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C A L O R |
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Cuca Jorge

Trocadores de calor a placas da Alfa
Laval |
Clientes exigem redução do consumo de combustíveis e da
emissão de poluentes
Marcelo Fairbanks
Muita fumaça e pouco fogo. Essa expressão
popular resume a situação dos fornecedores de equipamentos térmicos no
Brasil. Em contraste com a avalanche de projetos de investimentos em
petróleo, petroquímica, na indústria química e suas derivações, o volume
de pedidos se mantém calmo até demais. Antes da crise do terceiro
quadrimestre de 2008, as carteiras de pedidos estavam lotadas. Ainda bem,
porque vários projetos foram adiados e os pedidos remanescentes mantiveram
ativas as produtoras desses bens de capital até uma normalização de ritmo,
ainda abaixo do de 2008, verificada desde o segundo semestre de 2009 até
agora.
É preciso considerar a crescente importância da redução do consumo de
combustíveis para geração de calor. Além do aspecto puramente econômico,
voltado para a redução geral dos custos, essas medidas também são adotadas
por contribuir com benefícios ambientais. Em muitos casos, a substituição
do óleo pelo gás natural ou, melhor ainda, por resíduos de processos com
origem renovável, caso do bagaço de cana ou de serragem prensada de
madeira, pode ser aproveitada para gerar créditos de carbono nos critérios
do Protocolo de Kyoto. Esses motivos justificam investimentos na
substituição ou atualização dos geradores de valor, principalmente, dos
trocadores de calor e também incentivam a estudar melhor os processos
industriais, buscando sinergias.
A importação de equipamentos térmicos e seus componentes ainda não
constitui uma ameaça concreta para a produção nacional. Mas é apontada
como um risco potencial, tanto pelo baixo preço do aço e das ligas no
mercado internacional quanto pelos menores custos de produção nos países
asiáticos, principalmente pela alta incidência de impostos e taxas no
Brasil, situação agravada pela valorização do real em relação ao dólar.
“Não estamos sentindo uma competição forte com equipamentos importados,
mas alguma coisa aparece quando fábricas inteiras são trazidas do exterior
em regime de turn key”, comentou Caio Henrique de Santana Eboli,
representante comercial da Aalborg Industries no Brasil. A favor dos bens
de capital nacionais está a proximidade com o fabricante, que tem mais
facilidade para prestar suporte e assistência técnica, além de suprir
rapidamente peças de reposição eventualmente necessárias. Alguns
componentes, como válvulas especiais e os sistemas de controle e automação
são importados, geralmente pela falta de produção local.
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Em alguns casos, a importação de componentes se
firmou. “A importação nos ajuda a ser competitivos contra concorrentes
internacionais”, afirmou James José Angelini, diretor-comercial da
Apema Equipamentos Industriais. Ele explicou que a produção local leva
vantagem nos materiais mais comuns, como o aço carbono. Quando é
preciso usar materiais mais nobres, como o aço inox e as ligas
metálicas, os estrangeiros invertem a situação. |
Cuca Jorge

Angelini: importar componentes ajuda a manter
a competitividade |
A Apema exporta alguns de seus trocadores quando instalados em
equipamentos fabricados por seus clientes. Angelini explica que a empresa
possui uma linha com vários trocadores de calor padronizados, tanto de
casco e tubos quanto de placas, desenvolvidos a pedido de algum cliente
para consumo em larga escala, e por longo período. Além disso, oferece a
possibilidade de
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produzir trocadores sob encomenda até o limite de 60
toneladas de peso bruto, com dimensões de 2,5 por 12 metros por peça,
com engenharia própria, dotada dos principais softwares de cálculo e
dimensionamento, além de seguir as principais normas construtivas
internacionais, entre elas a Asme e a API. “A linha padronizada sofreu
uns dois meses com a crise e retomou o ritmo, mas o mercado dos
engenheirados ainda está em compasso de espera”, afirmou. A Apema foi
recertificada no ano passado na norma ISO 9001:2008. |
Cuca Jorge

Trocadores de calor da Apema prontos para entrega |
Ele explica que a importação de componentes, como os tubos, exige
cuidados. “A China faz tubos bons e ruins, é preciso conhecer o fabricante
e o produto”, disse. A Apema usa esses suprimentos em geral nos produtos
standard, feitos de cobre e suas ligas. Angelini salientou que não existe
produção no Brasil de tubos sem costura para troca térmica feitos de aços
especiais. Obrigado a importar, ele credita aos impostos incidentes em
cascata e aos custos logísticos a perda de competitividade. “Nesse tipo de
produto, a mão de obra pesa pouco no custo total do equipamento”,
calculou.
Trazer do exterior trocadores de calor especiais, sem produção local, é a
proposta da TBM – Technical Business Management, de Campinas-SP. Formada
em março de 2009 por três experientes profissionais do ramo, todos
ex-executivos de importantes empresas da área, a TBM fechou um acordo de
representação comercial e suporte técnico com a FBM Hudson Italiana, líder
mundial em trocadores resfriados por ar (air cooled) e também detentora da
tecnologia Breech Lock para trocadores casco e tubos para aplicações de
altíssima pressão (por volta de 250 kgf/cm²). “São trocadores com cabeçote
quase que rosqueado ao corpo, usados em unidades de amônia e ureia”,
comentou Vitor Meneses, um dos sócios-diretores da TBM e especialista
técnico.
“Além de cuidar da parte comercial, nós também apoiamos tecnicamente os
clientes e o fabricante, conferimos os dados de projeto e acompanhamos a
instalação e a operação”, explicou Lívio Reis Junqueira, outro
sócio-diretor, com atuação comercial em petroquímica e petróleo. Embora a
FBM tenha vários equipamentos instalados no Brasil, especialmente os
resfriados a ar, instalados em várias refinarias de petróleo, a atuação de
representantes locais é fundamental para evitar problemas com diferenças
culturais, de documentação e em alguns aspectos legais específicos do
Brasil, capazes de fazer um estrangeiro arrancar os cabelos. O terceiro
sócio é o engenheiro Sérgio Morello.
Junqueira explica que a FBM Italiana pertence ao grupo KNM, da Malásia,
onde possui uma fábrica. A FBM fabrica seus produtos na Itália e em Dubai
(Emirados Árabes Unidos), esta voltada para tipos air cooled. “O grupo
comprou duas caldeirarias no Espírito Santo e está estudando montar
trocadores resfriados a ar no Brasil, além de apoiar eventuais
manutenções”, comentou.
Segundo informou, a empresa tem vencido algumas concorrências no Brasil
nos últimos anos, a ponto de ter alimentado grandes expectativas de
negócios para 2009. “O ano passado, no entanto, teve poucos negócios, mas
esperamos que eles sejam efetivados neste ano”, comentou.
Enquanto as encomendas dos equipamentos especiais não se confirmam, a TBM
busca resultados com outras representações, como a da francesa Vitherm,
produtora de trocadores a placas soldadas ou com gaxetas. “Os trocadores a
placas estão sendo cada vez mais aceitos no Brasil e a Vitherm atua em
todos os segmentos de mercado, mas nós a representamos apenas em petróleo
e petroquímica”, explicou Junqueira. A representada possui escritório
comercial próprio e fábrica no Brasil.
A TBM também representa as nacionais Tubal e Refrio. A primeira é
importante fornecedora de tubos aletados para vários fabricantes de
trocadores de calor, produzindo ela mesma alguns modelos de pequeno porte.
“A Refrio iniciou pela área de refrigeração, mas ingressou no mercado dos
trocadores industriais e recuperadores de calor há poucos anos, oferecendo
bom serviço técnico e produção de alta qualidade”, atestou Vitor Meneses.
Meneses observa que a tendência de mercado aponta para o aumento de
demanda por trocadores especiais, sob a liderança da Petrobras, cada vez
mais interessada em equipamentos capazes de suportar temperaturas e
pressões de processo mais elevadas. “Se alguém quiser fabricar esses
equipamentos no Brasil, com certeza haverá mercado, mas, por enquanto, a
melhor opção é importar”, explicou. Ele espera uma profunda mudança no
mercado de componentes para a indústria de bens de capital com a chegada
de empresas de origem chinesa nos setores de siderurgia e metalurgia no
país.
Avanços nos compactos – Líder global em trocadores compactos, grupo
que abrange os equipamentos a placas (soldadas ou com vedações), incluindo
a linha Packinox de grandes dimensões, e também os trocadores com tubos em
espiral. “Nosso foco está no aumento da eficiência térmica, redução de
emissões poluentes e na melhoria geral da operação dos clientes”, afirmou
Ricardo Meneghetti, gerente de vendas da área de processos industriais da
Alfa Laval no Brasil.
Pelas suas características de produtos e processos, os segmentos de
petróleo e petroquímica, atualmente os mais promissores em termos de
negócios, precisam usar trocadores totalmente soldados a laser, sem
possibilidade de vazamentos. “Há um certo preconceito no Brasil contra os
trocadores a placas em aplicações críticas, mas isso está mudando, a
exemplo do que já aconteceu no resto do mundo”, comentou. Por aqui, os
engenheiros de projetos especificam trocadores de placas para operar com
fluidos limpos e baixa pressão, sendo considerados equipamentos sensíveis.
Por isso, menos de 1% dos trocadores de calor petroquímicos são compactos.
Essa percepção está ligada aos primeiros tipos de trocadores a placas, que
tinham gaxetas (vedações) feitas de material elastomérico entre cada peça,
um desenho ainda muito usado nas indústrias de alimentos e laticínios.
“Desde que compramos a Vicarb, em 1998, passamos a oferecer a tecnologia
Compabloc de placas soldadas a laser, que são muito robustas, evitam
problemas com sujeira e corrosão e ainda apresentam melhor eficiência de
troca térmica que os tipos conhecidos de casco e tubos”, comentou
Meneghetti. Esses trocadores operam na faixa de pressão do vácuo absoluto
até 40 bar, com temperaturas até 400ºC. Com as tecnologias disponíveis,
Meneghetti calcula que 80% dos casco e tubos possam ser substituídos com
vantagem por trocadores a placas. Apenas nos equipamentos feitos de aço
carbono, sem problemas de corrosão e incrustação, os casco e tubos têm
larga vantagem. Ele também apontou que os trocadores a placas chegam a
pesar só 25% do peso vazio de um casco e tubo equivalente. Quando se
considera o peso do equipamento cheio com os fluidos de operação, a
diferença permanece grande, implicando o fato de os tipos a placas serem
mais fáceis de colocar em regime.
Os Compablocs já são aplicados em refinarias e produtores de eteno em
vários países do mundo, inclusive no Brasil. A busca por melhor eficiência
térmica nos processos ganhou um impulso sensível com a elevação dramática
do custo da energia verificada entre 2003 e 2008. Em indústrias de
operação contínua e grande porte, mesmo as pequenas economias de energia
se tornaram muito relevantes. “Cada megawatt poupado gera uma economia
correspondente a 970 toneladas por ano de gás natural, além de abater
emissões anuais de 2,5 mil t de CO2 e de 30 t de SOX e NOX”, salientou.
Esses dados consideram uma eficiência térmica do aquecedor de 65% e teores
de 0,6% de S e 0,25% de N no combustível.
Projetos de integração energética, que aproveitam fluxos quentes de
processo para aquecer outros fluxos ou fluidos de troca térmica se
tornaram frequentes. Uma grande petroquímica paulista, por exemplo,
instalou um Compabloc na torre de benzeno para operar como um refervedor (reboiler)
que aproveita o vapor quente de cumeno disponível. A economia de energia,
antes suprida por vapor, permitiu recuperar o investimento em menos de um
ano.
Por serem compactos, esses trocadores ocupam menos espaço nas fábricas,
exigem menos consumo de concreto e de aço para formar os berços de suporte
e apresentam vantagens operacionais. “Basta retirar os painéis laterais
que as placas ficam expostas, permitindo a limpeza total com lavadores de
jato, com grande facilidade”, afirmou. Os exemplos mencionados em
petroquímicas, no entanto, operam há mais de cinco anos sem nenhuma
limpeza, enquanto os casco e tubos costumam ser limpos a cada dois anos.
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O desenho compacto e o uso de placas finas e leves
permitem configurar trocadores com grande área de troca e baixo peso.
Isso torna viável o uso de materiais nobres, como aço inox e ligas
especiais, uma forma de evitar problemas de corrosão, mesmo em meios
agressivos. “As placas são corrugadas, provocando um fluxo turbulento
que melhora a troca térmica”, explicou.
Meneghetti prevê que as usinas de açúcar e álcool também venham a
comprar trocadores a placas soldadas para aumentar a recuperação de
calor nas suas operações, hoje também direcionadas para cogeração de
eletricidade. Ele também enfatizou o fato de esses trocadores
consumirem menos água e reduzirem emissões atmosféricas. “Precisamos
olhar para 2020 e além”, afirmou. |
Cuca Jorge

Meneghetti: trocador de placas soldadas opera sob alta pressão |
Em 2008, a Alfa Laval comprou a francesa Packinox, passando a deter a
tecnologia dos grandes trocadores a placas indicados para instalação na
entrada de grandes unidades, como reformadores catalíticos e craqueadores
catalíticos (FCC e RFCC) em refinarias. “As unidades de hidrotratamento (HDT)
da Petrobras terão Packinox na alimentação”, afirmou. Algumas refinarias
nacionais terão também os Compablocs instalados em várias posições, em
lugar dos casco e tubos.
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Além desses modelos, a Alfa Laval também oferece
trocadores com tubos em espiral, indicados para líquidos viscosos,
especialmente os de fundo de coluna de destilação de petróleo, como
coque, piche e alcatrão. Seu desenho construtivo gera um efeito
autolimpante, sem pontos de deposição de material, que é arrastado
pelo fluxo, com alta eficiência de troca térmica. São compactos e de
fácil limpeza, podendo operar a 90 bar e 500ºC.
Uma opção intermediária é a das placas semissoldadas. “Elas são
soldadas duas a duas do lado do fluido de processo, com gaxetas do
lado do resfriamento, sendo muito usadas para condensações, que pedem
circuitos curtos”, comentou Meneghetti. Destilarias de álcool são
clientes habituais desses |
Cuca Jorge

Trocadores em espiral serão usados com líquidos viscosos |
produtos, da linha AlfaCond. Esse desenho dá grande flexibilidade ao
equipamento, bastando colocar mais cassetes no conjunto. “Os Compablocs
também podem ser usados como condensadores, com montagem ‘deitada’”,
explicou.
Angelini, da Apema, também produz trocadores a placas em tamanhos
variados, desde os de placas destacáveis, módulos soldados ou brasados.
“Trazemos placas e gaxetas de um grande fornecedor na Alemanha, e os
brasados vêm de Taiwan, com excelente qualidade”, comentou. A demanda é
crescente por esses equipamentos, segundo informou.
Caldeiras automatizadas – Os maiores avanços nos geradores de vapor
podem ser encontrados nos dispositivos de controle e automação.
“Desenvolvemos um sistema capaz de monitorar e até operar as caldeiras a
longa distância usando a internet”, comentou Márcio Braga, gerente-geral
da Aalborg no Brasil. Denominado WebService, o sistema precisa da
autorização do cliente para funcionar. A caldeira precisa ser equipada com
um sistema supervisório dotado de uma porta de comunicação para ser ligada
à rede mundial. Essa conexão pode permitir que outras unidades do próprio
cliente se comuniquem com a caldeira, suprindo informações de interesse
gerencial. Empresas grandes costumam colocar os geradores de vapor nas
telas da sala de controle. O supervisório do equipamento conversa com o
sistema da planta, mas também se comunica com a Aalborg, diretamente, sem
interferir em outras áreas do processo.
A conexão com a Aalborg ajuda a manter a caldeira operando nas melhores
condições, buscando a máxima eficiência térmica e economia de energia.
Falhas eventuais podem ser corrigidas, além de facilitar a programação de
intervenções de manutenção. “Já temos uma caldeira de biomassa no Uruguai
sendo monitorada pelo nosso escritório em São Paulo”, informou Braga,
salientando que há um cliente no Brasil que também aderiu ao monitoramento
on-line.
O sistema também pode ser implantado nas atualizações de caldeiras
existentes, sem maiores dificuldades. “Os sistemas modernos de controle e
automação melhoram a eficiência e corrigem problemas que apareçam, com
grandes vantagens para os clientes e para o meio ambiente”, disse o
gerente-geral. Equipamentos periféricos, como analisadores de gases de
saída e economizadores também estão sendo considerados como importantes
campos para desenvolvimento de tecnologia. Por exemplo, na plataforma off
shore de Mexilhão, a água quente será gerada com um economizador WRU da
Aalborg, que aproveita os gases de saída de turbinas de geração de
energia.
Braga comentou que a Aalborg olha com atenção as possibilidades de
integração energética nos processos, mas mantém ajustado seu foco nas
caldeiras, porém oferecendo suporte técnico e projetos mais abrangentes.
“Por exemplo, atuamos com sistemas de purga de superfície em lugar da
purga de fundo, na qual a perda de água é grande e rápida”, afirmou. “A
purga de superfície, lenta e contínua, ajuda a aproveitar melhor o calor
residual em alguma etapa do processo, gerando economia.”
Algumas alternativas, porém, estão limitadas pela qualidade dos
combustíveis. O uso de economizadores, equipamentos que aproveitam o calor
dos gases de exaustão das caldeiras, por exemplo, é indicado para
caldeiras a gás natural e para os raros casos em que se queima óleo com
baixíssimo teor de enxofre e pouca emissão de particulados (mesmo assim
com algumas diferenças construtivas). “Caldeiras a gás natural podem
ganhar 5% de eficiência com um economizador”, calculou Braga.
Embora a Petrobras tenha prometido mudanças, ainda não foram sentidas
melhorias na qualidade dos óleos combustíveis nacionais. Uma redução
significativa do teor de enxofre permitiria aproveitar melhor os gases de
exaustão, retirados dos equipamentos ainda muito quentes para evitar a
formação do corrosivo ácido sulfúrico. Também seria possível evitar a
passagem desses gases por lavadores especiais para abater os SOx.
“Desenvolvemos um coletor de pó por via úmida que retém 93% dos
particulados, mas não retira o enxofre do gás de saída”, disse Braga.
Em 2009 e 2010, 70% das vendas de caldeiras da Aalborg são referentes à
linha Mission, alimentada a óleo combustível ou gás natural. Cerca de 30%
pertencem à linha FAM, alimentada por biomassa. “Essa proporção é
diferente da nossa média histórica no Brasil, de 60% para óleo/gás e 40%
para biomassa”, comentou Caio Eboli. Ele explica a diferença pelo fato de
o óleo ser encontrado em qualquer lugar, enquanto o gás natural fica
restrito ao entorno dos dutos, regiões onde tem a preferência dos
usuários. A biomassa, por sua vez, tem custos de transporte relativamente
altos e, algumas vezes sofre com sazonalidades. O bagaço de cana, por
exemplo, só é disponível durante a safra, de abril a novembro, na chamada
região Centro-Sul.
Embora o uso de biomassa já seja considerável, Eboli comenta que ainda
existe muito resíduo orgânico de aproveitamento economicamente viável no
Brasil. “A possibilidade de venda de créditos de carbono é um estímulo
adicional”, considerou. A Aalborg dá apoio para a obtenção desses
créditos. Ele aponta um caso em que um cliente transporta biomassa do
Paraná para ser queimada em caldeiras no Vale do Paraíba. “E ainda obteve
uma economia de 20% em relação ao óleo combustível”, disse.
Eboli explicou que os preços dos óleos 1A e 2A têm oscilado muito, mas têm
guardado uma equivalência com o custo de usar gás natural. “Continuamos
recomendando a compra de queimador dual para clientes que tenham
disponibilidade de gás”, salientou. A diferença de preço com um queimador
monocombustível é muito pequena, sendo preferível contar com uma opção de
suprimento.
A procura por equipamentos para queima de óleos pesados (ultraviscosos) se
tornou muito reduzida. “Garantimos que os nossos queimadores podem queimar
óleos na faixa de 1A a 4A sem precisar de nenhuma adaptação”, afirmou
Braga. Ele salientou que seus queimadores foram desenvolvidos
especificamente para operar nas fornalhas da Aalborg, com comprimento
ideal de chama e excelente queima. “Há bons queimadores disponíveis no
mercado, mas quem vai dar a garantia para o conjunto todo quando há mais
de um fornecedor?”, indagou.
Mercado mantido – Líder no fornecimento de caldeiras flamotubulares
e atuante na faixa de duas a 34 toneladas de vapor por hora, a Aalborg
registrou em 2009 um período ruim de vendas, com uma sensível recuperação
nos últimos meses. “Isso resultou da liberação de regras mais vantajosas
do Finame, com prazo definido e depois prorrogado”, explicou Eboli. Mesmo
assim, a queda nas vendas de 2009 chegou a 30%, considerando uma média de
número de equipamentos e seu peso.
A chegada do incentivo agitou o mercado. A Aalborg teve um bom ano em
2008, que lhe deixou uma carteira de pedidos completa até abril de 2009,
mesmo após a deflagração de crise mundial. Entre abril e setembro, a
produção ficou um pouco ociosa, mas depois voltou à ativa. “Em 2010,
estamos novamente no ritmo de 2008”, comemorou Eboli.
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A demanda nacional por geradores de vapor
flamotubulares está concentrada nos modelos de médio porte, entre dez
e vinte t/h, com alguns negócios isolados com equipamentos de maior
porte. Os setores ligados ao agronegócio (óleos vegetais,
frigoríficos, laticínios, alimentos e bebidas) estão mais ativos. A
indústria nacional supre adequadamente esse mercado, segundo Eboli,
que ressalta o fato de os produtos importados não poderem contar com o
apoio do Finame. |
Divulgação

Geradores de vapor flamotubulares em fase
de acabamento na fábrica da Aalborg |
A Aalborg tem se beneficiado do processo de globalização mesmo sem
aumentar suas importações. “Só estamos trazendo de fora alguns tubos de
condução de água, mas não os de troca térmica”, disse Eboli. A empresa
prefere nacionalizar equipamentos com a tecnologia corporativa, embora a
fábrica chinesa do grupo tenha custos mais baixos. “Temos um sistema
global de compras, pelo qual os descontos negociados com os fornecedores
valem em qualquer parte do mundo, ou seja, nós compramos peças e
componentes pelo mesmo preço da filial chinesa e isso nos dá uma boa
vantagem competitiva”, explicou. Esse benefício se estende para a
assistência técnica e atualização de equipamentos.
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Como novidade, a filial brasileira da Aalborg está
nacionalizando um tipo de caldeira aquatubular para queima de óleo ou
gás natural desenvolvida inicialmente para a indústria naval, mas com
uso em indústrias. “É um equipamento de desenho compacto, que pode ser
transportado completo dentro de uma carreta, reduzindo o custo de
montagem no campo”, comentou Braga. Em fase final de adaptação e
componentes, essa nova linha de caldeiras é indicada para gerar de 25
a 80 t/h de vapor a 42 bar, pressão típica do setor naval, mas que
pode ser ampliada, bem como a produção de vapor. Equipamentos maiores
que essa faixa, porém, precisam ser montados no campo. |
Cuca Jorge

Braga: caldeira aquatubular compacta em nacionalização |
Pode ser que, no futuro, essas caldeiras aquatubulares sejam adaptadas
para queimar biomassa, aproveitando um nicho. “Em relação às
flamotubulares, é um mercado pequeno, para poucas unidades por ano”, disse
Eboli.
A matriz dinamarquesa enfatiza a redução de impactos ambientais,
principalmente no seu core business, a indústria naval. Além de buscar
aumento na eficiência da combustão, também o tratamento de água ingressou
nos negócios da companhia. “Eles desenvolveram um sistema para tratar a
água usada como lastro nos navios, eliminando uma séria preocupação
ambiental com as contaminações biológicas entre as várias regiões do
mundo”, explicou Braga. No Brasil a companhia produz aeradores para água,
mas poderá começar a desenvolver sistemas de tratamento de água
industriais.
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Quando comprou a ATA, uma divisão da Mitsubishi, a
Aalborg encontrou uma tecnologia de aquecedores de fluidos térmicos
diferente dos modelos europeus com que estava habituada. Mais tarde a
companhia comprou uma empresa holandesa especializada nesses produtos,
usando óleo e gás natural. Sua atuação, porém, nesse segmento perdeu
força, mas está sendo reativada. “O mercado de aquecedores de fluidos
térmicos tinha caído muito no Brasil com a chegada dos sistemas de
aquecimento direto por chama de gás natural, mais simples e mais
baratos”, disse Eboli. Esses sistemas foram adotados na indústria
têxtil, por exemplo.
O mercado brasileiro de aquecedores ficou mais ligado a modelos abaixo
de um milhão de kcal/h, menores do que a |
Cuca Jorge

Eboli: compras globais trazem benefícios à fabricação local |
companhia podia atender. “Estamos nos adaptando para atender a essa
demanda”, disse Braga. A nacionalização do sistema holandês permitirá usar
o Finame. Além disso, a companhia está atenta aos projetos de construção
de navios em estaleiros locais, muito dependentes das encomendas da
Petrobras. “Caso esses projetos navais deslanchem, vamos estudar a
fabricação nacional desse e de outros equipamentos”, informou. Enquanto
isso, a fábrica de Petrópolis-RJ recebe melhorias a cada ano, reduzindo
retrabalhos e aprimorando a qualidade, usando os princípios de lean
manufacture.
Fornos de processo – Líder nacional no fornecimento de fornos de
processo para refinarias de petróleo e petroquímica, a Combustol acompanha
de perto as licitações para novos equipamentos de grande porte,
especialmente por parte da Petrobras. O programa de atualização e
ampliação das refinarias nacionais está em andamento e exige a inclusão de
novas unidades de melhoria de qualidade de combustíveis, como
hidrotratamento e hidrodessulfurização (HDT e HDS), ambas consumidoras de
grandes volumes de hidrogênio. Unidades de reforma catalítica, que
convertem hidrocarbonetos em monóxido de carbono e hidrogênio, tiveram a
demanda ampliada.
“Vendemos um reformador e três aquecedores para a refinaria da Bahia e
estamos aguardando o resultado das licitações para outras refinarias que
ainda têm unidades para instalar”, comentou Paulo Adolfo Dietziker,
gerente técnico-comercial de petroquímica e siderurgia da divisão de
equipamentos da Combustol. Sem falar nos projetos das novas refinarias
premium do Nordeste, em andamento. Ele comentou que há alguns equipamentos
sendo finalizados na empresa e em concorrentes, mas haverá poucas entregas
de novas unidades de porte em 2010, por conta da demora em promover as
contratações.
Isso não acontece por falta de grandes projetos. O Complexo Petroquímico
do Rio de Janeiro (Comperj) contratou em março e abril deste ano os
fornecedores para os quatro fornos da sua destilação, os outros quatro da
unidade de coqueamento retardado e os três para hidrocraqueamento
catalítico, certames nos quais a proposta da Combustol foi vencida. “Vamos
disputar o próximo pacote de equipamentos do Comperj, ainda sem data
prevista”, afirmou.
Dietziker comenta que a estatal tem por hábito comprar os fornos de grande
porte em negociação direta com fornecedores. Na licitação da refinaria de
Betim-MG, no entanto, a ordem é transferir a aquisição para o ‘epecista’
que assumir o projeto. Como se trata de equipamento engenheirado, a
discussão sobre detalhes técnicos é fundamental. A Combustol possui uma
parceria com o grupo Linde, pela qual emprega essa tecnologia em seus
fornos. “Geralmente, a estatal apresenta uma folha de dados que remetemos
para o licenciador que pode concordar ou solicitar alterações de
adequação”, explicou. “A Petrobras dá a garantia integral da tecnologia,
mas pode exigir a validação pelo fornecedor, que partilhará ou substituirá
essa garantia de funcionamento.”
No caso da refinaria do Rio Grande do Sul, a solicitação da Petrobras para
licitação de fornos de reforma tomou por base aspectos de outro
licenciador tecnológico. “Essa tecnologia não é
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compatível com a da Linde e estamos consultando a
outra empresa para ver se ela aceita as modificações sugeridas por
nós”, comentou. Segundo o gerente, o reformador Linde é mais avançado
que o dos concorrentes, principalmente por colocar os materiais
críticos fora da zona de queima. “Isso reduz o impacto térmico sobre
esses materiais, simplificando a construção e reduzindo o seu custo”,
comentou.
A concorrência entre fornecedores desse tipo de equipamento é
restrita, a começar pela necessidade de contar com uma tecnologia
reconhecida mundialmente e aplicar materiaisadequados. “Um reformador
opera a temperaturas muito altas e com grandes volumes de substâncias
como o hidrogênio, que é explosivo”, explicou Dietziker. |
Cuca Jorge

Dietziker: tecnologia reduz custos na reforma catalítica |
A Combustol também fornece fornos de eteno para petroquímicas e unidades
de incineração de resíduos voláteis. Neste caso, emprega a tecnologia
Thermatrix, comprada em 2002 pela Selas Fluid Process Corp. (subsidiária
norte-americana da Linde), de oxidação térmica sem chama. “Basicamente, é
um vaso de pressão com recheio refratário mantido a alta temperatura, que
provoca a oxidação dos resíduos de forma controlada e segura, com
eficiência de 99,99% de remoção e baixa emissão de NOx”, explicou. A
Combustol já vendeu e instalou dois desses fornos no Brasil. Há quatro
tipos desses oxidadores, admitindo opções como aquecimento por resistência
elétrica e com a possibilidade de recuperação de energia.
Além de petróleo e petroquímica, a companhia também fornece equipamentos
siderúrgicos de grande porte, ramo no qual possui uma forte carteira de
pedidos, e atua com fornos de incineração de resíduos municipais, uma área
promissora para o Brasil, com a possibilidade de aproveitamento de
energia.
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