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NEGÓCIOS
Wacker planeja recuperar lucros em 2010
Após comemorar
recordes de vendas e lucro líquido em 2008, a Wacker, especialista alemã
em química do silício, não conseguiu se defender da crise financeira
mundial nem da retração na demanda de seus clientes, e registrou queda nos
principais indicativos financeiros do ano fiscal de 2009. As vendas, que
atingiram € 4,3 bilhões no frutífero ano de 2008, caíram para € 3,7
bilhões no ano passado, uma baixa de aproximadamente 14%. O resultado foi
ainda mais duramente prejudicado: o lucro antes dos juros, impostos,
depreciação e amortização (LAJIDA, ou EBITDA, na sigla em inglês), de €
1,06 bilhão em 2008, despencou pouco mais de 40%, para € 607 milhões em
2009, e o resultado líquido apurado no período mostrou um prejuízo de € 75
milhões, em decorrência principalmente do fraco desempenho do segmento de
semicondutores.
A crise mundial foi especialmente danosa para a divisão de negócios
Siltronic, uma das principais produtoras mundiais de sanduíches de silício
hiperpuro, insumo vital para a indústria de semicondutores e os
fabricantes de microchips. Refletindo uma situação no mercado de
semicondutores descrita pelo CEO e presidente da Wacker, Rudolf Staudigl,
como “extremamente difícil”, a divisão Siltronic perdeu metade de suas
vendas em 2009. Com pressões de preços afetando os negócios em sanduíches
de todos os diâmetros, o resultado da divisão, expresso na forma do LAJIDA,
foi um prejuízo de € 162 milhões.
As divisões químicas da empresa (Silicones, Polímeros e Biotecnologia) se
saíram bem melhor em 2009. As vendas da Wacker Biosolutions, inclusive,
apresentaram crescimento, passando de € 98 milhões, em 2008, para € 105
milhões, no ano passado. Combinadas, entretanto, as vendas das três
divisões apresentaram uma queda de 12%, de € 2,375 bilhões para € 2,088
bilhões, mas o lucro medido pelo LAJIDA, de € 286 milhões, manteve-se no
mesmo nível de 2009. Segundo Staudigl, o resultado mais favorável das
divisões químicas se beneficiou “de uma substancial recuperação da demanda
dos clientes durante o ano”, além dos impactos positivos de medidas para a
redução de custos, e de preços mais baixos de matérias-primas e de energia
que em 2008.
A grande vitoriosa no turbulento ano de 2009, no entanto, foi a divisão
Polysilicon, responsável pela produção de silício policristalino, sílica
pirogênica e clorosilanos para aplicações em semicondutores e energia
fotovoltaica. Além de ver suas vendas passarem de € 828 milhões, em 2008,
para € 1,121 bilhão, em 2009, a Wacker Polysilicon comemorou a quebra da
barreira do € 1 bilhão em vendas pela primeira vez. O resultado expressivo
se amparou especialmente em volumes adicionais de produção, que elevaram
em 50% as quantidades fabricadas, em relação a 2008, totalizando 18,1 mil
toneladas. O LAJIDA, mesmo sem apresentar expansão tão pronunciada,
cresceu 23%, de € 422 milhões para € 521 milhões, apesar de dificuldades
como menores preços para as vendas de silício policristalino no curto
prazo, e da saída da Wacker da joint venture Wacker Schott Solar, dedicada
à produção de sanduíches de silício policristalino para aplicação em
energia solar.
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“Quando consideramos quão difícil o ambiente econômico
era, especialmente no começo de 2009, o desempenho da Wacker no campo
operacional foi respeitável, certamente, à exceção do negócio de
semicondutores”, crê o CEO e presidente da empresa. Ele também se
mantém convicto de que as vendas e o LAJIDA da Wacker crescerão em
2010, se nada de muito grave acontecer na segunda metade do ano, uma
vez que o primeiro trimestre teve resultados muito bons. A expectativa
é de que as vendas ultrapassem, novamente, a casa dos € 4 bilhões, e o
lucro líquido alcance a faixa das centenas de milhões de euros. “As
macrotendências das quais nos beneficiamos continuam valendo:
eficiência energética, redução de emissões de CO2, maior prosperidade
em economias emergentes e o avanço da digitalização. Todas essas
tendências dão combustível para os produtos da Wacker e,
consequentemente, para o nosso crescimento”, disse |
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Staudigl espera retomada do crescimento em 2010 |
Staudigl, que vê a economia mundial em lenta recuperação desde o segundo
trimestre de 2009, com menor intensidade nos EUA e na Europa, mas com
força redobrada na Ásia, especialmente na China. A Ásia, aliás, é o maior
mercado da empresa, respondendo por 34% das vendas consolidadas, ou € 1,25
bilhão. O Brasil, por sua vez, ainda não figura entre os principais
consumidores de produtos da empresa, embora Staudigl veja “forte
desenvolvimento” no país. Ele atribui a posição mais modesta da empresa
por aqui ao fato de os produtos da Wacker serem utilizados em tecnologias
avançadas pouco disseminadas no mercado ou na indústria locais. As vendas
da companhia alemã no Brasil giram em torno de € 50 milhões por ano.
Sustentabilidade – Integrando o programa global de Atuação
Responsável da indústria química desde sua adoção na Alemanha, em 1991, a
Wacker se apresenta como uma empresa alinhada com o desenvolvimento
sustentável. O compromisso se expressa em medidas como a redução dos
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resíduos gerados em suas fábricas pelo
reaproveitamento de energia térmica e de subprodutos nas próprias
fábricas, o desenvolvimento de processos biotecnológicos para a
obtenção de produtos químicos “verdes”, ou a comercialização de
produtos que contribuem para a mitigação do efeito estufa, caso do
silício policristalino empregado na produção de energia solar, e do
silicone utilizado na fabricação de lentes de diodos emissores de luz
(LEDs, na sigla em inglês).
“Acreditamos que a maior parte do crescimento da Wacker nos próximos
anos virá de produtos sustentáveis”, prevê Jörg Krey, vice-presidente
sênior de desenvolvimento corporativo da empresa. Números apresentados
por Krey mostram que o potencial de crescimento do mercado de produtos
químicos nas próximas três décadas é considerável. Puxado
principalmente pela elevação do nivel |
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Silicone permite lente diretamente produzida no LED |
de vida nos países chamados BRICs (Brasil, Rússia, China e Índia), o
mercado químico mundial deverá dobrar nos próximos 25 anos, crescendo a
uma taxa anual composta de 3,7%.
Uma das apostas da Wacker para participar desse crescimento vendendo
produtos sustentáveis é a ampliação do emprego da energia fotovoltaica,
que utiliza, entre outros insumos, o silício hiperpuro e os silicones
produzidos pela empresa. Para Wolfgang Storm, gerente sênior de marketing
da empresa alemã, a energia solar encerra o maior potencial teórico de
utilização no futuro, muito à frente da segunda colocada, a energia
eólica. A tecnologia dominante para a produção de células solares, baseada
no silício policristalino, evoluiu nos últimos quinze anos, tanto em
termos de eficiência energética quanto de redução da espessura dos
sanduíches e do período necessário para o retorno do investimento. E,
apenas nos últimos três anos, o custo dos sistemas fotovoltaicos, na
Alemanha, caiu à metade. “A energia solar terá uma participação crescente
nas fontes de energia do mundo, e o silício hiperpuro da Wacker desempenha
um papel-chave para torna-lá uma das tecnologias predominantes e uma fonte
de energia sustentável”, afirma Storm.
A Wacker também vê ganhos ambientais no emprego de alguns de seus produtos
em soluções de alta eficiência energética. Um exemplo são os silicones
elastoméricos, que representam cerca de um quinto do mercado mundial de
silicones, avaliado em € 8 bilhões, em 2009. Os silicones elastoméricos,
segundo o Dr. Bernd Pachaly, líder da unidade de negócios Silicones de
Engenharia da Wacker Silicones, têm aumentado sua participação na produção
de LEDs, graças a propriedades como a resistência à radiação ultravioleta
e ao calor, e por permitirem soldagens, acima dos 260ºC, livres de chumbo,
bem como a fabricação e a montagem de lentes diretamente sobre chips, em
uma única etapa de produção. As aplicações são o encapsulamento de chips e
a produção de lentes com alta transparência. Os LEDs, por sua vez,
representam uma alternativa ambientalmente interessante para a iluminação,
pois sua eficiência, entre 30% e 80%, é superior à das lâmpadas
fluorescentes, próxima a 25%, e muito maior que a eficiência das lâmpadas
de filamento, de apenas 5%. Dados apresentados pelo dr. Pachaly mostram
que LEDs têm grande potencial para reduzir emissões de CO2: só na
Alemanha, o uso desses dispositivos poderia evitar o lançamento de 1,6
milhão de toneladas/ano de CO2, gerando uma economia de € 400 milhões
anuais. Aparelhos televisivos equipados com LEDs economizam até 50% da
energia necessária para o seu funcionamento e, globalmente, 30% do consumo
de eletricidade para iluminação poderia ser eliminado se os diodos fossem
utilizados.
O segmento de construção civil é outra área em que há amplo potencial para
a redução de emissões, particularmente nas construções residenciais, que
correspondem à maior parte dos gastos do setor. Segundo pesquisa do
Deutsche Bank, datada de 2009, 40% de todas as emissões de CO2 vêm de
edificações, seja pelo consumo de eletricidade ou pelo condicionamento de
ar. Uma das principais vertentes para a redução dessas emissões consiste
do isolamento térmico das construções, cuja eficácia foi comprovada pela
Wacker em testes em construções edificadas para esse fim em Beijing,
Shanghai e Guangzhou, na China. O experimento revelou que a economia de
energia proporcionada pelo emprego de isolamento térmico chegou a 16% em
Beijing, 50% em Shanghai e 45% em Guangzhou, durante o verão, e, no
inverno, nas mesmas cidades, o consumo foi 40%, 35% e 37% menor,
respectivamente.
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A Wacker participa de aplicações de isolamento térmico
com dispersões poliméricas em pó, baseadas em copolímero de acetato de
vinila e etileno, utilizadas como ligante em produtos químicos com
aplicação na indústria de construção. O polímero em pó aumenta a
adesão a diversos tipos de substratos, melhorando a resistência dos
sistemas de isolamento térmico a intempéries e elevando sua vida útil.
Os silicones também possuem papel importante na redução do |
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Concreto hidrofóbico amplia isolamento térmico |
impacto ambiental de construções. Revestimentos com base em resinas de
silicone possuem um caráter hidrofóbico que protegem fachadas contra a
água e reduzem as transferências de calor, por permitirem que as paredes
se mantenham “secas” – a condutividade térmica de um material isolante
úmido pode ser até 50% maior que a condutividade do mesmo material quando
seco. Essas tintas, por outro lado, possuem uma certa permeabilidade que
favorece a evaporação da umidade, ampliando o efeito de isolamento
térmico. Dados da Wacker mostram que a proteção de paredes com
revestimentos com base em silicone pode reduzir o consumo total de
aquecimento de uma casa em 4,6%. Além disso, os custos de manutenção das
fachadas podem ser reduzidos quase à metade, no longo prazo, se a pintura
tradicional é substituída pelo revestimento hidrofóbico.
Fontes renováveis – O esforço da Wacker para tornar suas atividades
mais sustentáveis poderá levá-la a substituir parte de seus principais
insumos industriais por sucedâneos derivados de biomassa na sua principal
instalação industrial, localizada em Burghausen, na Alemanha, próximo à
fronteira com a Áustria.
Esse parque industrial é alimentado por quatro matérias-primas principais:
etileno, metanol, sal-gema e silício metalúrgico. Graças ao avanço da
biotecnologia, e dados os preços crescentes das matérias-primas
petroquímicas no mercado mundial, a empresa estuda alternativas para a
substituição do etileno e do metanol, obtidos do petróleo, por insumos
renováveis, nesse caso, o ácido acético biotecnológico e o etileno
derivado de bioetanol. Segundo informações de Fridolin Stary,
vice-presidente sênior de Pesquisa e Desenvolvimento Corporativos, a
Wacker iniciou, em 2009, a produção de ácido acético obtido de etanol em
uma planta piloto com capacidade para 500 t/ano. O ácido é obtido da
oxidação em fase gasosa de etanol, produzido, por sua vez, da fermentação
de biomassa, realizada por leveduras. Conforme afirmou Stary, o processo
leva a excelentes rendimentos, superiores a 90%, e boa seletividade, que
poderia ser melhorada com o desenvolvimento de um catalisador otimizado.
Outra vantagem está no fato de que essa rota de produção evita a formação
de ácido fórmico, um produto químico muito corrosivo e que destrói o aço
comum. O sucesso na produção do ácido acético usando biotecnologia
tornaria a Wacker livre do metanol, que é utilizado exatamente na obtenção
do ácido. Para Stary, entretanto, a rota preferida no futuro para a
obtenção do ácido acético deverá ser a fermentação “homoacética”.
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Nesse processo, o ácido acético é obtido pela
fermentação de açúcares por bactérias estritamente anaeróbicas. Até o
momento, porém, a cinética dessas reações não é rápida o suficiente
para as necessidades industriais. Para conquistar a independência
total das matérias-primas petroquímicas, a Wacker também está
apostando na obtenção de etileno pela desidratação do bioetanol, a
princípio derivado da cana-de-açúcar. Após o sucesso com a planta
piloto de ácido acético, uma nova deverá ser construída para a
produção do etileno “verde”. |
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Em Burghausen, insumos "verdes" podem
substituir metanol e eteno |
Stary, que viveu muitos anos no Brasil, se mostrou atento às polêmicas
envolvendo as condições de trabalho na indústria canavieira local –
afinal, o pilar social da sustentabilidade não pode se compatibilizar com
trabalho escravo ou infantil, se ele existir – e, caso a Wacker venha se
abastecer de bioetanol brasileiro, será cuidadosa na seleção de seus
parceiros. No futuro, no entanto, Stary acredita no sucesso das
biorrefinarias de 2ª geração, que utilizam como matérias-primas as plantas
inteiras ou o seu bagaço, o que livraria a Wacker também da dependência da
indústria de cana.
Márcio Azevedo
EMPRESAS
Bayer superou a crise com produtos sustentáveis
Como pano de fundo na
apresentação das projeções de negócios até o final de 2010, após o balanço
dos resultados do grupo em meio às convulsões econômicas globais do ano
passado, a Bayer brasileira deixou estampada uma paisagem do planeta
colorido na visão futurista de um menino de treze anos, Murilo Hideki
Ashiguti, escolhida entre outras 2,4 milhões de pinturas de outras
crianças de cem nacionalidades num concurso em parceria da empresa com o
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a Fundação para
a Paz e Meio Ambiente (FGPE), corroborando o slogan publicitário da
companhia aludindo a química para uma vida melhor.
Da aparente abstração conceitual de uma filosofia de trabalho para a
rotina da prática em pesquisa e desenvolvimento, dois projetos
consolidando as megatendências tecnológicas globais nos laboratórios da
Bayer atualmente servem como emblema desse esforço concreto nas suas
divisões para a criação de produtos ambientalmente corretos para a
produção de energia limpa – além de novos materiais, revestimentos e
soluções originais para o setor agrícola e de saúde.
A nanotecnologia e os polímeros estão na base desses chamados
“megaprojetos de tendências globais” em desenvolvimento, como o Solar
Impulse – um avião construído com placas de policarbonato e aplicações de
espuma rígida de PU, que alcançou o máximo de leveza (1.660 kg) graças aos
seus componentes estruturais e baterias à base de nanotubos de carbono.
Com a mesma envergadura de um Boeing 747 – 63 metros –, o Solar Impulse
será movido exclusivamente por meio de 12 mil células de captação de
energia solar e está sendo programado para realizar seu primeiro voo ao
redor do mundo dentro de quatro anos.
A outra pesquisa da Bayer sobre as tendências tecnológicas globais
desenvolve um conversor marítimo como solução factível para a geração,
transmissão e distribuição limpa de energia elétrica – reduzindo os
impactos sobre o clima a praticamente zero, em relação aos processos
tradicionais. Os protótipos do conversor marítimo são fabricados com
filmes de poliuretano com eletrodos elásticos e, entre 2013-14, deverão
ser apresentados pela Bayer MaterialScience ao mercado.
Inovação, alternativa anticrise – No balanço de desempenho da
comercialização em 2009, os produtos e insumos embutindo os pressupostos
de sustentabilidade ambiental foram determinantes para com sucesso as
turbulências da crise global com seus inevitáveis reflexos no mercado
nacional. A inconstância que se alojou na indústria durante 2009 por conta
da drástica queda de demanda mundial e a desaceleração do compasso de
produção industrial, segundo o presidente da Bayer MaterialScience, Ulrich
Ostertag, demonstrou a necessidade de inovar aumentando a aplicação de
matérias-primas renováveis nos produtos e, naturalmente, também as táticas
e apelos de comercialização – que foram reformuladas para propulsionar os
negócios da unidade – se preparando para enfrentar os terremotos e
tsunamis no cenário econômico planetário.
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O presidente da Bayer brasileira, Horstfried Laepple,
explicou que, pela primeira vez, a direção do grupo posiciona o
Brasil, que atualmente ocupa o sétimo mercado no ranking entre os
mercados mais importantes para a Bayer, à condição de “país-chave como
polo estratégico regional e global para a companhia manter a posição
de liderança no mercado”. Conforme acrescentou, por simples inferência
dos resultados de fluxo de caixa: a crise iniciada em 2009 varreu o
mercado norte-americano e o europeu, mas no bloco dos emergentes –
Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC) – os negócios cresceram 1,5% (4,3
bilhões de euros), representando 14% do total das vendas mundiais da
Bayer. Segundo Laepple, um ponto forte no fator competitividade
brasileira: 45% da produção nacional é exportado para mais de trinta
países da América do Sul e Ásia. |
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Laepple: BRICs representaram 14% do faturamento mundial em 2009 |
Rainer Krause, diretor-geral da Bayer Schering Pharma brasileira,
esclareceu que a área de pesquisa e desenvolvimento continuará
centralizada na matriz alemã da companhia, em parceria com centros
avançados de pesquisa universitária transnacional, com previsão de
investimentos de 2,9 bilhões de euros em 2010. Segundo ele, a legislação e
os estatutos de normas técnicas de farmacovigilância vigentes oferecem um
diferencial de competitividade determinante para a expansão das áreas de
gestão e a atração de investimentos no Brasil, em comparação com outros
mercados emergentes. “A qualificação da mão-de-obra formada por cientistas
e profissionais de bom nível universitário sem dúvida é importante para a
produção de novos medicamentos e novas linhas de outros produtos”,
esclareceu Krause. “Mas o compromisso da Bayer na escolha desse novo polo
regional para a América Latina está mais relacionada com a capacidade do
país de comportar novas responsabilidades e seu potencial de mercado
interno”, disse Krause.
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Até o final de 2010, os investimentos que irão estofar
essa posição estratégica em que o país foi colocado no planejamento do
grupo totalizarão R$ 180 milhões, reservados para atualizar
tecnologicamente os laboratórios e fábricas de medicamentos do grupo
no Rio de Janeiro (Belford Roxo) e São Paulo (Cancioneiro) Uma
plataforma nova deverá ser instalada nas fábricas de MDI e anilina
para padronizar as unidades locais com as da divisão em outros países,
o que deverá aumentar as condições de segurança da planta, a
confiabilidade e a qualidade dos processos. |
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Vista parcial de reator da linha de poliuretanos em Belford Roxo-RJ |
Uma parcela dos investimentos deverá ser destinada ao laboratório de
revestimentos, adesivos e especialidades na base paulistana da empresa. A
ideia é estabelecer como função do laboratório a prestação de serviços de
apoio a clientes. “É algo a mais para nos mantermos sempre à frente da
concorrência”, afirma Ostertag, o presidente da divisão MaterialScience.
Ele acredita que o laboratório pode e deve apresentar como diferencial ao
cliente a oportunidade de ver de perto a aplicação das tecnologias. “O
nível de qualidade exigido por um cliente, por exemplo, na aplicação de um
verniz resistente a raios ultravioleta, poderá ser testado em seu carro,
na sua presença”, exemplifica Ostertag.
No bojo desses investimentos, em julho próximo deverá entrar em operação
no Rio uma nova divisão para toda a experiência acumulada pelo grupo nas
áreas química, farmacêutica, de proteção ambiental e de infraestrutura – a
Bayer Technology Services, que se propõe a oferecer um espectro de
soluções desde engenharia e tecnologia à automação e inovação para seus
clientes.
Ecologia lucrativa – O presidente Horstfried Laepple explicou que
em seu “alinhamento estratégico” o grupo Bayer conseguiu limitar o impacto
da crise econômica nos negócios mundiais o ano passado. Apesar disso,
Laepple acrescentou que a empresa sentiu a queda nas vendas (5,7% em
relação a 2008) e também no lucro (6,6% em relação a 2008). Essas reduções
em relação ao período anterior não impediram que, depois dos cálculos de
reajustes de câmbio e de portfólio, historicamente a Bayer registrasse o
seu terceiro recorde de lucro (6,5 bilhões de euros) e um ano de
resultados positivos do grupo Bayer no país, com crescimento de 3% no
faturamento (R$ 3,8 bilhões).
Esses resultados econômicos e financeiros atestaram o acerto das
estratégias para dobrar a crise com a alternativa da inovação dos produtos
ambientalmente responsáveis. No cômputo total dos resultados das
atividades da Bayer MaterialScience, a divisão de materiais inovadores do
grupo, registrou queda de 14% no faturamento no país. Por exemplo, segundo
o presidente da divisão MaterialScience, Ulrich Ostertag, a inovação das
dispersões aquosas de poliacrilato (PAC, da linha de produtos Bayhydrol A)
combinadas com reticuladores de poliisocianatos hidrofilizados Bayhydur
para a formulação de sistemas de revestimentos foi um dos produtos que
teve boa aceitação e consequências para a superação da crise, “por
estabelecer novos padrões de sustentabilidade com economia”, como frisa
Ostertag.
Com essa orientação, o dirigente da Bayer MaterialScience acrescenta que o
grupo também decidiu partir para a comercialização de revestimentos à base
de resinas alifáticas poliaspárticas aplicáveis em obras infraestruturais
e de construção civil. O novo revestimento funciona como uma espécie de
catalisador na secagem da tinta, acelerando-a, com benefícios imediatos em
termos de produtividade e durabilidade no longo prazo – revelando-se “um
produto contemporâneo e simpaticamente ecológico”, como definiu Ostertag.
No século passado, a Bayer pesquisou, desenvolveu e lançou o poliuretano
mundialmente. Agora, após avançar nos procedimentos para a produção de
dormentes de poliuretano em ferrovias, sistemas de isolamento térmico na
construção civil e a formulação de resinas para vernizes que garantem
eficiência e rapidez na remoção de pichações, restos de colas, poeira e
outras formas de poluição arquitetônica urbana, o grupo se concentra
também no segmento de policarbonato, firmando parcerias para o
desdobramento tecnológico desse material para as mais diversas aplicações.
A elevação nas vendas de poliuretano termoplástico (TPU) e a consolidação
dos produtos da Bayer MaterialScience manufaturados com poliuretano – de
modo particular, o setor calçadista – também serviram de suporte para
atravessar o ano de 2009.
Na fatia de matérias-primas mais específicas para obras e serviços
públicos, a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 foram
identificadas como nichos de possibilidades de negócios para a divisão
Bayer MaterialScience, que detém a tecnologia da chapa de policarbonato
transparente para a cobertura de ginásios e estádios esportivos.
Durante 2009, o policarbonato, com a marca Makrolon, teve sua demanda
aquecida pela indústria eletrônica audiovisual de CDs e DVDs, agora com a
tecnologia Blu-Ray. Também os sistemas de pintura e repintura de veículos
e revestimentos para interior de carros, ao lado dos bens de consumo da
chamada linha branca, reforçaram o portfólio da área. Na indústria
automotiva, a demanda de policarbonato se concentrou na instalação de
lentes para faróis e extrusões.
Além da criatividade dos produtos inovadores que ajudaram a romper com as
limitações impostas pelas circunstâncias econômicas e a se empenhar para a
retomada dos resultados do período pré-crise, durante 2009 a Bayer
conseguiu abrir o fornecimento de um novo material para o setor de
identificação na área de segurança pública. Com a aprovação do Makrofol,
um filme funcional de policarbonato para documentos, o material deverá ser
utilizado na nova carteira de identidade nacional que, segundo Ostertag,
será mais segura, de falsificação praticamente impossível. Na busca de
alternativas, o grupo não hesitou quando surgiu a possibilidade de estrear
no segmento de cosméticos na América Latina, com o lançamento de BayQsan –
uma série de produtos de dispersões poliuretânicas inovadoras, para
formulações de cosméticos para proteção solar, cuidados com a pele e os
cabelos.
Hilton Libos
COURO
Indústria química pede fidelidade aos clientes
Vice-coordenador da
Comissão Setorial de Produtos Químicos para Couros da Associação
Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Romildo Sasso deu um puxão de
orelha nos representantes da cadeia produtiva do couro do sul do país, em
uma reunião realizada em nove de março na cidade gaúcha de Novo Hamburgo.
O evento foi organizado pela Associação das Indústrias de Curtume do Rio
Grande do Sul (AICSul).
Sasso disse que os curtumes e empresas de calçados, de maneira geral, não
são clientes fiéis e muitas vezes preferem comprar produtos químicos de
baixo desempenho, a preços menores, em detrimento da qualidade. Segundo o
dirigente, também executivo da Basf, a indústria química gostaria de
contribuir para a valorização do couro brasileiro, sendo reconhecida como
parte crucial da cadeia produtiva.
Observando que a indústria química brasileira teve uma queda de
faturamento de 15% no ano passado, com receita de US$ 103 bilhões, Sasso
ressaltou que existe uma expectativa de recuperação neste ano. Em relação
aos produtos para couro, sublinhou que representam apenas 0,8% do global
do setor e tiveram uma queda de US$ 425 milhões em 2008 para US$ 320
milhões no ano passado. A queda foi de 25% nas vendas para a produção de
wet blue (menor valor agregado) e de 22% em couros acabados.
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Segundo Sasso, a comissão setorial de produtos
químicos para couros tem como missão promover o aumento da
competitividade e o desenvolvimento sustentável da indústria. Conforme
criticou, a falta de fidelidade dos clientes desestimula manter
investimentos no país. “Existem outras regiões mais competitivas. O
custo Brasil é desencorajador. Não posso falar por outras empresas por
razões éticas, mas a Basf, em que trabalho, já transferiu alguns
ativos para a Argentina”, desabafou Sasso. Ele atribuiu esse
deslocamento da produção para outros países também a razões
estruturais, outro problema a ser enfrentado. |
Fernando C. de Castro

Sasso: parte da produção química foi
transferida para vizinhos |
O coordenador destacou que, mesmo assim, a Abiquim vislumbra muitas
oportunidades entre os setores do couro e a indústria química, e desafiou
as duas entidades a unirem esforços para desenvolver projetos conjuntos,
tanto na área tecnológica quanto em pleitos na área política. O presidente
da AICSul, Francisco Gomes, recebeu a proposta com entusiasmo e garantiu
que a entidade representativa do setor coureiro gaúcho trilhará este
caminho.
A Abiquim identifica desafios para o setor químico, elegendo a
sustentabilidade como a questão prioritária, considerada como valor
fundamental e como geradora de investimentos em planejamento,
desenvolvimento e inovação. Sasso citou o Programa de Atuação Responsável,
lançado no Brasil em 1992. Esse programa estabelece procedimentos de
melhoria contínua em vários campos de atividade da indústria, com destaque
para a menor emissão de efluentes; redução na geração de resíduos; saúde
ocupacional; segurança no transporte e preparação para o atendimento a
emergências.
No longo prazo, o palestrante afirmou que a entidade projeta posicionar a
indústria química brasileira em 2020 entre as cinco maiores do mundo,
tornando o país superavitário em produtos químicos e líder em química
verde. Para tanto, prevê investimento de US$ 132 bilhões. Sasso sublinhou
que o setor coureiro pode ser um parceiro em várias ações nesse programa,
em vez da posição secundária que ocupa atualmente.
Como cenários e desafios da indústria química ele lembrou a regulamentação
do REACH – Regulamento para o Registro, Avaliação, Autorização e Restrição
de Produtos Químicos comercializados na União Europeia (UE) – em vigor
desde 1º de junho de 2007. “A indústria teve que registrar produtos
químicos enquadrados nessa norma, gerando aumento de custos”, salientou.
Além disso, a Abiquim, nos próximos dez anos, pretende acompanhar de perto
a reestruturação de joint ventures ou as vendas anunciadas de grandes
players do mercado.
Fernando Cibelli de Castro
ENSINO E PESQUISA
Braskem doa o antigo SDCD da Copesul para a UFRGS
A Braskem doou um
Sistema Descentralizado de Controle Distribuído (SDCD) à Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) durante cerimônia realizada no
gabinete do reitor, em 16 de março. O SDCD é o “cérebro eletrônico” de
grandes plantas químicas e de outros sistemas de reação crítica, tais como
petrolíferas, unidades farmacêuticas de defensivos agrícolas, entre
outras. A universidade gaúcha será a primeira no Brasil a contar com esse
tipo de equipamento para uso nos cursos de graduação e pós-graduação.
O SDCD foi usado pela Unidade de Insumos Básicos da antiga Copesul, em
Triunfo-RS, desde 1985. Com a compra da central petroquímica gaúcha pela
Braskem, um novo sistema de última geração foi colocado em operação
recentemente, aposentando o SDCD. A UFRGS também receberá um software de
controle de automação atualizado, doado pela Metso, empresa finlandesa
detentora de tecnologia de ponta para programação desse tipo de
equipamento.
O equipamento controlava os fornos de pirólise, o coração de um cracker
petroquímico, e foi colocado à disposição da atividade acadêmica. Ele será
usado como um simulador de processos, que só poderia ser conhecido por
estudantes da área de química se e quando fossem trabalhar na operação de
empresas de grande porte.
Para o vice-presidente-executivo da petroquímica, Manoel Carnaúba, a
iniciativa fortalece a todos: a universidade, os pesquisadores e a Braskem.
Ele considera o sistema como versátil, aceitando o acoplamento de
computadores. Com isso, a interligação aos sistemas existentes dentro de
um ambiente acadêmico será feita sem qualquer dificuldade. “É análogo a um
simulador de voo usado na formação de pilotos de avião”, comparou.
Outra vantagem vislumbrada por Carnaúba diz respeito às novas aplicações
que poderão resultar do uso do equipamento em cursos de engenharia e de
tecnologia da informação, que futuramente poderão ser aproveitadas pela
Braskem. “Como o equipamento estará dentro de um local de pesquisa,
algumas inovações poderão surgir com base em novos protocolos”, confia
Carnaúba.
De acordo com o reitor da UFRGS, Carlos Alexandre Netto, a iniciativa da
Braskem é definida como “interação de conhecimento” entre a academia e a
iniciativa privada. Ele adiantou que o SDCD terá sua utilização ampliada
para diversas áreas da universidade. Além da engenharia química, os
professores e alunos dos cursos de química, engenharia elétrica e ciências
da computação terão acesso a ele, como forma de entendê-lo e até
aperfeiçoá-lo. Na oportunidade, Netto aceitou convite de Carnaúba para
conhecer o complexo petroquímico da Braskem, em Triunfo, incluindo o
canteiro de obras da primeira planta de polietileno do mundo que produzirá
eteno pela rota etílica.
“Os profissionais formados e que trabalharem com esse sistema estarão mais
capacitados para atuar na indústria química”, disse Jorge Trierweiler,
professor da Escola de Engenharia da UFRGS. O equipamento tem valor
estimado de R$ 500 mil – um novo custaria R$ 1 milhão.
A cidade gaúcha de Triunfo, além de unidades completas de produção de
derivados petroquímicos, reúne os principais ativos para desenvolvimento e
pesquisa da Braskem: são oito unidades piloto, um centro tecnológico com
os laboratórios mais avançados da América Latina,
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controlados pela iniciativa privada – para atividade
petroquímica – onde trabalha um grupo expressivo de doutores, mestres
e técnicos, todos voltados para apresentar soluções e novas aplicações
em resinas termoplásticas.
Na ocasião de assinatura do convênio de doação com a UFRGS, os
executivos da Braskem anteciparam que a planta de polietileno via
etanol, orçada em R$ 500 milhões, deverá entrar em operação três |
Fernando C. de Castro

Assinatura de convênio: SDCD funcionará
como planta virtual |
meses antes do previsto. Inicialmente, eles esperavam concluir a obra em
18 meses, mas poderão promover a partida da planta em caráter experimental
já na virada do semestre deste ano. “O Rio Grande do Sul será a primeira
região do mundo a produzir polietileno obtido de fonte renovável o que
muito nos orgulha”, finalizou Carnaúba.
F. C. C.
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