A complexidade da transferência do calor contada pelo
Evaporador Roberts A necessidade industrial de processar materiais em temperaturas especificadas é satisfeita por um amplo conjunto de dispositivos com formas muito diversificadas. Frequentemente, esses materiais se apresentam em fase fluida e a transferência de energia de um fluido para outro se dará por meio de trocadores de calor. Este artigo procurará rememorar que nos trocadores de calor, de geometria simples quando comparada à de outros equipamentos, ocorrem fenômenos bastante complexos associados à transferência térmica que precisam ser levados em consideração tanto na sua operação como em seu projeto. Embora essa discussão se relacione a um equipamento específico, os princípios de transferência de calor considerados são aplicáveis a outras situações.
continuamente alimentado e extraído concentrado pela evaporação de parte da água, sendo a energia necessária fornecida pela condensação de vapor d’água na parte externa dos tubos de circulação de caldo. Usualmente, as usinas de açúcar usam esse tipo de equipamento em sistemas denominados evaporadores em múltiplos efeitos.
Embora tenha geometria simples, seu funcionamento é complexo. No início da
operação, o caldo é inserido no interior dos tubos até uma altura
intermediária. Aquecido pelo vapor, esse caldo começa a formar bolhas, que
tornam a coluna em seu interior composta por duas fases, a do líquido e a
do seu vapor, este com densidade inferior àquela do tubulão central. Isso
fornece a força motriz para a circulação do fluido ascendente nos tubos e
descendente no tubulão central.
potencial térmico (TV-TL) e cujo valor depende dos valores das resistências térmicas de convecção (1/hV) e (1/hL), existentes na transferência dessa taxa de calor entre o vapor condensante e a parede externa do tubo e entre a parede interna do tubo e o caldo de cana. A estas duas resistências convectivas, soma-se a resistência condutiva do tubo (e/kW onde “e” é a espessura do tubo e kW a condutibilidade térmica do material). Caso o tubo tivesse incrustações, as respectivas resistências condutivas seriam acrescidas. Estas resistências térmicas somadas fornecem a resistência térmica equivalente (1/U) onde U (kW/m² ou kcal/h m²) é denominado coeficiente global de troca de calor ou de troca térmica, cujo valor varia entre 800 e 3.000 W/(m²°C), dependendo das condições operacionais. Como vemos, o interesse em aumentar a taxa de troca de calor volta-se para a compreensão dos fatores que afetam estas resistências térmicas.
deveria ser de 0,75 m (30%). Caso o nível esteja com 0,63 m (12 cm a menos), ou 1,5 m (75 cm a mais), a performance de evaporação diminuiria em 10%. Isso nos ensinara, para este caso de tubos de 2,5 m, que seria conveniente manter o nível do caldo de cana entre 0,8 e 1,0 m como situação de performance adequada.
de cana entra no tubo na temperatura TU e devido aocalor trocado tem sua
temperatura gradualmente elevada. Nas posições mais baixas no tubo, essa
temperatura é inferior àquela de ebulição e por isso a fase líquida
permanece. Todavia, existe uma altura no tubo HA onde a temperatura do
caldo de cana iguala sua temperatura de ebulição (TLA) e, a partir deste
ponto, uma parte da água vaporiza, utilizando energia do próprio caldo.
Isso diminui a temperatura da mistura do líquido com seu vapor, como exibe
a Figura 4. Este fato demonstra que o perfil de temperaturas mostrado na
Figura 2 tem valores que variam ao longo do eixo longitudinal do tubo.
Como lidar na prática com essa dificuldade?
delas, foram considerados valores médios para os coeficientes convectivos que dependem das velocidades do escoamento uL constante na zona de aquecimento e variável na zona de evaporação, acelerando desde uL até uLV na saída do tubo. O modelo por nós desenvolvido descreve os fenômenos aqui mencionados com 63 equações não lineares e permitiu chegar a algumas conclusões práticas entre as quais selecionamos as que mencionaremos a seguir (resultados para evaporadores sem incrustação).
uso nos tubos de materiais com condutibilidades térmicas maiores que as usuais não beneficiará significativamente a taxa de troca de calor. Aqui, o cuidado a ser tomado consiste em evitar a formação de incrustações, que possuem baixíssima condutibilidade térmica. Outro aspecto relevante se manifesta no fato de as resistências térmicas, no lado do caldo de cana nos efeitos 1 até 3, nos quais as concentrações no interior do evaporador eram de 18, 24 e 38 Brix, respectivamente, serem menores que a observada no efeito 4, de 73 Brix. Neste caso, com maior viscosidade por conta da maior concentração do caldo de cana e menor temperatura de operação, sua resistência térmica do lado da solução resulta aumentada para cerca de 80% do total. Este fato pode exigir para o quarto efeito uma área de transferência de calor maior do que a dos efeitos anteriores e, mais ainda, a incrustação neste efeito pode ser mais severa, merecendo uma análise cuidadosa da gerência de operação.
determinante na transferência de calor é a resistência térmica no lado do caldo. Por isso, o planejamento da operação de um sistema Roberts de múltiplos efeitos deve ser cuidadoso para definir os níveis de concentração a se esperar em cada efeito e as áreas de cada corpo em função da produção desejada de caldo com certa concentração final.
2,75 kgf/cm². Por uma instabilidade nas linhas de suprimento, provocada, por exemplo, pela demanda de vapor de outro equipamento, a pressão na entrada do evaporador caía para 2,0 kgf/cm² (120°C). Isso implicaria uma diminuição de 40% na taxa de troca de calor, porém a consequência é muito mais grave ainda, pois a fração absorvida pela evaporação, que define a performance do equipamento, se reduziria em 50%, com a possibilidade de comprometer toda a operação da linha de produtiva. Esse exemplo demonstra ser muito justificado o investimento adicional para contar com tubulações próprias com base no “manifold” de distribuição para consumidores de vapor críticos do processo.
alimentação do caldo de cana. Fisicamente falando, aumentar a temperatura da solução na entrada reduz a altura da zona de aquecimento e consequentemente aumenta a altura da zona de evaporação resultando em melhor desempenho. Assim, ao passar de 100°C para 130°C na alimentação, seria conseguido um aumento na taxa de troca de calor de 12% no caso estudado.
parede interna do tubo ser significativamente superior àquela do caldo,
graças à alta resistência térmica da solução, a inversão de sacarose pode
ficar acima daquela esperada pela temperatura de operação do evaporador. A
porcentagem da inversão de sacarose é um fator cujo valor deve ser
acompanhado, pois é uma das causas da perda de sacarose no processo, além
de alterar as colorações desejadas para o produto.
Para o leitor interessado em saber mais sobre esse assunto, recomendo a seguinte literatura:
a) Descrição completa de nossa pesquisa: C.R.F.Pacheco and E.C.Kurokawa,
Thermal performance assessment of Robert’s evaporators. International
Sugar Journal. Vol. 106, N° 1265 p270-292, may 2004. |
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