 80 mil t/ano
de resíduos para serem enviados a cimenteiras da região. Além disso, a
empresa – uma sociedade entre a Camargo Corrêa e o grupo Solvi – conta com
duas plantas de dessorção térmica (TDU), uma para 35 t/h, em Caieiras, e
outra de 15 t/h, em Betim-MG, as quais destroem solos contaminados com
hidrocarbonetos, principalmente para refinarias e terminais da Petrobras e
postos de gasolina.
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