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VÁLVULAS |
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Cuca Jorge
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Carteira de pedidos
ainda não reflete a avalanche de projetos anunciados
Marcelo Fairbanks
Há
mais de uma centena de projetos de investimento de grande porte
anunciados para vários setores industriais brasileiros, desde o
petróleo do pré-sal até usinas hidrelétricas na Amazônia, passando por
refinarias e usinas sucroalcooleiras, todos eles potenciais
consumidores de válvulas industriais. Porém, entre o anúncio e a
concretização desses investimentos surge um hiato temporal que lança
para o futuro a data de apresentação de pedidos. Enquanto não aparecem
as megaencomendas alardeadas, os fabricantes de válvulas instalados no
Brasil se esforçam para manter alguma competitividade e evitar que os
clientes ainda ativos venham a se suprir de equipamentos feitos no
exterior. |
Esses industriais conseguiram resistir aos movimentos de consolidação de
negócios e internacionalização de companhias até há alguns anos. No
panorama atual, essas tendências se reforçam e redesenham o perfil do
setor, agora apontando para indústrias de porte significativo, muitas das
quais controladas por grupos empresariais estrangeiros. O movimento mais
recente nesse sentido foi a compra da conhecida fabricante nacional de
válvulas de controle Hiter pelo grupo internacional Tyco Flow Control
(dono das marcas Keystone, Yarway, Crosby, Hancock, entre outras),
efetivada em dezembro de 2009. A aquisição envolveu a Hiter e a
participação desta na Válvulas Crosby, uma joint venture com a própria
Tyco, empresas que tiveram um faturamento consolidado de US$ 66 milhões em
2008, ano em que a Tyco somou US$ 17 bilhões em vendas mundiais.
A compra era interessante por colocar a empresa internacional, mais
conhecida no Brasil pelas suas linhas de elementos rotativos tipo
borboleta, entre as líderes dos fornecimentos de válvulas de controle, com
um parque invejável de equipamentos instalados em clientes como Petrobras,
petroquímicas e usinas de açúcar e álcool. A Hiter era a única nacional a
disputar encomendas desse porte com as conhecidas Dresser (Masoneilan),
Emerson (Fisher) e Flowserve (Valtek).
“A briga de hoje é com as válvulas chinesas”, afirmou Cláudio Makarovsky,
gerente-geral da Dresser Flow Technologies, com fábrica em São José dos
Campos-SP. A companhia possui fábricas em vários países, de equipamentos
completos e componentes, distribuindo as ordens de produção conforme a
maior competitividade de cada uma delas para atendê-las.
No Brasil, a Dresser encerrou dezembro de 2009 com uma carteira de pedidos
12% superior à de dezembro de 2008, mantendo o foco nos grandes projetos
industriais. Segundo Makarovsky, boa parte das encomendas está ligada à
carteira de gasolina e diesel da Petrobras, em fase de instalação de
unidades de aumento de qualidade (hidrotratamento e hidrodessulfurização).
A companhia não atua nos segmentos de etanol e celulose.
“O mercado brasileiro de válvulas teve grande crescimento nos últimos
anos, mas a crise econômica mundial segurou um pouco o desempenho do ano
passado”, comentou Frank Kwan, gerente-geral da divisão Fisher no Brasil,
do grupo Emerson. Para ele, esse ajuste era até previsível, dada a
ciclicidade dos mercados. Pelo menos o impacto da crise foi mais leve no
Brasil do que em outros países da região. “Nossos planos para o país não
foram alterados”, disse.
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A Emerson vai ampliar sua capacidade produtiva no
Brasil, sediada em Sorocaba-SP, para atender à demanda gerada com os
novos projetos de investimento anunciados. “Esperamos retomar os
níveis de crescimento de antes da crise e vamos ampliar a fábrica para
suprir os diferentes tipos e características de válvulas que serão
solicitados”, avaliou Kwan.
Para ele, movimentos de consolidação, como a compra da Hiter pela Tyco,
são um desafio e um incentivo à concorrência, obrigando todos os
concorrentes a aprimorar a qualidade dos produtos e serviços, com
benefícios para os clientes. “Por sua vez, a Emerson está sempre
aberta para avaliar aquisições que consigam complementar a sua linha
de produtos”, salientou. |
Divulgação

Kwan: fábrica de Sorocaba será ampliada
para suprir a demanda |
A Emerson continuará a investir no desenvolvimento de novas tecnologias,
posição coerente com o histórico de realizações. “Fomos os pioneiros em
posicionadores digitais inteligentes e, agora, estamos liderando as
aplicações de produtos wireless para válvulas de controle e também para os
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tipos on/off com indicador de posição wireless, que já
estão disponíveis comercialmente há vários meses”, informou Kwan.
Controle renovado – A Dresser está relançando a válvula de
controle Camflex, com atuador de plugue excêntrico. Lançada há mais de
dez anos, essa válvula conquistou adeptos, atraídos pela sua alta
flexibilidade de aplicações, proporcionada pela curva de coeficiente
de vazão (CV) muito ampla. “É um equipamento fácil de instalar,
adapta-se perfeitamente aos posicionadores inteligentes e pode ser
usada em serviço severo, sempre com alto desempenho”, explicou Carlos
Augusto Alessandri, consultor da Dresser, com quase quarenta anos de
experiência profissional no setor. |
Cuca Jorge

Alessandri: alta flexibilidade de aplicação reforça Camflex |
Makarovsky considera que, ao longo dos anos, a parte mecânica das boas
válvulas de controle atingiu um nível de excelência. “A diferenciação
entre fornecedores reside nas possibilidades de
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diagnóstico de problemas e gerenciamento de ativos”,
explicou. A Dresser avaliou que existe um grande número de válvulas de
controle com posicionadores inteligentes sendo subaproveitados,
situação na qual os sinais emitidos pelo elemento final de controle
não são adequadamente tratados. Muitos clientes não têm os softwares
para gerenciar essas informações.
A companhia está concentrando esforços para eliminar esse tipo de
limitação. Um dispositivo acoplável ao posicionador existente capta as
informações geradas por ele e as envia por um sinal no protocolo Hart
Wireless para a sala de controle do cliente. Isso permite acompanhar
de perto as condições da válvula e programar intervenções de
manutenção. |
Cuca Jorge

Makarovsky: clientes ainda subutilizam as informações |
A Dresser criou o Valvkeep, programa de gerenciamento e manutenção de
válvulas de controle e alívio/segurança aplicável a equipamentos de
qualquer fornecedor. No caso dos produtos da Dresser (Masoneilan ou
Consolidated), todos os padrões já estão disponíveis na memória do
sistema. As válvulas de outra origem precisam ter suas informações
introduzidas no sistema, formando um banco de dados completo sobre todas
as válvulas instaladas. O programa permite avaliar as necessidades de
manutenção e programá-las de modo conveniente e seguro, além de gerar
ordens de compra das peças e partes necessárias.
Para facilitar a coleta e introdução dos dados no sistema, a Dresser criou
duas ferramentas de campo. O Electronic Valve Tester (EVT), para válvulas
de alívio, e o ValScoope-PRO, para as válvulas de controle. Ambos
consistem de computadores portáteis e dispositivos de acoplamento capazes
de avaliar o desempenho e a calibração das válvulas, além de armazenar
informações para alimentar o Valvkeep, com segurança e confiabilidade.
Esses dispositivos permitem gerar ordens de manutenção, cujas operações
podem ser monitoradas. “A unidade de eteno verde da Braskem será o
primeiro cliente no Brasil a ter o Valvkeep em todas as válvulas de
controle da planta”, disse.
Além disso, no caso das válvulas de alívio, a norma de segurança
ocupacional NBR-13 impõe cuidados adicionais em sistemas de pressão, como
caldeiras. A norma pede testes para garantir que essas válvulas funcionem
quando exigidas. “O EVT consegue testar a abertura e o fechamento dessas
válvulas sem parar o processo, e emite um relatório compatível com as
exigências da norma.
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